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  • Luca Maribondo
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    Coluna


11/05/2012 15:38

Taxando a urina

Luca Maribondo

De primeiro de janeiro deste ano até sexta-feira, 11 de maio, cada brasileira pagou, em média, 2.766,06 reais de imposto, segundo o Impostômetro. É a fúria escorchante do Estado Brasileiro contra o cidadão, cada vez mais exacerbada. O brasileiro em é bombardeado com impostos e taxas de todos os níveis, municipal, estadual, federal. Em 2012, a previsão é de que cada brasileiro vai trabalhar 149 dias apenas pra pagar imposto.

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Pelo passo da cavalgadura, não vai demorar muito e os governantes vão querer cobrar o Imposto Respiração. O cidadão terá direito aí a uns 4,5 litros de ar por respirada (o que é o normal). Se passar disso, vai pagar importo pelo ar em excesso inspirado e expirado.

E são os pobres e os remediados os que, proporcionalmente, mais pagam. Basta manifestar o desejo de comprar um sanduíche de mortadela, uma motocicleta uma latinha de cerveja ou o Hipoglós do bebê e lá vem o facão do Governo, com sua degoladora lâmina, sempre afiada e inexorável. Consumir é sempre incentivado pelas autoridades, porque esta melhor forma de arrancar mais do bolso do cidadão.

Mas o que se há de fazer. Lutando contra a fúria impostífera do Poder Público, os pobres e remediados resistem como as antas do Pantanal: sobrevivem até os próximos incêndio, inundação ou, pior ainda, ganância do ser humano seu vizinho. O governo tem obrigação de retribuir essa volúpia arrecadadora com muitas realizações. Mas não é assim que acontece: boa parte do é arrecadado some pelos labirínticos esgotos da corrupção.

Não mais existe no Brasil aquela inflação galopante de vinte anos atrás que fazia os preços subirem de hora em hora. As tarifas e preços não mais são reajustados todos os dias. Na verdade, um dos sucessos do Plano Real, que deu origem à moeda atual do Brasil, o real, é a ausência dos aumentos de preços em ritmo de britadeira.

O empresário brasileiro, que também diz odiar os impostos, nessa hora fica do lado do Estado. No pode ver o dinheiro pesando nas algibeiras da patuleia: logo que redesenhar os códigos de barra que identificam os preços das mercadorias que mercadejam. E sempre pra mais.

Um exemplo disso é a cerveja. É um ancestral costume do brasileiro concluir seu dia com uma rodada da loura gelada. Falando especificamente sobre a cerveja, a carga tributária incidente na bebida é quase obscena: 56%. Ou seja, numa latinha que custa em média R$2,00, R$ 1,12 fica com o Governo. Num país que produz 10 bilhões de litros e que consome 53,3 litros per capita, do the math.

Tudo é taxado com impostos escorchantes: compare a tributação incidente em outras mercadorias: energia elétrica (45,81%), televisor (43,64%), móveis (30,57%), tijolo (34,82%), tintas (45%), telefonia (47,87%), arroz (18%), feijão (18%), açúcar (40,40%), café (36,52%), sal (29,48%), carne (18,63%), peixe (18,20%), margarina (37%), frango (17,90%), papel higiênico (40,50%), cachaça (83,07%), refrigerante (47%), leite (33,63%), biscoitos (38,50%), calçados (37,37%), cigarro (81,68%), brinquedos (41,90%), creme dental (42%).

Mas voltemos à cerveja. O trabalhador, que pega no pesado, é sempre o primeiro a reduzir ou a correr pra bebidas mais pesadas, por absoluta falta de fundos. Já o hedonista, que põe a bunda na cadeira do botequim e levanta o copo, este enfrenta tudo: ágio, especulação, usura, agiota, imposto, taxa, pacote, o diabo, mas mantêm o nível da espuma. Este tipo de freguês está sempre a postos para sorver a sua cevada e, eventualmente, pra protestar contra as autoridades, só pelo prazer de atucanar a segunda mãe mais poderosa do mundo.

Tem até bebedor da antiquíssima mistura de malte, lúpulo e cevada pensando em organizar passeata com novos aumentos de tributos sobre a bebida dos deuses. Pode-se até imaginar que durante uma esfuziante assembleia os participantes decidindo se o boicote se dará pelo barulho, pelo constrangimento das autoridades ou dos cervejeiros. Nunca pela abstinência, ainda que os governantes peçam para que se consuma com moderação.

Nos cartazes e faixas os manifestantes veicularão os números de uma suposta e catastrófica redução do consumo e slogans capciosos: mais cerveja, menos corruptos; queremos cachoeiras de cerveja; exigimos torres, mas de chopp.

Se as autoridades desejam mesmo inibir o consumo da cerveja, não será com frases do tipo "beba com moderação". Precisará mesmo é taxar a urinação. Isso mesmo. O cidadão só poderá urinar meio litro por dia. Cada mililitro acima dessa quantidade pagará pesados impostos. O único problema será a mensuração. Ninguém vai se permitir ser medido pelos mijômetros das autoridades ditas constituídas.

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Esses percentuais citados na matéria é o que pagamos de impostos que na teoria é para investir em SAÚDE, EDUCAÇÃO, SEGURANÇA, ETC.. Mas se somar-mos esses valores MAIS oque pagamos para termos SAÚDE (particular), EDUCAÇÃO (particular), SEGURANÇA (particular), esses percentuais aumentam em 100% em nosso orçamento.....UMA VERGONHA, e na época de eleição vem os CARAS-DE-PAU pedir votos...
 
alci da silva em 28/05/2012 06:34:22
É! Eu acho que prá mexer nisso aí tem ser mesmo por aí. Manifestarmos sempre nossa insastifação, por a boca no trombone, sempre que encontrar uma oportunidade de reclamar não ficar calado mais tem que ser todo mundo. Não basta um ou outro chiar que não vai resolver e na hora de votar, aí sim, mandar esses caras prá roça. Quero ver...
 
Jose Candido em 28/05/2012 02:20:26
Imposto nao é problema? Imposto é mal sim, e muito mal diga-se de passagem, pois e justamente neste alta carga de imposto que faz com que os empresarios aumentem seus preços, para que nao perca o percentual de lucro que almeja.
Então o efeito cascata (e nao cachoeira) que se consegue é que aumentando os impostos, majora-se todos os preços , sem exceção e com isso ficamos prox de inflação galopante
 
Odair Ghilhermino de Oliveira em 27/05/2012 06:27:25
Concordo contigo Luca, apenas acho que nós mesmos somos culpados pelo o que ocorre, visto que continuamos votando sempre e sempre nos mesmos candidatos que, na realidade são compromissados só com eles mesmos ou com seus própios bolsos ou algibeira, como diria o voce. Muito se fala em reforma tributáriae à muitos anos e nada se faz. Pelo jeito não sairemos desse lodaçal de impostos tão cedo...
 
João Carlos Fernandes Maciel em 15/05/2012 10:05:03
De impostos não estamos mal
A corrupção é que é fatal
Matam nas maternidades
Matam nas estradas
Matam nos contrabandos
No pó que se cheira também.
Fabricaram faculdades
Tudo na base da propina
A professora está com vergonha
Estão falando que é ela quem ensina
Que sina! Faliram a educação.
Coitados dos Brasileiros
Povo com as calças na mão
E os cachorros mijando no poste.
 
ALMERINDO DE OLIVEIRA em 14/05/2012 04:39:56
Adriano disse todo! O problema não são os impostos, mesmo altos em si. Um Alemão, por exemplo, paga até um pouco mais de impostos que nos. Mas com estes impostos ele compra autobahnen sem buracos, para correr com a velocidade que bem quiser, saude de primeira, segurança publica, educação para os filhos, e um sistema de saude que funciona bem. Se aqui fosse assim, imposto não seria problema.
 
Marcos da Silva em 11/05/2012 06:14:22
O problema não é a alta carga tributária. O problema é que essa fortuna, que deveria proporcionar aos brasileiros saúde, educação, segurança e rodovias de primeira qualidade, vira poeira nas mãos de POLÍTICOS CORRUPTOS. Essa fortuna desaparece em licitações dirigidas, preços superfaturados, obras pagas e não realizadas e roubo puro e simples do erário, indo parar nos bolsos dos políticos ladrões.
 
Adriano Roberto dos Santos em 11/05/2012 04:30:03
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