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10/12/2015 07:45

Dentista usava máquina a pedal para tratar douradenses nos anos 40

Joel Pizzini foi um dos primeiros dentistas com curso superior em Dourados e lembra do sofrimento que quem se tratava com o pai

Helio de Freitas, de Dourados
Dentista usava máquina a pedal para tratar douradenses nos anos 40
Joel Pizzini foi um dos primeiros dentistas com diploma em Dourados (Foto: Chico Leite/Divulgação)Joel Pizzini foi um dos primeiros dentistas com diploma em Dourados (Foto: Chico Leite/Divulgação)

Joel Pizzini, 82 anos, foi um dos primeiros dentistas com graduação na área a trabalhar em Dourados, cidade a 233 de Campo Grande, que no dia 20 deste mês completa 80 anos de emancipação. Pai do famoso cineasta que carrega seu nome, Joel, apesar da saúde debilitada e certa dificuldade para falar, se recorda de histórias incríveis de quando era criança.

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Joel Pizzini, o cirurgião dentista, é filho dos pioneiros Adroaldo Pizzini – nome da rua em que mora atualmente – e de Abigail Capilé. Adroaldo também era dentista, mas não fez faculdade como Joel. Era prático e atendia os moradores da região em sua casa mesmo, com uma gerigonça usada para tratar os dentes dos pacientes movida a pedal, como se fosse uma máquina de costura de antigamente.

Ele se recorda das dificuldades para fazer os atendimentos na época em que o pai era o dentista e ele apenas uma criança no vilarejo de Dourados. Para receber atendimento, os moradores faziam uma viagem.

Só três ruas – Joel conta que Adroaldo atendia na sede da vila, com poucas casas, a maioria feita de madeira. Tinha apenas três ruas, as atuais avenidas Marcelino Pires, Joaquim Teixeira Alves e Weimar Torres.

Os moradores da zona rural, para receber atendimento, ficavam na casa de amigos. “Tinha muita gente da fazenda que vinha tratar dente e aí ficava hospedado em casa”, conta Pizzini, lembrando que o local onde morava chegou a receber visita que passou dias para fazer o tratamento dentário. Como na época de Adroaldo não tinha energia na cidade, a broca do dentista era movida à força do pé.

Joel Pizzini se recorda das brincadeiras de criança e da época em que estudava na atual escola Joaquim Murtinho. Para fazer o “ginásio”, precisou ir para Campo Grande, onde ficou em um internato.

Faculdade no Rio – Para fazer faculdade, Joel se mudou para o Rio de Janeiro, onde morou na casa do avô. Quando terminou o curso, ficou mais um tempo em terras cariocas, se casou e depois voltou para Dourados. O filho famoso nasceu no Rio, em 1960. Quando o Jel dentista retornou para Dourados, foi um dos primeiros profissionais do ramo com curso superior na cidade.

Ela diz ter passado por menos dificuldades que o pai, já que em sua época já havia energia, fornecida pela Usina Filinto Muller. Dessa forma, era possível trabalhar durante dia e noite, quando era preciso.

Quando era jovem, Joel frequentava os bailes do Clube Social e as festas na casa de seu pai. Ele não imaginava que a cidade crescesse tanto. Diz que na época de sua juventude, Dourados tinha apenas três lojas – Camponesa, Favorita e Casa Branca. Para chegar ao centro havia um “trieiro” no meio do mato. “Cresceu muito, eu saio de carro às vezes por aí e a gente se espanta de ver o movimento, tudo diferente”.




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