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Campo Grande, Quinta-feira, 29 de Setembro de 2016

15/01/2015 10:03

Com três aumentos consecutivos, alta na conta de luz deve superar 40%

Caroline Maldonado
Segundo Rosimeire, Conselho dos Consumidores de Energia exige que concessionária esclareça mudanças na tarifa (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo)Segundo Rosimeire, Conselho dos Consumidores de Energia exige que concessionária esclareça mudanças na tarifa (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo)

Os consumidores de energia podem pagar até mais de 40% pela tarifa de energia neste ano em Mato Grosso do Sul. Além do encarecimento por causa da vigência das bandeiras, que elevou a conta em até 8,5% por causa da utilização das termelétricas, o consumidor pode arcar com o reajuste extra para cobrir rombo nas concessionárias e ainda tem a correção anual ordinária, prevista para 8 de abril deste ano.

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Até o fim deste mês, as concessionárias vão enviar à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) os pedidos de revisão tarifária extraordinária que serão avaliados em fevereiro. Essa medida seria pensada somente em 2018, mas será aplicada neste ano em virtude da crise nas hidrelétricas com a falta de água.

O reajuste deve ocorrer até março e o consumidor já pode se preparar para mais acréscimo na conta a partir de abril, quando a Energisa tem direito de aplicar o reajuste anual, de acordo com a presidente do Concen (Conselho de Consumidores da Área de Concessão da Enersul), Rosimeire da Costa.

No entanto, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, garantiu, ontem, que o aumento na conta de luz não deve superar 40% no País neste ano. 

Motivo – A revisão tarifária extraordinária será adotada para que os consumidores paguem a conta de empréstimos do Governo Federal às concessionárias de energia, ao longo dos próximos três anos. Ainda não há informação de qual o aporte contratado pelas concessionárias responsáveis pela energia em Mato Grosso do Sul, de acordo com a presidente do conselho.

Em todo o Brasil, o montante foi de R$ 17,8 bilhões, liberados em 2014. Os valores contratados pela Energisa, não foram suficientes para cobrir gastos de novembro e dezembro do mesmo ano. Além disso, terão fim os repasses do Tesouro Nacional à CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), fundo com as principais despesas do setor.

O reajuste ordinário, por sua vez, está previsto para abril, pois este é o mês em que o contrato com a Energisa faz aniversário. Não é possível saber ainda quanto a conta de energia vai encarecer nesse período, mas a conselheira estima algo em torno do aplicado para os municípios de Três Lagoas, Brasilândia, Santa Rita do Pardo, Selvíria e Anaurilândia, pela concessionária Elektro, em agosto de 2014.

“A estimativa é baseada no aumento que houve para os cinco municípios no ano passado, de 37,78% para residências, então por aí a gente já tem uma média do que pode acontecer conosco”, comenta Rosimeire, ao lembrar que a partir deste mês já está em vigor a bandeira tarifária vermelha, na qual a tarifa tem acréscimo de R$ 3,00 para cada 100 kWh consumidos. 

A bandeira é aplicada em função dos altos custos para produção de energia, por meio de termoelétricas, já que falta água para operação de hidrelétricas. Com isso, quem consome mais que 100 kWh deve pagar já na próxima fatura em média 8,5% a mais, segundo Rosimeire.

Custo será repassado - Com tantas medidas que encarecem a conta, as famílias podem pagar dobrado já que empresas e indústrias certamente vão repassar os custos com energia ao consumidor, segundo Rosimeire. “Os impactos serão grandes, teremos surpresa ruim, porque além de pagar a conta, o consumidor vai pagar o aumento em produtos industriais e do comércio, que não vão ter como arcar sozinhos com os custos de energia”, destaca. 

As medidas, no entanto, não significam que haverá racionamento ou "crise do apagão", como ficou conhecida a situação ocorrida há pouco mais de onze anos no Brasil, na previsão da presidente do Consen, que está em conformidade com declarações do ministro Eduardo Braga. "Não deve ter racionamento como em 2002, porque desta vez nós temos energia, mas ela está mais cara", explica Rosimeire, ao esclarecer que as decisões que reajustam a tarifa são justamente para evitar um racionamento.  

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