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Campo Grande, Sexta-feira, 30 de Setembro de 2016

14/11/2014 17:23

Salários baixos e falta de qualificação dificultam contratações no comércio

Liana Feitosa
Empresários reclamam da dificuldade para contratar temporários para final de ano. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)Empresários reclamam da dificuldade para contratar temporários para final de ano. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Comerciantes de Campo Grande não conseguem contratar mão de obra para vendas. A constatação é do presidente do SEC/CG (Sindicato dos Empregados no Comércio de Campo Grande), Idelmar da Mota Lima. Para ele, os baixos salários oferecidos pelos empresários do setor gera recusa dos trabalhadores. O problema é que a baixa contratação, na visão dele, prejudica o principal período de vendas do ano, que são os dias que antecedem as festas de final de ano.

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“Os empresários precisam se conscientizar de que os valores que estabelecemos na CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) são pisos salariais, ou seja, o mínimo que o empregado deve ganhar. Eles (empresários) estabelecem esses valores como se fossem grandes atrativos e não são. Se não pagarem melhor, terão sempre dificuldade para suprir seus quadros de funcionários”, alega o sindicalista.

Muito trabalho x remuneração - A situação fica ainda pior quando considerada a reta final do ano, quando o aumento do movimento no comércio gera a necessidade de contratação de trabalhadores temporários. O setor de supermercados, de acordo com Idelmar, é o que mais enfrenta dificuldade para conseguir mão de obra.

“Esse negócio de trabalhar sábados, domingos e feriados sem uma boa remuneração não funciona mais. Os tempos são outros”, garante Idelmar. “Como um supermercado ou uma loja espera atrair e segurar funcionário para trabalhar 8 horas por dia, inclusive aos domingos e feriados, pagando um piso de pouco mais de R$ 800? Se não pagarem bem, um piso e meio, dois ou mais, não terão como encontrar pessoal capacitado para o trabalho”, resume.

O problema é outro - Por outro lado, para o presidente da ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande), João Carlos Polidoro, a questão salarial é o fator menos determinante na hora de contratar um profissional. "O salário é acordado na CCT, sem contar que, no caso do comércio, ele é variável porque existe comissão e alguns outros benefícios. O problema maior é a qualificação", argumenta.

"Temos percebido que as pessoas que vão em busca das vagas não estão realmente preparadas, qualificadas, e elas precisam estar prontas para a função que vão desempenhar", completa Polidoro. Segundo ele, salários baixos são minoria no mercado. "Se a pessoa não está trabalhando é porque ela realmente não está qualificada", reforça.

Impostos - Além disso, os encargos cobrados dos empregadores pesam no bolso dos empresários, conforme Polidoro. "O salário pode ser baixo para o empregado que recebe, mas não é baixo para o empregador. Quando você paga mil reais em um salário, você paga mais R$ 1.060 em encargos, dependendo do regime tributário da empresa. Isso muitas vezes impede o empregador de oferecer salário maior", amplia.

"A gente também percebe uma falta de comprometimento do funcionário. A pessoa leva essa característica dela para o mercado profissional, aí não consegue ficar no emprego. Ela falta sem motivos, não se compromete, desiste", pontua.

Por isso, Polidoro classifica a qualificação profissional e o comprometimento como fatores fundamentais para a contratação de mão de obra. "O mercado precisa de pessoas qualificadas para atender, senão o cliente vai para outra loja. E se pessoa está qualificada, ela vai conseguir um trabalho melhor. Então, se o empregador não souber valorizar o profissional qualificado pagando bem, acaba perdendo o funcionário", finaliza.




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