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02/08/2013 07:02

Viúva de contador famoso jura que não caiu em nenhum causo do marido

Paula Maciulevicius
Ela jura que não acreditou em nenhum dos causos. Mas admite que Marcondes tinha ênfase em contar a mesma história por vezes exatamente igual. (Fotos: Marcos Ermínio)Ela jura que não acreditou em nenhum dos causos. Mas admite que Marcondes tinha ênfase em contar a mesma história por vezes exatamente igual. (Fotos: Marcos Ermínio)

Ela jura de pé junto que não caiu em nenhum dos causos que ouviu do marido em 43 anos juntos. Dona Marly Martinez, tem duas datas de nascimento, mas prefere contar a idade mais nova, como está no documento. Pois bem, aos 70 anos ela voltou a Bonito para ver o Festival embalado pelos contos do esposo, Marcondes de Assis, homenageado em memória no evento, ao lado de Monteiro Lobato.

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A saudade bate depois que o condutor de comitiva e maior contador de causos que Bonito já viu, subiu pra contar o que viu desta vida lá em cima. Desde 2011 que Marly mora em Campo Grande. “Bonito não me serve mais, tudo representa ele”.

A frase marca que não é só no Festival que Marcondes faz história. ‘Lá em Bonito, uma veis’... era a deixa para que quem estivesse perto se achegasse mais um pouco, que dali sairia causo.

“Eu não acreditava, ele era meu marido, então eu conhecia... Mas ele tinha ênfase. Contava uma história hoje e depois contava de novo da mesma maneira. Se era tática, eu não sei, mas quando ele terminava de contar, todo mundo caía na risada e ainda tinha os que acreditavam”, descreve.

Entre as muitas histórias, ela nos tenta reproduzir numa narração que mistura saudade e alegria, como começavam os contos de Marcondes.

“Tinha um rapaz que criava pit bull, nosso vizinho. Toda vez que o Marcondes chegava da comitiva, tinha uma menininha que gostava dele e logo se agarrava. Aí ele foi com a guria e amarrou o burro perto da casa. Ela se encantou com o cachorro e de repente veio uma voz ‘seo Marcondes, compra o cachorro que o dono vende’. Ele olhou para os lados e não tinha ninguém. Era o papagaio que tinha falado e transmitiu que o dono vendia. Ele ia assim, inventado, onde já se viu papagaio saber negociar? Era assim, ele enfeitava um pouco do jeito dele, poderia até ser realidade, mas não era”.

Realidade ou fantasia, a verdade é que os causos estavam em Marcondes como ele era para as histórias. Criatividade que acompanhou o puxador de comitiva até o fim dos dias nesta terra.

Homenagem não foi surpresa para família. O que deixou a viúva boquiaberta foi estar ao lado de Monteiro Lobato, um homem letrado, enquanto o marido não teve estudo.Homenagem não foi surpresa para família. O que deixou a viúva boquiaberta foi estar ao lado de Monteiro Lobato, um homem letrado, enquanto o marido não teve estudo.

Dona Marly fala que não foi surpresa ver o marido homenageado, porque reconhecimento ele sempre teve em vida. Mas a satisfação foi vê-lo dividindo holofotes e olhares com Monteiro Lobato.

“O Marcondes não era letrado. O Lobato era advogado, o Marcondes não teve estudo, não teve cultura, mas tinha inteligência, a gente se sente muito feliz apesar das saudades”.

Do que viu e viveu da vida é que saía a inspiração para o próximo conto. Era na moda pantaneira de falar que ele conduzia, melhor que a boiada, um conto que levou muita gente na lábia.

“-Lá em Bonito, uma veis, um sucuri inguliu uma criança. Inguliu e, aí, dali dispois de treis dia é que fomo achá o sucuri. Tava durmino, assim. Tava, foi tudo o pessoar. Naquele tempo, a cidade de Bonito era ainda pequeeena, né, no era muito... ali no formoso, ali. Ali que tinha o sucuri. Aí, né, todo mundo prucurano esse sucuri e num achava ele. Aí, cum muito custo achemo ele lá, né. Aí uma turma:

-Tá qui o sucuri! – Aí, tava a mãe do guri, madrinha, tudo os parente, tudo chorano, né. - Num dexa o sucuri escapá! Num dexa escapá!- Ele tava durmino. Daí foro abrí pra tirá o guri, né. Aí, veio a madrinha do guri, o padrinho. Tava assim, tava estufado assim. Aí, quando começô cortá assim, aí. - Muito cuidado pra num cortá o inocente aí! - Mais, o guri era grande, tinha seis ano, já. Aí, quando abriu, abriu assim, que pareceu, o guri tava sentadinho assim na bariga do sucuri. Quando abriu assim, que crariô assim, ele enxergô o padrinho dele, feis:

- Bença, meu padrinho! (com as mãos postas) –Ranranranran. Aí, sarvô o guri. Daí, fizero uma festa, até. (O causo da criança que saiu viva da barriga da sucuri, Marcondes de Assis)

“Eu gostaria que você tivesse conhecido o Marcondes, as pessoas se apaixonavam por ele”, nos disse a viúva. É dona Marly, eu bem que queria mesmo. Causos assim davam histórias pra mais de metro.

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Seu Marcondes era f... mesmo... Eita velhinho querido
 
Jaime Cerqueira em 03/08/2013 07:29:51
SR. MARCONDES ASSIS, SENHOR FAZ MUITA FALTA A NÓS BONITENSES , NA CALVALGADA IGREJA, NO CLUBE DO LAÇO E O SOM DO SEU BERRANTE PANTANEIRO E NAS COMITIVAS..
 
HERCULANO BENITES em 02/08/2013 21:17:28
Sou filho de Bonito e saí para fazer o 2º Grau em Cuiabá em 1.977. Hoje moro em Brasília e quase todo ano volto à terrinha amada, pois aí tenho familiares e amigos. Bem, é com alegria que vejo a homenagem póstuma ao Sr. Marcondes. É merecida. Na época que eu era menino, adolescente, jovem, o Sr. Marcondes sempre nos atendia com muita educação e simplicidade. Uma pessoa carismática. Das vezes que retornei em Bonito, foram raras as vezes que o encontrei, infelizmente, mas quando o encontrava era muito bom ouvi-lo.
 
Ozamir dos Santos em 02/08/2013 14:02:17
fiu criada na fazenda santa rosa no campo dos índios eu era criança chegou marcondes com sua comitiva boiada grande pidio pouso minha mãe era cozinheira bateu o sino os piões vieram para jantar eu correndo por la cai e me ralei toda minha mãe ia me bater ele não deixou e pediu um copo com saumora pra ela e passou nos ralados doeu mas sarou eu só chamava ele de Dr.sarmora e conhecia o som do berrante quando estava perto que saudade Primo. doeu mas que a surra
 
rosangela evangelista em 02/08/2013 11:27:34
Como a vida é surpreendente, hoje ao ler esta reportagem sobre o Marcondes Assis me veio um misto de alegria e tristeza, alegria por ver uma tão merecida homenagem a um homem fantástico de coração puro e alma nobre, que tive a oportunidade de conhecer.
Por saber só agora través desta reportagem que já nos deixou e foi tocar seu berrante de um som inigualável ao nosso pai lá no céu!
 
Maria Bebnedita Peixoto em 02/08/2013 08:45:20
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