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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

29/11/2016 09:51

Tragédia na Colômbia interrompeu melhor ano da história da Chapecoense

Nyelder Rodrigues
Time da Chapecoense em foto recente. (Foto: Globo Esporte)Time da Chapecoense em foto recente. (Foto: Globo Esporte)

Um clube que até pouco tempo era só mais um, fora do cenário nacional e brigando apenas em nível regional. Fundado em 1973, a Associação Chapecoense de Futebol começou a ascender em 2007, ao conquistar o título catarinense que deu força para em 2009 o time disputar a Série D do Brasileirão e conseguir o acesso à Série C.

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Daí em diante, o time arrancou e em seis temporadas chegou à Série A, de onde não saiu mais. A sua fortaleza foi a Arena Condá, estádio onde a carinhosamente chamada Chape fez história derrubando grandes clubes, inclusive Grêmio e Inter, que tradicionalmente possuem grande torcida na região, até o Verdão do Oeste tomar o coração do povo dali.

No primeiro ano na elite do futebol brasileiro, em 2014, a Chape fugiu do rebaixamento e surpreendentemente se segurou na Série A, ficando em 15º na tabela. No ano seguinte, o time novamente se segurou com a 14ª posição. Mas o melhor momento da história do futebol de Chapecó (SC) ainda estava por vir em 2016.

A equipe foi forte no Campeonato Estadual e conquistou o título em cima do Joinville, ganhando a artilharia da competição de quebra, com Bruno Rangel, que fez 10 gols. No decorrer do ano, o time manteve a boa fase, mesmo perdendo o treinador Guto Ferreira para o Bahia. No lugar dele, foi contratado Caio Jr., ex-Palmeiras e Paraná Clube.

Caio seguiu com a boa campanha que resultou na atual 9ª colocação do time na tabela do Brasileirão, faltando apenas uma rodada para o fim da competição. No último jogo disputado, derrota por 1 a 0 para o Palmeiras, que conquistou o título nacional com uma rodada de antecedência, no Allianz Parque.

Mas a cereja do bolo da Chape, que fez o time ganhar a simpatia de todo o país, foi o campanha da equipe da Copa Sul-Americana. Cuiabá, Independiente (ARG), Junior Barranquilla (COL) e San Lorenzo (ARG) não foram páreo para segurar os catarinenses rumo à histórica final da Copa Sul-Americana, a primeira internacional do clube.

Porém, a bela história e melhor fase do modesto clube sofreu uma drástica interrupção na madrugada desta terça-feira (29), na maior tragédia já vista no futebol brasileiro. O avião que transportava todo elenco, comissão técnica e equipes de TV, rádio e jornais que trabalhariam na transmissão do jogo.

 Alan Ruschel chegando ao hospital. Acidente interrompeu trajetória do time.  (Foto: Guillermo Ossa- EL TIEMPO) Alan Ruschel chegando ao hospital. Acidente interrompeu trajetória do time. (Foto: Guillermo Ossa- EL TIEMPO)

O voo começou em Guarulhos (SP) e fez escala pela boliviana Santa Cruz de la Sierra, de onde seguiu para Medellín, palco do jogo de ida da final contra o Atlético Nacional, atual campeão da Copa Libertadores. Já em território aéreo colombiano, a tragédia que entra para a história do futebol e do mundo.

Histórias semelhantes já aconteceram no mundo. Na Itália, o "Gran Torino" perdeu todo o time em 1949 na tragédia de Superga, quando o avião em que estava a equipe bateu na basílica de Superga. Desde então, o Torino não conseguiu retomar a grandeza de outrora.

Já em 1958, o avião do inglês Manchester United caiu em Munique (ALE). Alguns atletas sobreviveram e ainda participaram da reconstrução da equipe, até hoje uma das maiores do mundo. Resta agora saber qual dos casos será o da Chapecoense.

Das 81 pessoas que estavam no voo, 72 eram passageiros - jogadores, treinadores ou membros da imprensa. Até o momento, apenas seis sobreviveram (o goleiro Jackson Follmann, o lateral Alan Ruschel e o zagueiro Neto, além do narrador Rafael Henzel e os tripulantes Ximena Suárez e Erwin Tumiri).

Chape no MS - Parte da história da Chape passou por Mato Grosso do Sul, do sucesso à tragédia. Em 2009, a caminhada rumo ao acesso da Série D para a Série C, teve no meio do caminho o Naviraiense. Nos dois jogos, em Naviraí e Chapecó (SC), vitória dos catarinenses por 3 a 0.

Anos depois, em 2016, o ex-centro-avante do Verdão do Oeste, Rodrigo Gral, vestiu a camisa do Operário. Apesar de honrar a camisa alvinegra, a Chapecoense não o deixou um minuto sequer, já que ele carrega no braço esquerdo o brasão do clube de coração - nasceu na região de Chapecó - e onde foi ídolo.

"Acordei hoje com a triste notícia que o avião da chape caiu! Só peço a Deus que proteja a todos e não passe de um susto!", postou mais cedo no facebook Ricardo Gral, preparador de goleiros que é irmão de Rodrigo e o acompanhou no Operário e agora está com Rodrigo na Dinamarca.

Já em 17 de outubro, os atletas da Chape passaram por Corumbá, como revela matéria do Campo Grande News, assinada por Paulo Nonato de Souza. O motivo da passagem pela "Capital do Pantanal" foi a não autorização da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) para embarque direto de Belo Horizonte (MG), em voo fretado.

A situação foi a mesma desta terça-feira, já que o time queria embarcar para a Colômbia em voo fretado direto de São Paulo, o que foi vetado pela ANAC. Assim, a delegação teve que pegar um voo comercial que, no fim, acabou em tragédia.




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