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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

26/09/2012 17:49

Em tempos de celular e internet, o pedido de casamento que chegou por carta

Paula Maciulevicius
Ele escreveu e esperou o pedido de casamento chegar até ela. Não existe imediatismo no tempo passado nas cartas escritas entre as grades. (Fotos: Minamar Júnior)Ele escreveu e esperou o pedido de casamento chegar até ela. Não existe imediatismo no tempo passado nas cartas escritas entre as grades. (Fotos: Minamar Júnior)

Um pedido de “quer casar comigo” feito por escrito para ter a chance de ver a mulher por minutos, que seja. Para ele, encontrá-la cara a cara significaria mais do que uma vida toda a dois. A luta que Dalvany trava já tem três meses. A única chance de tocá-la, pelos próximos anos, seria a de juntos dizerem sim.

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O pedido de casamento foi feito de próprio punho, entre as tantas cartas que ele e Francisca trocam e demorou pelo menos um dia para chegar até ela. Saiu da rua Indianápolis até a rua Uruguaiana em um malote. Entre o Instituto Penal de Campo Grande e o Presídio Feminino.

A resposta veio alguns dias depois. Mas não tem problema. Quem vive de escrever não cobra imediatismo. O tempo lá dentro é outro e o relógio da prisão não caminha igual ao ponteiro da liberdade.

Ele teve resposta. Houve consenso. O ‘sim’ dela ultrapassa o sonho de menina do vestido branco, véu e grinalda. Ela também sabe que seria a única forma de estarem os dois, no mesmo lugar, na mesma hora e livres.

Juntos eles têm cinco anos e meio de história. Parte deles vividos entre as grades. Amor correspondido e alimentado entre cartas. Juntos eles têm cinco anos e meio de história. Parte deles vividos entre as grades. Amor correspondido e alimentado entre cartas.

“Eu falei que a gente estava há muito tempo dessa forma e precisava encontrar uma forma de ficar junto. Que eu pudesse ficar na frente dela, abraçar ela, era casando com ela”.

O desabafo sai como alegria. Um homem negro, no alto de seu 1,82m, Dalvany de Paula Moura, 40 anos, abraça e beija uma das cartas como se fosse o rosto de Francisca. Para quem vê, ali está só uma folha de caderno. Para ele, a mulher “mais maravilhosa e importante do mundo”. É assim que ele endereça todas as semanas as cartas para Francisca Delosanta Gimenes Moura.

“Se pudesse escrevia o dia inteiro. Conto a minha vida, quero saber da vida dela, é o meu relacionamento. Para mim isso é visita. É uma visita que eu espero, se não vem eu digo, não fui lembrado hoje e quando chega, é muita emoção”.

Juntos eles têm cinco anos e meio de história. Parte deles vividos entre as grades. Há um ano e três meses o contato deixou de ser diário. A prisão dela veio primeiro e nos últimos seis meses, ele também passou a vê-la apenas pelas cartas. Reincidentes os dois, foram idas e vindas e milhares de declarações de amor.

A toalha estampa o nome do casal entre a frase “eu amo você”. Presente bordado por ela à ele e que ainda guarda um perfume.

“Eu chego a dormir com as cartas. Eu coloco em cima e durmo sentindo o cheiro dela. É ela”.

 

Ele sorri ao dizer que ela também sabe que seria a única forma de estarem os dois, no mesmo lugar, na mesma hora e livres.Ele sorri ao dizer que ela também sabe que seria a única forma de estarem os dois, no mesmo lugar, na mesma hora e livres.

“Assim como as mais lindas e perfeitas rosas abrem suas maravilhosas pétalas para receber o perfume e orvalho dourado da manhã, eu espero que você abra o seu coração para receber essas humildes palavras”. É um dos trechos escritos, numa caligrafia impecável, por Francisca.

Cheirosas, as cartas mandam mais que declarações, é como se uma parte dos dois também estivesse ali.

Ele ainda nem sabe quanto tempo ainda ficará preso, nem se vai conseguir vê-la por uma tarde que for. O casamento depende se Justiça der o aval para os dois, na mesma hora e local, comparecem ao cartório.

Ele pede à assistência social há três meses. “Quero ser o privilegiado. É muito importante pra mim, na minha vida encarceirada e lá fora seria uma honra ter uma vida normal, poder cuidar dela e ela cuidar de mim”.

Caso a justiça negue. Dalvany e Francisca vão se encontrar apenas nos nomes. Um ligado ao outro em um novo papel, a certidão de casamento.




para deus nada e ipossivel,porque deus nao demora ele capricha.eu estarei resando por voces,para que suas vidas sejam iluminadas e abencoadas.deus pode mudar a vida de voces dois.porque tudo e possivel ao que cre.
 
abadia arantes em 27/09/2012 10:41:00
Não é um julgamento, até porque a gente não sabe ...Mas isso não flutua, dificilmente...já começa errado, de maneira mto estranha, em local desapropriado, enfim...
 
Jair Camilo em 27/09/2012 08:53:20
Realmente, uma linda estória de amor. Mas fico pensando... se eles fossem livres, estivessem aqui fora, sendo todos os dias "tentados" pela diversidade mundana, será que esse amor existiria assim tão forte? Não estou duvidando do sentimento, não é isso. O sofrimento nos ficar um pouco descrentes... FELICIDADES!!! Que seja um AMOR de verdade e dure para sempre, como Amor verdadeiro dura.
 
Regina Lima em 27/09/2012 08:00:39
Todos merecem uma chance, um recomeço, seja na vida amorosa, na vida profissional, em qualquer aspecto. Jesus ama a todos incondicionalmente, o seu maior desejo é ver as pessoas buscando uma reconstrução de suas vidas, buscando alcançar o Seu carater. História muito bonita!!!!
 
Suelen Maciel em 27/09/2012 07:31:00
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