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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

19/02/2016 10:27

A Onça sumiu da Afonso Pena! Apagaram painel que por 22 anos foi cartão postal

Ângela Kempfer e Adriano Fernandes
Onça foi pintada em 1994.Onça foi pintada em 1994.
O mesmo paredão hoje, sem a obra.O mesmo paredão hoje, sem a obra.

Um dia, passando pela Afonso Pena, a gente descobre que apagaram uma das nossas marcas: a “Onça”, felino com letra maiúscula porque fez história de 22 anos ali no paredão de 220 metros quadrados, na principal avenida de Campo Grande.

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Os moradores do Condomínio Inah decidiram passar um tom esverdeado sobre a tela gigante, produzida em junho de 1994, a primeira do tipo assinada pelo artista plástico Cleir. Depois de uma revitalização em 2003, ela nunca mais recebeu uma pincelada. Desbotou e a solução encontrada para resolver a velhice da obra foi a mais simples possível: apagar.

“Quando passei por lá é vi tudo branco veio aquela sensação ruim. Tinha uma importância para essa cidade. Quando o City Tur passava por lá, a obra era comentada. Era um cartão postal. É um prédio particular, não tem o que fazer. Mas, independente disso, o lamento por perder algo assim não pode ser silencioso”, diz Cleir.

Nos últimos anos, ele tentou de todas as formas captar recursos para a recuperação da Onça. Procurou governo, prefeitura, iniciativa privada, lançou até campanha na internet, mas não conseguiu arrecadar o valor necessário. "O antigo síndico do prédio era parceiro na revitalização, mas na época da campanha na internet os moradores disseram que a gente estava denegrindo o prédio e até mudaram de síndico", afirma Cleir.

O tombamento também foi proposto, sem sucesso. "Não foi aprovada. Pedimos na mesma época em que os vereadores queria tombar até o relógio do Hans Donner", lembra Cleir sobre a obra comemorativa aos 500 anos do descobrimento do Brasil, instalada na Praça Ary Coelho.

 

 

Tuiuiús Também já sumiram da Afonso Pena.Tuiuiús Também já sumiram da Afonso Pena.

Passar a borracha- No dia 27 de janeiro houve uma reunião de condomínio no Edifício Inah e, em votação, 19 moradores pediram para cobrir a onça. Apenas dois defenderam a restauração.

A síndica Regina Célia Miranda garante que também não gostou da solução, mas diz que não havia outra alternativa diante de problemas estruturais do prédio. "Também senti muito, mas tinha infiltrações e faltava dinheiro. O último orçamento que ele (Cleir) apresentou para a gente foi de R$ 182 mil".

Apagada com tinta, a obra segue o mesmo caminho de outros painéis criados na década de 90, hoje desbotados, sem dinheiro para revitalização, ou simplesmente escondidos por grandes peças publicitárias, como os tuiuiús também da Afonso Pena.

A ironia é que, no caso das aves símbolos do Pantanal, a obra atualmente está escondida sob um painel da operadora Vivo, a mesma que patrocinou alguns dos trabalhos de Cleir, inclusive, a revitalização da Onça há 13 anos. "Antes a publicidade deles era regionalizada, hoje é tudo nacional. Isso atrapalha muito, porque as grandes empresas não investem mais na arte aqui", explica Cleir.

História - Em 1994, o projeto Cores da Cidade patrocinou artistas plásticos que ocuparam espaços públicos de Campo Grande, Cleir foi um deles.

A proposta previa apoios de empresas privadas e o Banco Real foi parceiro na Onça da Afonso Pena. "Fiquei 40 dias lá, em frio de rachar, tinha o maior medo de ficar pendurado lá no alto, mas achava linda a composição que a onça fazia de longe com as árvores da Praça do Rádio Clube", diz o artista sobre o que agora será apenas lembrança.




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