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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

05/08/2013 17:06

Após 3 anos sob regime especial, começa estudo para tombar Hotel Americano

Ângela Kempfer
Prédio só teve térreo transformado ao longo de 74 anos.Prédio só teve térreo transformado ao longo de 74 anos.
Corredor hoje é mostra do abandono.Corredor hoje é mostra do abandono.

Só quem tem o tempo de olhar para cima percebe a arquitetura estilo art déco na esquina da 14 de Julho com a rua Cândido Mariano, no Centro de Campo Grande. Desde 2010, o prédio do Hotel Americano está sob regime especial de proteção histórica, não pode sofrer alterações. Assim, vem definhando com o tempo e a falta de atenção.

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Agora, a prefeitura abre processo para tombamento como patrimônio histórico e cultural do município, nomeando os primeiros peritos que vão verificar as condições estruturais e a importância do prédio de 1939.

Ao saber da possibilidade, a primeira imagem que salta da memória do vendedor de coco Valdir da Silveira é da calçada ainda de paralelepípedos em frente ao Hotel. “Fecho o olho e vejo. Era uma época que interditavam a 14 para os carros e o povo vinha passear no fim de semana”, lembra o senhor que tem a idade do prédio, 74 anos.

Para o vizinho, Armando Ali, dono de uma loja de produtos infantis ao lado do antigo Americano, a lembrança é das “janelas abertas”. “Ficava tudo aberto. Depois foi suspendendo o atendimento, parando tudo e fechou”, comenta o empresário.

Apesar do interior ser um mistério, porque nunca mais os proprietários (que hoje vivem em Santa Catarina) deixaram a curiosidade entrar no prédio, a fachada preserva os símbolos da arquitetura déco dos anos 30, com as linhas verticais, o revestimento em massa de pó de pedra, misturado ao pó de mica, para garantir a cor vermelha, cintilante.

Valdir da Silveira tem a idade do prédio, 74 anos.Valdir da Silveira tem a idade do prédio, 74 anos.

Há também histórias, revela o jornalista Celso Bejarano, que morou no Hotel por dois anos. Uma das “lendas” é de que um dia Che Guevara se hospedou no Hotel Americano, antes de seguir para a Bolívia, onde acabou morto.

Celso lembra da escada estreita, iniciada na pequena porta de ferro que dá acesso à rua. “Aquela escadaria tinha até um romantismo. Depois, a gente virava à esquerda e entrava em outro período da história”.

Os quartos, com “cheiro de velho”, conta o jornalista, tinha de mais moderno uma TV de botões, do tempo em que controle remoto ainda não era usado em grande escala. “Era tudo robusto, antigo. A cozinha tinha os armários, mesas e cadeiras antigas preservadas”, recorda.

O imóvel, desenhado pelo arquiteto Frederico Urlass, ficou durante anos disponível para aluguel. Começou a ser reformado para abrigar uma clinica odontológica, mas o regime de proteção impediu que a obra continuasse e o prédio permanece fechado desde então.

Para quem já viu vários imóveis perdidos ali pelo Centro, o reconhecimento como patrimônio é imprescindível, mas não só isso. “Tem de tombar, mas também transformar em um espaço vivo, que traga gente para visitar e tirar fotografia. Precisamos de pontos que tragam as pessoas para o Centro”, reforça a vendedora Luci Vidal, que há 23 anos trabalha em uma loja de roupas femininas na 14 de Julho.

Luci Vidal é vizinha do Hotel Americano há 23 anos.Luci Vidal é "vizinha" do Hotel Americano há 23 anos.



O Americano, como a gente o chamava carinhosamente, não pode ser esquecido. Além da arquitetura marcante, o prédio tem muita história pra contar. Cheguei a visitá-lo no tempo em que o Bejarano viva lá. Muita história, né amigo Celso? Que seja tombado e preservado.
 
Yelmo Papa em 03/02/2014 11:19:36
Que bom! Sempre achei que era um dos que mereciam atenção especial.
Campo Grande tem memória e história!
 
Beth Saltão em 06/08/2013 13:10:21
A minha primeira viagem a Campo Grande foi em janeiro de 1.960, três objeto de desejo ficaram em minha mente, o primeiro o Cine Alhambra que ficou na saudade foi demolido em 1987, o segundo o Relógio da 14 de Julho que por ironia do destino foi reinstalado na Av. Calógeras (como entender: o Relógio da 14 de Julho não fica na 14 de Julho?) e finalmente o Hotel Americano que era o ponto de retorno para o Cabeça de Boi. Espero que o tombamento seja para manter viva a memória desse clássico da arquitetura de Campo Grande, e não apenas mais um prédio tombado e nada mais.
 
Jota Vieira em 05/08/2013 22:00:18
Vão ficar com esses prédios caindo aos pedaços até quando, o dono não pode reformar e fica a 14 de julho a calógeras com centenas de lojas horrorosas que não podem ser reformadas. Vocês não estão mais no tempo de Machado de Assis, vamos modernizar Campo Grande, deixem o centro livre, deixem reformar as lojas. Chega de coisa velha, aí alguém quer uma campanha política e faz um estardalhaço para um tombamento besta que não serve de nada. Vão lá tirem umas fotos daquilo e guardem no museu. Outra casa que foi tombada, foi do engenheiro que deu sua contribuição para Campo Grande e agora o que virou???? Nem museu nem nada, virou Uma auto escola.
Abraços.
 
Atequan Dosera em 05/08/2013 19:07:34
Eu acho o seguinte, quer tombar, tombe, mas remunere decentemente o proprietário e faça uma restauração bem feita no local, se for para deixar como está ou deixar o dono a ver navios sem receber nada e ainda sem poder vender se quiser não tomba, derruba de uma vez...
 
MAXIMILIANO RODRIGO ANTONIO NAHAS em 05/08/2013 17:31:21
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