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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

10/09/2013 09:21

Arquitetos buscam passado do Rádio e empresa patrocinará restauração da fachada

Paula Maciulevicius
Da fachada de hoje para a original, a cor é a mesma. No entanto, restauração vai ganhar argamassa dos anos 50 para deixar rústico prédio histórico. (Fotos: Cleber Gellio)Da fachada de hoje para a original, a cor é a mesma. No entanto, restauração vai ganhar argamassa dos anos 50 para deixar rústico prédio histórico. (Fotos: Cleber Gellio)

O projeto não quer só trazer a ideia dos tempos dourados de volta. É colocar no seu devido lugar o branco original que sempre cobriu o salão que sabia, como ninguém, dar uma festa. A surpresa para quem faz a fachada do Rádio Clube Cidade dentro da mostra de arquitetura “Morar mais por menos” foi saber pela própria estrutura, que o prédio sempre foi branco.

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O arquiteto que assina o projeto, Ângelo Arruda, explica que com base na prospecção, trabalho da arquiteta Perla Larsen, que retira da fachada as camadas de tinta, foi possível encontrar a última, encoberta pelas reformas que a estrutura sofreu. As espátulas chegaram a 1942 e revelaram que a cor não mudou com o passar dos anos.

“Já conseguimos identificar, é branca mesmo. Foi alterada a tinta, hoje é um grafiato, mas vamos emassar a fachada com argamassa dos anos 50 para dar um acabamento mais rústico de um prédio que virou a identidade da cidade”. Para a restauração da fachada, a mostra conta com o apoio da Ibratim Tintas, o patrocínio, fechado na última sexta, será para toda pintura e devolver ao Rádio Clube à cara dos anos 40.

A foto, tirada 2 anos depois de inaugurado prédio, mostra numa certa simetria, os janelões, frisos e toldos que o Rádio manteve com os anos. A foto, tirada 2 anos depois de inaugurado prédio, mostra numa certa simetria, os janelões, frisos e toldos que o Rádio manteve com os anos.

Quem passa na frente do clube, pela rua Padre João Crippa, ainda não viu andaimes e nem obras pela calçada. É que todo levantamento de identificação do processo histórico que sofreu a fachada está sendo feito na cabeça e nas mãos dos arquitetos, para então, ser posto em prática os reparos em um prédio de 70 anos.

“Não é um projeto de restauração completa, é parcial, porque tiveram muitas alterações. O jardim e o portão foram mudados com o tempo. Isso que a gente vê hoje é da reforma de 1996”, explica Ângelo.

Pela foto, tirada cerca de dois anos depois de o prédio ser inaugurado, em 1943, mostra que as mudanças não afetaram drasticamente o que os olhos de hoje veem. As janelas e aberturas da fachada foram alteradas, no entanto os ‘vãos’ que as guardavam continuam no mesmo lugar, em forma de arcos compondo cinco aberturas e uma certa simetria entre os dois lados.

Em estilo neocolonial, com o passar dos anos o prédio foi ampliado, cada hora para um lado. Primeiro a parte direita com o restaurante e a construção do bar, do outro, a criação da choperia do Rádio, chegando até a boate, que hoje está ao centro do Rádio.

Na fachada original, a arquitetura era mais simples, com uma mureta branca, os degraus compondo uma pequena escada e canos para onde a água pudesse correr. Em frente, uma vegetação simples encerrava o projeto. As duas arredondadas janelas, que permanecem até hoje, tinham um toldo que era puxado para driblar o sol. No contorno, peças de mármore davam o acabamento do neocolonialismo.

Desde a inauguração até hoje, os frisos e detalhes em azulejo azul continuam. Desde a inauguração até hoje, os frisos e detalhes em azulejo azul continuam.
Assim como o que parece uma chaminé. Miudezas que revelam estilo neocolonial. Assim como o que parece uma chaminé. Miudezas que revelam estilo neocolonial.

O projeto conta com a manutenção de elementos, como os azulejos azuis que 70 anos depois continuam à mostra e o que parece uma chaminé. Os frisos, no contorno do telhado, também continuam em cena.

“Esses frisos têm duas tonalidades, um parecido com saibro, como um caramelo claro e um pink suave”, reforça Ângelo. Com a identificação das cores, os arquitetos vão colorir os detalhes conforme o que apontou a prospecção.

“Minha intenção é que a gente consiga obter uma leitura mais ou menos completa de um clube que marcou seu tempo. Eu propus que a fachada frontal toda, inclusive restaurante e bistrô, ganhe a mesma tinta, acabamento e textura”, explica o arquiteto.

Na prática, o branco pode tomar conta da fachada que de uns anos para cá se viu resumida apenas à entrada do clube. Evidenciando as construções que vieram depois, como a ampliação do restaurante, choperia e boate.

Inspirado no livro “Nas Ondas do Rádio”, que marcou os 70 anos do clube, a fachada que destoa do conjunto, correspondente à choperia, vai ganhar um painel como cobertura da estrutura metálica. “Para o evento a gente vai bolar um painel com uma imagem significativa do Rádio, possivelmente um baile, um registro de um grande dia de festa”, explica o arquiteto Ângelo.

Arquiteto do projeto, Ângelo Arruda balança a cabeça ao dizer que sempre trabalha com o que o leva para trás. (Foto: Marcos Ermínio)Arquiteto do projeto, Ângelo Arruda balança a cabeça ao dizer que sempre trabalha com o que o leva para trás. (Foto: Marcos Ermínio)

Os tempos de ouro do Rádio Clube marcaram décadas da cidade. Há quem se atreva a dizer, e com toda razão, que em partes a história dele se confunde com os capítulos do livro de 114 anos da Cidade Morena.

“Ele foi perdendo espaço na sociedade que o criou porque a tecnologia foi criando outros argumentos. O Rádio se manteve pelos esportes, pelas aulas, pela dança e congraçamento dos sócios, mas aquele clube era da cidade, ele cumpriu um papel perante a sociedade que se confunde um pouco com a história de Campo Grande”, avalia Ângelo.

Depois da constatação, ele mesmo balança a cabeça dizendo que sempre trabalha com coisas que o jogam para trás.

O arquiteto, junto da administração da mostra deve solicitar à prefeitura o uso da praça da calçada da praça do Rádio, na rua Padre João Crippa, onde hoje estão concretos redondos, para exposições de arte e cultura.

E para dar as boas-vindas a quem viveu os bailes, bingos e carnavais do Rádio Clube, durante a mostra um tapete vermelho será posto na rua. Os visitantes param, descem do carro e desfilam pelo tapete até as portas que receberam as melhores festas da cidade.

“Pensa uma senhora de 70 anos que namorava o marido nas festas do Rádio, descendo do carro e passando pelo tapete? A intenção da restauração é trazer de volta esse processo”, resume.

“Essa memória da cidade, ela não tem a ver com os sócios do rádio. Eles têm seus privilégios, mas a cidade ficou órfã deste espaço”, finaliza. E pela Arquitetura a melhor época do clube toma forma de novo.




Caro amigo Ângelo, como vai?
Aqui vai um pouco da história do Rádio Clube, quando aqui cheguei em 1981, para trabalhar na agência ArteTraço de meu primo Marcos, me deram uma foto antiga onde tinha 50% de uma marca em alto relêvo na fachada do Rádio Clube, e assim eu desenhei (finalizei) a traço este que é o logo atual do Rádio Clube. Você sabia disso??????
Abraços

Fernando Marson
 
Fernando Marson em 10/11/2013 11:36:13
O Radio Clube cidade sempre foi um clube muito bonito mesmo, difícil ver em outras cidades um clube com uma arquitetura tão bem feita e bonita, é uma pena que o clube está a cada ano ficando mais vazio, apesar da diretoria manter sempre arrumado e tal, faltam sócios, eles deviam deixar o clube um pouco mais acessível, não digo para popularizar um clube que já foi de elite, mas deixar a classe média ter condições de participar, ou ele vai minguar, rico não quer mais ir em clube, deviam fazer campeonatos esportivos como havia antes, era uma época de ouro do clube, campeonato de sinuca, pebolim, pingue pongue, não só futebol, a natação do Radio era sempre a melhor do estado, hoje não se vê mais nada.....
 
MAXIMILIANO RODRIGO ANTONIO NAHAS em 10/09/2013 16:21:02
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