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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

21/08/2014 06:41

Árvore repleta de orquídeas é o sucesso de casa no Monte Castelo

Aline Araújo
Dona Guia zela por suas flores (Foto: Marcelo Calazans)Dona Guia zela por suas flores (Foto: Marcelo Calazans)

A mangueira em frente à casa amarela, no bairro Monte Castelo, chama atenção pelas incontáveis orquídeas cultivadas por mais de 11 anos. São de uma beleza inquestionável, mas têm dona: Guia Maria Antônia Ferreira, de 65 anos.

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A flor, por coincidência, é da espécie Cattleya Nobilior, considerada símbolo de Campo Grande por lei municipal desde o último dia 15. Mas bem antes disso, já faziam muita gente parar.

“As pessoas param para ver, tirar foto. Esses tempos, veio até um moço de São Paulo, disse que era especialista em orquídeas e queria levar umas fotos para os amigos. Falou que ninguém ia acreditar que era natural, saiu daqui encantado com as minhas flores” lembra Guia.

A ex-funcionária pública, há um mês assumiu a vida de aposentada. Ela mora no bairro há 40 anos e garante que quando mudou para ali  tudo era “um matagal só”. Acompanhou o desenvolvimento da região, sem perder uma das principais companheiras: a mangueira que hoje sustenta as flores, árvore plantada por ela mesma em 1977.

Guia cuidou de cultivar cada árvore e cada flor do quintal da casa que até ganhou da vizinhança o apelido de "chacrinha", pela quantidade de plantas no terreno. Entre as árvores, dá para encontrar pé de limão, de acerola, de caqui, de pitanga, de amora e até de maçã. 

 

Árvore recebe quem chega. (Foto: Marcelo Calazans)Árvore recebe quem chega. (Foto: Marcelo Calazans)

Para chegar ao resultado visual de hoje, as orquídeas foram amarradas muda por muda e a natureza tratou de fazer o resto. A aposentada só lamenta o fato de algumas pessoas “roubarem” as flores.

“Sei que é feio falar que roubaram, mas é roubo mesmo, não tem outro nome. Se as pessoas pedissem, eu até tiraria uma muda de um lugar que não prejudicasse. Mas não, eles preferem roubar. E eu tenho um ciúmes mas minhas orquídeas...” conta a senhora simpática e bem sistemática com as suas coisas. Também pudera, de 30 anos para cá, a vida ganhou cor graças ao cultivo das flores e apresentações no Coral de Servidores do Estado há mais de 10 anos.

“As flores são uma terapia para mim. Eu cuido, converso com elas e isso me acalma, não dá trabalho nenhum. Assim como cantar que faz um bem danado” relata.

Ela garante que o quintal hoje tomado pela grama alta, mas mesmo assim com muito encanto, já foi bem mais bonito. "Vixe menina, você tinha que ver antes! Tudo aqui era cheio de flores, mas eu me divorciei depois de 30 anos e isso desestrutura a gente, e acabei desgostando de muita coisa, deixando tudo de lado. Traição, você pode saber que quando um casamento acaba de repente é por isso e a gente da uma desanimada. Mas agora eu estou bem”, diz apesar dos tombos da vida.

Com dois filhos e quatro netos, também fazem companhia as três cadelinhas (Pit, Pretinha e Pichula) e a gata Mimi, que montam guarda na frente da casa para avisar e proteger a dona.

"Agora, quero ver se abro um negócio para mim, algo ligado a comida, talvez bolos que eu sempre gostei de fazer” planeja.

Dona Guia construiu ao longo dos anos uma típica casa de vó, um lugar aconchegante com um quintal grande e cheio de frutas para os netos brincarem, umas flores lindas em que eles adoram tirar foto e um carinho de quem dedicou a vida para fazer e cuidar de quem ama.

 




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