A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

08/07/2015 07:23

Cadeira feita de botões e 'cacarecos' da avó é quem recepciona em ateliê de foto

Paula Maciulevicius
Coberta de lã e dos pertences da avó paterna, no mobiliário está o carinho de Ana Carolina para dona Chinita. (Foto: Fernando Antunes)Coberta de lã e dos pertences da avó paterna, no mobiliário está o carinho de Ana Carolina para dona Chinita. (Foto: Fernando Antunes)

O charme da parede de tijolinho à vista divide os olhares com uma cadeira colorida e cheia de "cacarecos". Logo na entrada, do lado esquerdo do ateliê, quem recepciona os clientes e amigos é ela. Coberta de lã e dos pertences da avó paterna, no mobiliário está a homenagem de uma neta à uma avó. De Ana Carolina para Petrona, dona Chinita.

Veja Mais
Traços da nossa arquitetura, desde o “Gabinete Téchnico de Desenho" na Calógeras
Casa de madeira mantém as lembranças de 92 anos de dona Nazira na 14 de Julho

A porta de ferro, daquelas de armazém, te leva a um passado. Pelos cantos do espaço, além do nostálgico piso vermelho, vasinhos de plantas dão vida à decoração. No teto, luminárias soltas em pendentes ainda sem lâmpada demonstram que o lugar, talvez assim como a dona, nunca esteja pronto. Sempre tem algo a acrescentar, a mexer, a criar.

"Eu e uma amiga que me ajudou a colocar a lã. Nós que fizemos a cadeira", conta a neta e dona do Atelliê Photography, Ana Carolina da Fonseca, de 29 anos. Dona Chinita morreu tem um mês e meio, de velhice, e 15 dias depois lá estavam suas memórias na cadeira.

Neta Ana Carolina foi quem fez cadeira, em homenagem à avó. (Foto: Fernando Antunes)Neta Ana Carolina foi quem fez cadeira, em homenagem à avó. (Foto: Fernando Antunes)

"Ela guardava todos esses cacarecos em caixas. Fiz como uma homenagem, e claro, coloquei fotos deles. Dela e do meu avô. O que sobra, se transforma", descreve a fotógrafa Ana Carolina.

Numa outra ocasião em que estive no ateliê, a primeira coisa a ser apresentada foi a cadeira da avó. Ali estava a tamanha importância dela para a neta. Petrônia Ferreira da Fonseca morreu faltando pouquinhos dias para completar 88. Ana Carolina e a prima Mariana, moravam com ela.

"Eu sempre fiquei de olho na caixinha, mas nunca peguei nada porque ela não gostava. Quando ela se foi, a primeira coisa que eu fiz foi pegar. O que eu sinto? Aí estão as lembranças de tudo, né?" diz Ana.

A prima e sócia no ateliê nos ajuda a enumerar os cacarecos: botão, pedaço de terço, de pulseira de relógio, broche, brinco, chave. "Ela não gostava de jogar nada fora", completa Mariana da Fonseca, de 32 anos.

Ateliê ao invés de estúdio? Para criar e montar a arte da fotografia, responde a dona. (Foto: Fernando Antunes)Ateliê ao invés de estúdio? Para criar e montar a arte da fotografia, responde a dona. (Foto: Fernando Antunes)

A cadeira está erguida por um deck de pallets, para realmente ser o destaque do ateliê. "E eu acho que ficou uma graça, a gente eterniza o momento, a lembrança..." Assim como na fotografia, concordo com Ana.

Aberto há seis meses, o lugar leva o nome de ateliê ao invés de estúdio por uma questão de criação. "Ateliê é lugar de criar, de montar, de fazer o que eu quiser. É tudo pela fotografia, é uma arte", explica a fotógrafa.

O lugar, que antes funcionava como um espaço de beleza, no bairro Monte Líbano, só ganhou pintura. Por dentro, de branco, por fora, azul turquesa.

"Queria abrir um espaço para eu trabalhar o meu olhar, receber amigos, clientes, para eu ver na pessoa o que ela ainda não enxerga nela. Aqui eu brinco, ouço músicas, busco referências..." As palavras se misturam a voz suava de Thiago Iorc, trilha sonora de toda entrevista.

As poltronas que acomodam quem chega também era de dona Petrona. Só ganharam estofado de patchwork e uma reforma para deixá-la mais quadrada. Pergunto se dona Chinita, como era conhecida, foi criativa assim em vida. Costureira foi a resposta da neta. Então, imagino que sim.

Mais que uma decoração, a cadeira trouxe para o espaço referências. "Você traz o que tem de melhor na sua vida, que é a sua família. E eu falo isso, olha não sou uma pessoa fofa, eu só demonstro minha fofurice pelas coisas que eu faço".

Entre os cacarecos estão botões, brincos, broches e as fotos de avó e avô. (Foto: Fernando Antunes)Entre os cacarecos estão botões, brincos, broches e as fotos de avó e avô. (Foto: Fernando Antunes)
Neta Mariana mostra foto da avó Chinita, feita por Ana Carolina. (Foto: Fernando Antunes)Neta Mariana mostra foto da avó Chinita, feita por Ana Carolina. (Foto: Fernando Antunes)



Lindo gesto Ana Carolina!! Seria Muto bom se todos valorizassem as lembranças deixadas por seus antepassados com tanto carinho como você! Parabéns pela iniciativa. Sua "vózinha" merece. Sucesso com seu Ateliê. beijos
 
Pauline em 29/07/2015 09:57:03
imagem transparente

Compartilhe

Classificados


Copyright © 2016 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.