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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

22/01/2014 06:56

Da fábrica de colchão de capim à borracharia, esquina de 70 anos é histórica

Paula Maciulevicius
De mão em mão, borracharia tem 40 anos na mesma esquina. Avenida Mato Grosso com a 13 de Junho. (Fotos: Cleber Gellio)De mão em mão, borracharia tem 40 anos na mesma esquina. Avenida Mato Grosso com a 13 de Junho. (Fotos: Cleber Gellio)

São 70 anos de história numa só esquina. Onde terminava a rua e dos lados só havia fazendas, é essa a primeira imagem que ‘seo’ Florenço Pereira Guedes, de 70 anos, tem do lugar. Nascido ali, na avenida Mato Grosso com a rua 13 de Junho, o cruzamento abrigou por anos a fábrica de colchão de capim da família até se tornar a borracharia, que hoje é uma das mais antigas da cidade, com 40 anos.

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O nome que leva, poucos sabem, “Baiana”, é em homenagem as origens. O Pereira Guedes pai chegou aqui em 1939, da Bahia.

A estrutura é a mesma há quatro décadas, com a origem no galpão de madeira à lateral, onde funcionava a fábrica que até hoje tem a placa. “Está ali o nome, Baiana Colchão de Capim. Era do meu pai, depois fui eu”, narra Florenço. As marcas do tempo sumiram com as letras. O nome continua, mas só é lido pela memória de quem nasceu e a vida todo morou ali.

 

A origem da esquina está na lateral, o galpão de madeira onde funcionava a fábrica de colchões.A origem da esquina está na lateral, o galpão de madeira onde funcionava a fábrica de colchões.

A borracharia foi parar nas mãos do dono da esquina há duas décadas, quando a fábrica fechou. Passou desde o início até a metade da existência sendo arrendada. “Era do Camilo, um japonês, eu que arrumei pra ele, aí passaram vários donos e depois ficou na minha mão”.

Da costura e da entrega dos colchões, para o manuseio dos pneus, seo Florenço parece ter nascido com a veia borracheira. “Mas você aprende de tudo na vida, não é mulher?”, ele responde quando pergunto se, de fato, sabia ser borracheiro.

Na região, só resta ela de cinco que existiam no mesmo pedaço. “Foi vendendo tudo, os terrenos, acabou que ficou só eu”. Durante este tempo todo de troca e extração de pregos, bisturis e até tampa traseira de Kombi dos pneus, ele só mexeu na cobertura para ampliar e no ano passado, quando uma das árvores quase centenárias despencou no comércio.

A chuva trouxe talvez o empurrãozinho que faltava e hoje ele diz que vai “modernizar” a borracharia até o final do ano. Começando pelo galpão da fábrica que deve virar um salão para alugar. “Mas os amigos não querem que eu derrube. Esse ano vou deixar ela moderna, porque tem vindo muita chuvarada. Vou calçar, fazer banheiro, mas deixa para o tempo seco”, descreve.

Funcionário Carlos e o dono Florenço. Ele brinca que o amigo só está à espera da morte dele, para herdar a borracharia. Funcionário Carlos e o dono Florenço. Ele brinca que o amigo só está à espera da morte dele, para herdar a borracharia.

Aos domingos, os mesmos amigos que não querem ver as madeiras da extinta fábrica ao chão, se reúnem para tomar mate na borracharia. São homens já experientes, onde Florenço de 70 anos é o mais novo. “É tudo 80, 85, 86 anos” responde rindo.

Das borracharias da região, a Baiana é a remanescente que não deve deixar o posto de uma das mais antigas da cidade, visto que, não interessa a oferta, o dono não vende a esquina. “Rapaz, é inegociável, isso é da família Pereira Guedes e já tem dono, minha filha, se ela morrer, vem outro, meu irmão e assim vai ficando. É invendável”, destaca.

Florenço tem um ajudante, a quem não lhe atribui a função de funcionário. “É meu amigo e o próximo herdeiro da borracharia, ele está só esperando que eu morra para ficar com ele”, diz aos risos. Carlos Antônio da Silva, de 46 anos, passou os últimos 16 ali, na borracharia e confirma, ouviu várias propostas recusadas. “Já mandaram muito dinheiro aqui, mas ele não vende. É herança do pai”, completa.

Dos pregos que tira dos pneus, Carlos diz que cada um tem uma história. Como a tampa da traseira de um Kombi que ele jura ter tirado de um Corolla.

Os responsáveis pela idas de boa parte dos campo-grandenses à borracharia Baiana está afixado como quadro, como obra prima a ser admirada. Há quatro anos, Carlos começou a colocar os pregos em pedaços de isopor e pendurá-los na parede. "Para não jogar, tive essa ideia, de deixar livre os pneus e para que os pregos não voltem para a rua de novo". 

Teoricamente, a borracharia era para funcionar das 7h da manhã às 7h da noite. Mas como todo mundo sabe, Florenço mora ali, nos fundos, em uma casa rosada, no mesmo terreno e não consegue dizer não aos clientes. "Só não atendo quando saio para pescar e tomar minhas pingas. E olha que já teve dia que eu cheguei e em 15 minutos tinham três carros". Resultado da tradição e do carisma que tem a borracharia mais antiga da região. 

Para não voltarem à rua de novo, os pregos que saem dos pneus ficam expostos, nas placas de isopor. Para não voltarem à rua de novo, os pregos que saem dos pneus ficam expostos, nas placas de isopor.



Gostei demais da reportagem. Só não entendi o comentário do Sr. Reginaldo Gomes Yamaciro , quero saber onde estão as mentiras. Me senti uma idiota completa lendo a matéria.
 
Fátima Santos em 22/01/2014 22:19:17
Conheci por demais os Pereira Guedes, pois ainda quando morávamos na fazenda, onde nasci, o meu pai comprava deles os colchões de capim que fabricavam. Quando mudamos da fazenda pra cidade, no ano de 1956, afim de que pudéssemos dar continuidade aos nossos estudos, eu e os meus onze irmãos e irmãs é que conheci pessoalmente todos os Pereira Guedes, o "Picolé", "Loleca" e o "Bita", pois éramos quase vizinhos, a nossa casa ficava na Rua das Garças a duas quadras da esquina da Av. Mato Grosso c/Rua 13 de junho. Até estudei e tive como colega na mesma sala de aula do Colégio Dom Bosco o Florenço Pereira Guedes, o "Loleca".
 
Délcio Vilela em 22/01/2014 22:14:32
Grande Leleco!!! Conheci ele através do meu amigo Dr. Dagoberto, em 1996!!! Figuraça!!! Abraços a ele!!!
 
Rubens Alvarenga em 22/01/2014 21:59:31
Dia desses passei por ali e causou-me péssima impressão esse local sobretudo porque o barracão está caindo e muito entulho observei pelo lado de dentro, não vi graça nenhuma e aliás parece mais uma casa de terror. Excessivo apego desse senhor ao imóvel em questão só demonstra total desconhecimento ao que verdadeiramente importa na presente existência.
 
Marcelo Mendes em 22/01/2014 20:59:59
muito boa a reportagem...bonita historia..gostaria de dar uma opção de reportagem sobre a vida obra e morte de um dos maiores acordeonista do brasil consagrado.ZÉ CORREA.OBRIGADO.
 
antonio conceiçao da silva em 22/01/2014 17:50:28
Quantas lembranças.. La pelos anos 70 período dos antigos bailes do Surian.. Naquela época a gente levava as meninas no escuro da madrugada naquela parede de madeira, e encostava ali para trocar caricias, era o lugar preferido de quem estava dentro no clube e dava uma saidinha com a garota para dar uns amassos rsrsrs. Tenho certeza que muitos se lembram desse lugar por essa situação.

 
murilo Carozo em 22/01/2014 16:34:12
Já estive na borracharia, mas desconhecia o proprietário e nem saibia que é irmão do Gilberto Pereira Guedes, (Radialista), locutor de esportes dos bons... é mesmo, por onde andas o GPG? Tenho 60 anos e morei na José Antonio e frequentava muito o Surian e como já disseram na saída dos bailes, já na madrugada íamos à feira comer espetinhos... saudade!
 
Wilson Luiz Guimarães em 22/01/2014 12:55:46
Gostei muito da matéria, muito nostalgica. Sou nascida em Campo Grande. Amo de paixão minha cidade. Pena que sai dai menina e nunca mais pude voltar a morar de novo neste lugar maravilhoso. Por isso Que o senhor que é borracheiro não quer sair da onde está. Pois foi ali que construiu sua vida. Parabens a ele, que fique por muitos e muitos anos a servir a população.
 
Sonia Maria Camargo Goes em 22/01/2014 11:23:00
Parabéns ao sr. Reginaldo Gomes, que conhece um pouco da história dessas pessoas que contribuiram e ajudaram para o crescimento da nossa bela capital, e ao sr. Sulivan Miranda, isto não é estória, mas sim uma história contada por pessoas que realmente são personagens e fazem parte dela, abços a todos!!
 
waldomiro ajala em 22/01/2014 10:54:30
Caro Sullivan acho que esta enganado. Esse endereço é próximo ao Extra, enfrente ao Surrian, conforme reportagem Mato Grosso com a 13 de JUNHO, ou seja, bem longe de ferroviária e do NOB ( Restaurante maravilhoso, com saborosa comida).
Abraço a todos.
 
Neyde de Oliveira em 22/01/2014 10:17:35
Esse é o meu primo, grande Loleca, lateral direito do 1º de Maio, irmão do inesquecível Picolé, do Bita ( Gilberto Pereira Guedes), da Bojinha e do saudoso Zé Guedes. Contador de "causos", mentiroso de mão cheia, o que fala sentado, nega em pé, e assim vai...
 
Reginaldo Gomes Yamaciro em 22/01/2014 10:03:02
Me lembro perfeitamente,apesar de estar fora de Campo Grande há mais de 30 anos e como disse "seu" Ademar saudades dos bailes no Surian e da feira,amo Campo Grande.
 
geisa santos em 22/01/2014 09:38:58
este local fica perto da ferroviaria obss perto da nob, muito bonito essa estoria
 
sullivan miranda de brito em 22/01/2014 09:12:18
Que linda Matéria !!! a reportagem foi acertada. Apesar de ter morado 15 anos na José Antônio, próximo a borracharia do nosso ilustre entrevistado, confesso que desconhecia essa histtória do seu Antônio.
Que Deus, ilumine nosso querido borracheiro junto a sua família e que continue prestando serviço a nossa sociedade por muiiiito anos.
 
Neyde de Oliveira em 22/01/2014 07:53:36
Sou mais novo que o Florencio, mais convivi com eles, tem o Gilberto Pereira Guedes radialista dos bons, onde será que anda? Nessa esquina tem muita saudades ali esta o Clube Suriam dos grandes bailes, mais acima ficava a Feira do sobá das madrugadas, muitas saudades dos bons tempos passados naquela Campo Grande tranquila. Parabéns pela reportagem valorizando os pioneiros que aqui chegaram. Hoje está fácil morar em Campo Grande.
 
ademar reynoso de faria em 22/01/2014 07:48:23
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