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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

04/09/2016 07:15

Depredada e esquecida, Rotunda é tema de pesquisa que busca a restauração

Naiane Mesquita
Rotunda vista do alto em Campo Grande (Foto: Marcos Ermínio)Rotunda vista do alto em Campo Grande (Foto: Marcos Ermínio)

Cenário queridinho de fotógrafos que buscam um visual trash, abrigo para moradores em situação de rua e patrimônio jogado as traças há muito tempo. A Rotunda de Campo Grande é tombada em três esferas públicas, municipal, estadual e federal, este último em 2009, assim como todo o Complexo Ferroviário da cidade, mas isso não fez diferença na sua história. Continua enfrentando as dificuldades do tempo e, principalmente, da falta de uso.

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Foi pensando na importância do prédio, que é uma das três únicas construções tombadas do gênero no País, que o historiador e arquiteto, João Santos, 29 anos, está desenvolvendo um projeto de restauração completo da Rotunda, levando em consideração seus reais problemas e como solucioná-los. “O que falta atualmente é uma iniciativa privada, pública ou público-privada, que restaure e coloque em uso a Rotunda”, afirma João.

 

Local perdeu as telhas, o que causa umidade (Foto: Marcos Ermínio)Local perdeu as telhas, o que causa umidade (Foto: Marcos Ermínio)
Pichações, sujeira, umidade e cupim estão entre os problemas principais (Foto: Marcos Ermínio)Pichações, sujeira, umidade e cupim estão entre os problemas principais (Foto: Marcos Ermínio)

O projeto faz parte dos estudos de João para o Mestrado Profissional em Conservação e Restauração de Monumentos e Núcleos Históricos, da Universidade Federal da Bahia. Segundo ele, por mais que a Rotunda esteja tombada, não existia um levantamento detalhado como este.

“Como sou de Mato Grosso do Sul precisei delimitar um tema sobre o Estado, então escolhi a Rotunda. Eu sou historiador, já trabalhei no Iphan, então era algo que estava envolvido. Muitos dos projetos de restauros desenvolvidos no mestrado, que existe desde a década 70, são utilizados posteriormente pelas prefeituras e outros órgãos como ponto de partida”, explica João.

 

Situação é considerada grave pelos especialistas, mas recuperável (Foto: Marcos Ermínio)Situação é considerada grave pelos especialistas, mas recuperável (Foto: Marcos Ermínio)
Local está completamente abandonado apesar de ser tombado nas três esferas públicas (Foto: Marcos Ermínio)Local está completamente abandonado apesar de ser tombado nas três esferas públicas (Foto: Marcos Ermínio)

No caso da construção em Campo Grande, o pesquisador aponta como principal problema a falta de uso do espaço, seguida de umidade em todo o prédio, manchas, sujeiras, fechamento de vãos, rachaduras e fissuras, vegetação espontânea, perda da camada de revestimento, elementos que foram retirados, lixos, pichações, cupim, vigas, alvenarias e esquadrias danificadas. “A construção precisa de um uso para manter uma vitalidade. Temos um ditado que diz “casa vazia ruína anuncia”. Um local que não é utilizado está fadado a ruína”, acredita.

Localizada na continuação da rua 14 de Julho, no bairro São Francisco, a Rotunda conta com uma dinâmica cultural interessante no entorno. Feiras, apresentações culturais e até o uso para ensaios fotográficos indicam que talvez o espaço combine perfeitamente com uma programação voltada para o entretenimento. No entanto, João ainda não tem um parecer. “É preciso entender a dinâmica cultural da região, para saber o que seria mais adequado”, frisa.

 

Construção foi erguida em 1943 (Foto: Marcos Ermínio)Construção foi erguida em 1943 (Foto: Marcos Ermínio)

Ao todo o processo para a criação de um projeto de restauração tem três etapas. “A fase de cadastro e levantamento físico do imóvel além de toda a análise histórica e urbanística e de materiais. A segunda é a fase de diagnóstico, que é a análise e mapeamentos de danos que estão afetando o imóvel e as soluções para esses problemas, baseando-se em análises laboratoriais. E a terceira é a elaboração do projeto arquitetônico de restauro em nível executivo com uma proposta de um novo uso que seja compatível com as legislações”, aponta.

João diz que o mais impressiona os pesquisadores do mestrado baiano é a relevância da Rotunda. “As rotundas do Brasil desapareceram. Quando desativaram a ferrovia no Brasil diversos imóveis foram deixados ao desaparecimento. Ao todo só existem três rotundas tombadas em todo o País, a de São João Del Rei, em Minas Gerais, que é completa, ou seja, faz o giro em 360 graus, em Porto Velho, Rondônia da ferrovia Madeira-Mamoré e a de Campo Grande, da Noroeste do Brasil”, indica.

Pichações danificam o os tijolos originais (Foto: Marcos Ermínio)Pichações danificam o os tijolos originais (Foto: Marcos Ermínio)
Por dentro, muita coisa se perdeu no tempo (Foto: Marcos Ermínio)Por dentro, muita coisa se perdeu no tempo (Foto: Marcos Ermínio)

A de Campo Grande não faz o giro completo. A construção foi financiada na época pelo Plano Especial de Obras Públicas e Aparelhamento da Defesa Nacional, programa criado por Getúlio Vargas no regime do Estado Novo em 1939. A obra foi iniciada em 1941 e finalizada em 1943. “Todas essas rotundas são diferentes entre si, no estilo arquitetônico, o que as tornam únicas. Como é um projeto de mestrado, a finalização do trabalho está prevista para 2018. Por enquanto, estou coletando dados que darão subsídio a etapa 2”, acredita.

Além de João, outro arquiteto sul-mato-grossense, Eduardo Melo, faz mestrado na Bahia com um projeto de restauração para o Castelinho de Ponta Porã. A obra no local, no entanto, já está prevista por meio de medida judicial.




Que tal passar o prédio para o SESI explorar como bar e restaurante, com escola para garçons e gastronomia?
Ficaria parecido com o SESI Arsenal, de Cuiabá.
 
Helio Figueiredo em 07/09/2016 15:48:51
Amei saber que existe este pedaço. Um pedacinho de Campão que eu ainda não conheço. Mas, em breve vou aí...
 
Marilene Veiga em 06/09/2016 13:36:19
Um excelente espaço perdido que serveria para diversos fins, inclusive, daria um ótimo salão de eventos, shows ou um Teatro, com um estacionamento fenomenal.
Se o poder publico não faz nada, repasse para a iniciativa privada então. Assim como deveria ser feito com a "rodoviária" do bairro cabreúva.
 
Julio Ramires em 04/09/2016 17:06:31
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