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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

19/11/2012 08:04

Mercearia aos moldes antigos, mas sem fiado

Ângela Kempfer
As prateleiras azuis tem mais de 40 anos. (Fotos: Rodrigo Pazinato)As prateleiras azuis tem mais de 40 anos. (Fotos: Rodrigo Pazinato)

Entrar na Mercearia São José é lembrar do primeiro comércio deste tipo que vi nesta vida. As prateleiras de madeira, o balcão azul... Tudo com mais de 50 anos. Do dono original, o ponto foi passado de portas fechada, do prédio aos móveis.

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O atual proprietário mantém o comércio há cerca de 30 anos, estima, mas não sabe nem de longe há quanto tempo o prédio serve de mercearia no bairro.

De pouca conversa e ar desconfiado, ele diz se chamar Jeremias. Aos 63 anos, rodeado por prateleiras quase vazias, o senhor de cabeça branca, a espera da aposentadoria, diz não ter interesse em reformar o prédio, bem descascado pela idade.

“Daqui dois anos me aposento e quero vender isso aqui. Não é algo que eu ganhe dinheiro. É uma forma só de ocupar a cabeça, deixar a depressão longe”, explica o senhor que vive da renda de imóveis alugados pela cidade.
Realmente, não há uma variedade de produtos na loja e muita coisa deixou de ser reposta com o passar dos anos.

Garrafões de vinho antes oferecidos à clientela, agora só servem de decoração, vazios.
Há vassouras, álcool, cigarro, algum produto de limpeza e poucos alimentos. Só para “quebrar um galho”, diz o dono.

Sobre o balcão principal, algumas revistas exibem produtos da Avon e Natura. “São coisas da minha mulher”, comenta. Nada de caixa registradora, ou computador. Nem cadernetas para pendurar o valor da compra. “Só vendo à vista, no dinheiro”, justifica.

Os dias começam às 8h e terminam às 18h, com a pausa para o almoço. Clientes são raridade. Mas as paredes ainda têm os desenhos em azul da inauguração. Por isso, o mais interessante mesmo do lugar é o tempo congelado, como se tudo ali ainda estivesse na década de 70, em uma esquina da rua Antônio Mena Gonçalves, na Vila Gomes.

O Lado B agradece qualquer outra informação sobre a história da Mercearia São José.

Os desenhos estão na parede desde a inauguração.Os desenhos estão na parede desde a inauguração.
Na fachada, as paredes descascadas e o nome do comércio na placa de latão.Na fachada, as paredes descascadas e o nome do comércio na placa de latão.



Bolicho do Vovô Geremias!
 
Luiz Gustavo Silva em 20/11/2012 10:37:11
Se ele usa a mercearia como um passatempo para fugir da depressão, é melhor ele já ir pensando no que vai fazer quando se aposentar e se desfazer do negócio !
 
Sidney Santos em 19/11/2012 22:52:53
Nossa!! essa matéria é o resgate do resgate esse Senhor Jeremias deve ser uma pessoa sábia que tem muitas historias bacanas pra contar admiro isso nos dias de hoje. Me lembra quando eu ia com meu irmão comprar equeles doces de "Bolichos" cocada, maria mole, suspiro doce de leite em barrilhas era muito bom. Parabéns ao CGN pela matéria.
 
Iris Viana em 19/11/2012 19:43:48
que legal, eu morava ai perto da mercearia muito 10
 
Alex Andrade em 19/11/2012 17:51:40
Eu conheço este pequeno Grande Homem, pessoa Maravilhosa e coração do tamanho do Mundo
 
Elizabete Valeria Rondon em 19/11/2012 16:43:30
O Sr. Jeremias realmente parou no tempo, ao que parece nem as lâmpadas ele acende.
Acho que os fregueses são os amigos do Sr. Jeremias, que passam por lá para bater um papo, já que as opções de compra são poucas.
Esta matéria nos lembra a época que se comprava arroz, feijão, farinha de mandioca, farinha de trigo, macarrão, e outros produtos á granel.
Tudo era pesado na velha balança, e colocado em saquinhos de papel (não existiam saquinhos de plástico).
E pensando nos produtos á granel, nos lembramos do tradicional "Armazem Troncoso", que foi um dos pioneiros em nossa Capital.
Parabéns ao CGNEWS pela matéria.
 
VALDIR VILLA NOVA em 19/11/2012 13:38:23
achei lindo, melancólico... um espaço assim deveria ser preservado...quem sabe vira moda fazer compra as antigas.
 
yves villarroel em 19/11/2012 12:38:26
Parabens pela materia, sem dúvida esta mercearia nos remete ao passado, a minha infância quando ia comprar as pressas a pedido de minha mães algo que faltou para o almoço.
 
Celina Yasuco em 19/11/2012 11:40:47
imagem transparente

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