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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

21/05/2014 06:14

Redonda e no alto, casa da Afonso Pena foi projetada assim a pedido da família

Paula Maciulevicius
Projetada por Jurandir Santana Nogueira, casa circular foi feita a pedido da família Bandeira. (Fotos: Cleber Gellio)Projetada por Jurandir Santana Nogueira, casa circular foi feita a pedido da família Bandeira. (Fotos: Cleber Gellio)

Locadora de automóveis, loja de informática e hoje, revenda de veículos seminovos. Estas foram as três últimas destinações de um dos imóveis de arquitetura mais inovadoras para a época em que foi erguido. Há 37 anos, a Avenida Afonso Pena, na altura do bairro Amambaí, abriga a primeira casa de planta circular da cidade.

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Suspensa do chão por um pilar com escada, o redondo abriga 194 m² onde estão três quartos, sendo uma suíte, cozinha, sala, banheiro social e lavanderia. Uma escada, também circular, é o que leva os olhares curiosos da garagem até o ambiente que um dia foi familiar. Projetada pelo arquiteto Jurandir Santana Nogueira, a casa circular foi um pedido da família Bandeira a um dos pioneiros na arquitetura do Estado. Inédito, tanto para a época, quanto agora.

A estrutura que chama atenção tem como base de sustentação o pilar do meio, justamente onde se encontra a escada de acesso. O círculo é rodeado por janelas, todas elas com abertura para fora, evidenciando o estilo arquitetônico modernista, tópico da arquitetura praticada pelos arquitetos nos anos 1970, como evidencia o arquiteto Ângelo Arruda. 

O círculo é rodeado por janelas, todas elas com abertura para fora.O círculo é rodeado por janelas, todas elas com abertura para fora.

Inspirada nos mestres do modernismo brasileiro como Vilanova Artigas e Oscar Niemeyer, a arquitetura de Jurandir sempre evidenciou o estilo modernista com amplos espaços e muita modulação. Onde pode, usou elementos curvilíneos, argumento para quebrar a monotonia dos espaços.

Há dois anos, o ponto despertou atenção do empresário Joabe da Silva, de 29 anos. Ele quem destinou o imóvel para ser uma revenda de automóveis. “Aqui chama atenção. Todo mundo passa e desperta curiosidade. Enquanto eu estava reformando, as pessoas paravam e pediam para subir e ver”, conta.

O redondo, por ora, não é ocupado e deve passar por reforma ainda este ano. Os carros de luxo que estão à venda ficam apenas no pátio. Os planos são de revitalizar e modernizar a estrutura, mas sem descaracterizar a forma circular.

“Vamos valorizar a construção. Pretendo fazer uma área de confraternização”, comenta. Por fora, o telhado sai para dar vez a uma terraço e uma espécie de área de lazer ao ar livre.

Dono do imóvel hoje, empresário diz que nova reforma vai valorizar forma circular.Dono do imóvel hoje, empresário diz que nova reforma vai valorizar forma circular.

Pelo imóvel, comprado por ele logo que o primeiro ano de contrato de aluguel venceu, ele diz que já recebeu até oferta de troca. “Falaram se eu não queria trocar por um ponto na Ernesto Geisel com a Mato Grosso, quero não”, responde.

A oportunidade do imóvel lhe surgiu quando descia pela Afonso Pena, logo depois de ter deixado de dividir um aluguel na avenida Bandeiras, tradicional via de compra e venda de veículos. “Tinha a placa de aluga-se e eu liguei. O que facilitou para mim foi o ponto, que é estratégico pelo nível de carro que eu mexo”, observa.

Volta e meia a forma circular vira brincadeira entre clientes amigos. “Às vezes falam nave, disco voador. Me perguntam você usa? Como é que é? Chama atenção”, resume Joabe.

Como um dos primeiros arquitetos a abrir escritório de profissional liberal por aqui, Jurandir, segundo o professor Ângelo Arruda no livro Pioneiros da Arquitetura e da Construção em Campo Grande, lidou com a dificuldade em se fazer entender sobre o papel da profissão. “A sociedade achava que o arquiteto era só para fazer fachadas”, relata. Há mais de três décadas a arquitetura redonda da casa da Afonso Pena prova o contrário.




Muito bonita esta historia, e saber que meu pai hoje com quase 70 anos Sr. Argemiro Vieira Correa Leite , foi quem fez a escada redonda , na epoca ele trabalhava como carpinteiro e pegou essa obra pra fazer porque na epoca nao achava ninguem que conseguisse fazer,ele conhecia o Engenheiro e o mesmo pediu para ele fazer . Muito bom saber que ele faz parte desta historia, tem outras obras que ele conta que fez e fico sempre imaginando a dificuldade que ele tinha, uma pessoa que sempre trabalhou na roça e aprendeu tudo sozinho. Gostaria que ele recebesse tambem uma homenagem por isso, dia 01.06.2014 ele faz 69 anos.
 
Geni Correa dos Santos em 21/05/2014 09:31:20
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