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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

11/09/2013 07:08

Tendência na cidade é montar boteco ou empório, começando pela arquitetura

Ângela Kempfer
Boteco começa pelo nome do restaurante na Rua da Paz. (Foto: Cleber Gellio)Boteco começa pelo nome do restaurante na Rua da Paz. (Foto: Cleber Gellio)

Antigamente, um boteco para ser chamado assim, tinha de ter um dono de cabelo engordurado, sempre do lado de lá do balcão de fórmica de pintura arranhada, atrás de grandes vidros de salsichas, tudo emoldurado por um monte de engradados de cerveja. Eram tempos de copo americano, camisetas de times nas paredes e um vira-latas, ou dois, parados na porta do estabelecimento.

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É claro que os botecos tradicionais ainda existem pela periferia de Campo Grande, não com todas, mas com muitas dessas características. Mas as versões moderninhas não tem nada de parecido, apesar do aconchego.

Hoje, a maioria dos negócios abertos em Campo Grande busca a marca do boteco como estilo. Alguns começando até pelo nome. Os empórios, antigas mercearias do tempo do epa, também são moda, porque resgatam uma atmosfera que por anos se perdeu em construções sem muita bossa.

Pela cidade, há muitos desses exemplos. O restaurante, a antiga cantiga, a casa de produtos árabes, o bar em região nobre... Quase todos, utilizam na fachada e no interior os mesmos elementos, o que virou padrão de projeto arquitetônico nesse tipo de ambiente.

As lojas de materiais de construção vendem a rodo, por exemplo, tijolos de demolição, são milheiros depois de milheiros do revestimento, um pedido recorrente de arquitetos que têm como objetivo transformar o empreendimento do cliente em um lugar com cara de tradicional.

Mil tijolinhos desses, do tamanho grande, custam aqui na cidade cerca de R$ 1.9 mil, do médio o valor cai para R$ 1.8 mil e do pequeno é R$ 1.3 mil. Com 26 peças do maior tijolo é possível cobrir um metro, o médio cobre o mesmo espaço com 36 peças e o pequeno cobre o metro com 42 peças.

Outro detalhe que não pode faltar é o ladrilho hidráulico, para dar um colorido peculiar e, ao mesmo tempo, deixar claro que aquele ponto valoriza o artesanal, o clássico.

No Empório Mansur, o quadro negro na fachada é outro elemento dos velhos tempos, mas repaginado. (Foto: Cleber Gellio)No Empório Mansur, o "quadro negro" na fachada é outro elemento dos velhos tempos, mas repaginado. (Foto: Cleber Gellio)

No Empório Mansur, na rua Antôno Maria Coelho, os quadros negros das velhas mercearias ganharam uma versão moderna, pintados na fachada, para servir de anúncio das promoções do dia e das novidades. A plaquinha com o nome da loja também é algo que integra a lista de pontos a serem contemplados pelo arquiteto para garantir a atmosfera antiga. São sempre cópias do que se fazia antigamente, fórmula repetida na casa Mansur.

Na pizzaria São Paulo, na rua José Antônio, o grande portão de ferro é o que dá o clima dos velhos tempos, cumprindo assim mais um dos pontos do que parece ser regra hoje na arquitetura local sobre como construir um estabelecimento com cara de boteco ou empório.

Do outro lado da cidade, a leitura é mais moderninha. Há noventa dias, Julyann abriu o Boteco da Gula, na Rua da Paz. Para a arquiteta Julliane Brum, ele pediu um prédio que fosse suave, com aspectos rústicos e modernos ao mesmo tempo

A fachada teve suma importância, é claro, para de cara mostrar a proposta do lugar. "Reflete um ambiente descontraído, moderno e aconchegante", avalia Julyann.

A feliz escolha da casa é a placa de metal na entrada, com um recorte rococó, que emoldura a logomarca, em uma cor chamativa que é como a alma do prédio. Uma peça que parece complicada de executar, mas que foi desenhada por uma empresa pequena de Campo Grande, de amigos do proprietário.

A arquiteta Juliane lembra que não inventou a roda, apenas seguiu o que já é certo em projetos do tipo. "Usamos elementos que fazem do lugar um local aconchegante, como o os tijolos e a madeira", explica. Na iluminação, algo indispensável são as luminárias pendentes, aos moldes passados, lembra.

Na fachada, um grande pergolado garante um clima fresquinho e também resolve um problema de legislação que não permite cadeiras na rua. As mesas do boteco moderno hoje não ficam mais na calçada. No Boteco da Gula, a solução foi construir um deck, para evitar problemas com a prefeitura, mas garantir a vista da rua.

Mas hoje, não há sinais do rádio de pilha no boteco moderno, só grandes televisores espalhados pelo ambiente, para a transmissão, principalmente, dos jogos de futebol.

Cantinho São Paulo tem um portão que também remete ao aconchego das antigas. (Foto: João Garrigó)Cantinho São Paulo tem um portão que também remete ao aconchego das antigas. (Foto: João Garrigó)



Adorei a matéria. Depois de montar o bateco é preciso atenção para administrar. Controle é o segredo, controle o estoque, saiba tudo que entra e sai do estoque, faça um cardápio que venda; para isso é preciso planejá-lo; sem falar do primordial o financeiro, controle a receita e despesa diariamente. Um site que me ajudou muito com matérias específicas para a parte administrativa de restaurantes e bares foi o http://www.gestaoderestaurantes.com.br/. Sucesso para todos.
 
Brenda Moreira em 04/12/2013 14:26:29
Tava demorando para CG ter esses ambientes mais intimistas. Bares grandes, muito luxuosos e visualmente estrondosos estão em baixa... Ah que saudade daqueles botecos de azulejos azuis! :)
 
JESSICA MACHADO em 13/09/2013 10:02:21
Eu acho que boteco tinha que ser boteco, se é chique não é digno de utilizar o nome, salve os velhos botecos, se não tem mesa de sinuca, pebolim ou salsicha de vidro, não é boteco, me desculpe.
 
MAXIMILIANO RODRIGO ANTONIO NAHAS em 11/09/2013 13:07:19
Investir em uma boa arquitetura é um cuidado que o empresário tem não apenas com os clientes , mas sim consigo mesmo!
Aliar FUNCIONALIDADE, ACESSIBILIDADE, SUSTENTABILIDADE E ESTÉTICA é fundamental.
Um ambiente bem planejado, com espaços bem distribuídos, e a estética requintada, sem dúvidas atraem os olhos dos novos clientes ao novo local, sendo um convite à conhecer novos lugares e contribuir para que eles permaneçam abertos por bastante tempo, um problema que vem abalando bastante os novos empreendimentos em Campo Grande!
 
Jéssica Morais Ferreira em 11/09/2013 12:33:09
Há também o atelier 103, na praça aquidauana, que anda lotando. Bares menores onde o pessoal fica em pé, ou em sofás, ou "até" nas tradicionais mesas, são bem melhores. Geralmente o próprio dono fica cuidando de tudo pessoalmente.
 
Alexandre da Rosa em 11/09/2013 09:28:20
Adorei a descrição dos botecos antigos, um panorama muito peculiar das periferias e saudosista. Meu descontentamento está na forma como o conceito arquitetônico de criação desses espaços foi abordado, me pareceu que seu criadores são meros repetidores e copiadores de fórmulas prontas. Cada projeto é único, para compor uma releitura, além de pesquisa e criatividade é preciso refletir o anseio e o desejo do empreendedor. A demanda regula o mercado, como é o caso, além dos bares, da crescente onda de espaços para comidas orientais.
 
Ely Quevedo em 11/09/2013 08:03:11
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