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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

29/03/2012 17:23

Arquitetura da Calógeras começa a mudar, com demolição de 9 prédios

Ângela Kempfer e Marta Ferreira
Demolição ocorreu hoje de manhã. (Fotos: Marlon Ganassim)Demolição ocorreu hoje de manhã. (Fotos: Marlon Ganassim)

Depois de décadas naquele cenário entre as ruas Antonio Maria Coelho e a Maracaju, nove prédios comerciais da Calógeras viraram entulho na manhã de hoje.

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Os imóveis foram demolidos pela Prefeitura em trecho do centro antigo, para as obras da Orla Ferroviária, espaço para onde devem ser transferidos os “dogueiros” que ficavam na avenida Afonso Pena e hoje estão no prédio da antiga rodoviária. Uma mudança drástica na arquitetura daquele ponto da cidade.

Por 38 anos trabalhando em uma das sapatarias tradicionais da Calógeras, Iteler Silveira Leite fez a mudança no final da tarde de ontem para o outro lado da rua. Do prédio pequeno, agora alugado, ele passou o dia assistindo ao fim do comércio aberto por ele em 1974. “Minha história virou aquilo ali”, mostra as paredes quebradas, recolhidas pela pá-carregadeira.

Os nove imóveis foram derrubados em uma manhã. No início da tarde, Iteler ainda não tinha ideia do que fazer da vida. “Acho que vou ficar um tempo aqui, mas depois não sei. Participei das reuniões com a Prefeitura sobre a desapropriação, mas nunca aceitamos isso. A gente queria outro destino para isso aqui”, comenta.

Pela rua, também tentando entender como a Calógeras vai ficar, a ambulante Tereza Brites para e comenta. “Achava que tinham é de aproveitar esses predinhos. Pintar bem colorido e transformar em bar, lojinha de artesanato. Mas agora já era, né”.

A demolição ocorreu com autorização judicial. A Prefeitura, que move processo de desapropriação da área, depositou em juízo R$ 350 mil, para poder ter a posse, assegurada em decisão da Justiça.

Iteler teve de mudar para o outro lado da rua e observa o caminhão, ao fundo, recolher o entulho.Iteler teve de mudar para o outro lado da rua e observa o caminhão, ao fundo, recolher o entulho.

A Orla Ferroviária, já em execução, tem investimento previsto de R$ 3,9 milhões e é visto pela prefeitura como estratégia de valorização do espaço público e de transformação do trecho em pólo cultural da cidade, como propõe o Plano de Revitalização do Centro.

A demolição de hoje parou na loja do seu Waldemar, a casa de produtos para fazenda, criada há 50 anos. O filho, Odimar, diz estar tranquilo porque o imóvel “está completamente regularizado”. “A prefeitura vai só refazer a calçada e a gente vai ter de revitalizar a fachada para se adaptar ao projeto”, explica.

Na porta da loja, como faz há anos, Erotildes Andrade Vieira, conhecido como Abacaxi, dá “graças a Deus”. O comércio é o ponto de encontro dos amigos, conta o peão de 64 anos. “Sempre andei por comitiva por aí e na hora de voltar para casa é aqui que eu encontrava com os amigos. Agora diminuiu um pouco, mas ainda é aqui que eu encontro o povo para conversar”.

O projeto arquitetônico prevê cerca de 900 metros de novo uso do espaço do leito da ferrovia no trecho da Avenida Afonso Pena, a partir da Morada dos Baís, até a Avenida Mato Grosso com a construção de um calçadão com piso tátil, equipamentos de lazer e descanso, bancos, praça, área para atrações culturais, ciclovia, paisagismo e iluminação.

Para se tornar atrativo para a população, o local deverá contar com bibliotecas, cafés, lanchonetes, bares, floriculturas, lojas de artigos regionais e restaurantes, em prédios a serem levantados.

A calçada na orla terá mosaico português, pórticos, quiosques, bicicletário, painéis com a história das colônias, teatro de arena, playground e aparelhos de ginástica.

Erotildes dá graças a deus que demolição preservou loja do amigo.Erotildes dá "graças a deus" que demolição preservou loja do amigo.



Orla Morena que foi desviada do corrego Bandeira e não tem ciclovia nem mobilidade nenhuma urbana. Investiram muito dinheiro para embelezar e abandonar. Colocar dogueiros sem pagar nada é a terra do ambulante enquanto o comércio pagar impostos abusivos com esta situação.
 
Carlos Simplicio em 30/03/2012 12:02:36
Dentro os meios para conservar a memoria da cidade, o respeito pela arquitetura é um dos mais conhecidos. O mundo inteiro preserva; em Campo Grande o poder público vai criando meios para que a propriedade privada destrua o patrimonio. Agora é o proprio poder público que se manifesta em nome de uma modernidade falsa.
 
Angelo Arruda em 30/03/2012 10:21:01
A cena da demolição em nossa cidade era sempre patrocinada pela iniciativa privada; proprietários que demoliam na calada da noite para se livrar do IPTU e ganhar algum com estacionamento em terreno central. Dessa vez é o Municipio. Com o Programa de Revitalização de Campo Grande em curso, e com os dogueiros pressionando, a demolição " de coisa velha, predio velho" começa. Péssimo para a memoria.
 
Angelo Arruda em 30/03/2012 10:19:29
É triste quando se vê algo que éra história sendo demolido,mas o progresso exige isso,vai ficar mais limpo e bonito,só não entendo porque estavam irregular a tanto tempo? mas tem muitos terrenos da prefeitura que são usados irregular,até com construção dentro, quem sabe serão os próximos a serem retomados.
 
Marinalva de Albuquerque Vilas em 30/03/2012 09:59:49
Transformação e evolução é um processo necessário, dias ou mais dias iria acontecer, tudo isso quem ganha é a população de Campo Grande,ainda bem que existem bons administradores no Governo Estadual e Municipal. Parabens ! Mato Grosso do Sul.
 
Benedicto Elias da Silva em 30/03/2012 09:56:45
Alguem que diz que se perdeu a ARQUITETURA, com certeza tá de brincadeira ou nunca viu uma peça de arquitetura. Os imóveis da calógeras não tem NADA de arquitetura. guardar VELHARIAS só porque são velhas é besteira. A casa da esquina calógeras/barão; a casa sede da NOB tem porque serem preservadas, o resto são velharias, não patrimonio cultural.
 
MAURICIO ERNICA em 30/03/2012 09:53:50
Na verdade desses comerciantes que tem seu comercio na calogeras, sao poucos os que sao dono do Imovel, a maioria aluga, e os proprietarios nao vendem, nao doam, e tambem nao reforman, eles so querem e ganhar, por isso nossa Cidade nao cresce no Centro, sao casas com mais de 70/80 anos, e estao todas podres, sem contar com a aparencia de cidade morta.
 
Antonio Garcia em 30/03/2012 09:44:00
O projeto parece bom. Mas quanto as demolições, sem querer criticar, mas esses comerciantes desapropriados depois de tantos anos tocando um comércio em pleno centro da cidade, permanecerem em situação irregular? O lugar estava feio mesmo, ninguém se mobilizou para melhorar, é bom que a prefetura tome conta.
 
Janaina Vieira em 30/03/2012 08:30:37
Apesar de apagar parte da historia da cidce morena temos que concordar que o progresso e sempre bem vindo vale lembrar que os predios encontravam em pessimas condiçoes alguns ofereciam riscos a população e estavam se tornando esconderijo de vandalos e esconderijo de usuario de drogas a unica maneira de evitar tudo isto teria sido que os proprietarios tivessem feito a manutenção dos mesmos .
 
ada maria ruiz em 30/03/2012 06:01:13
Dó de prédios velhos??? financeiramente e devidamente compensados aos proprietários, tem que vir obras novas e que permitam embelezar nossa cidade.

Parabéns á quem está á frente disso.


* Quem gosta de prédios velhos em nossa cidade, me respondam, O Antigo "Cine Acapulco" da 26 é Bonito???
 
Antonio Marques Lucas em 29/03/2012 11:16:41
Pra quem não se lembra, esse local era conhecido como boca do lixo, cujos proprietários nunca se preocuparam em mudar a imagem e a fama do lugar, repleto de bebados e drogados. parabéns para a prefeitura que está preservando e melhorando a imagem da região onde está localizada a saudosa estação ferroviária e o imponente Hotel Gaspar.
 
Eduardo Hernandez em 29/03/2012 09:09:47
ah, pois, e quiosques com a cultura das colonias....ha?? ai ja nao sei tambem...num ja tem a feira janonesa a todo vapor??? e o salao da ferroviaria? e perfeitamente utilizado ou so pra capoeira e salao de arte pouquissimo divulgado ou valorizado? Sem o debate fica dificil...
 
Sonia Bacha SB em 29/03/2012 07:26:57
Eu ja passei por isto de perto e acho muito horrivel a demolicao para cponstrucao de vias em casas, onde, pessoas moram ou trabalham. Sem debate fica dificl saber das especificidades. Agora o apelo estetico e comercial do artesanato,/camelodromo que ja tem fundacoes e pracas especializadas, ou de pelorinhos ja nao me convence...+ facebook
 
Sonia Bacha SB em 29/03/2012 07:18:31
Ficamos tristes pela demolição da História, mas sabemos que irá melhorar e revitalizar o centro da cidade. A História serve para dignificar um povo e não para impedir o seu avanço. Em Mato Grosso do Sul existem grandes Historiadores, que saberão resgatar e manter viva a lembrança dessa área comercial da Cidade Morena.
 
Gustavo Ribeiro Capibaribe em 29/03/2012 05:47:13
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