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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

18/05/2012 14:39

Fachadas "novas" contrastam com estrutura em ruínas na Vila dos Ferroviários

Elverson Cardozo
56 casas da Vila Ferroviária, em Campo Grande, receberam fachada nova. (Foto: Minamar Júnior)56 casas da Vila Ferroviária, em Campo Grande, receberam fachada "nova". (Foto: Minamar Júnior)

A matéria bem que poderia começar diferente, falando, talvez, dos tons pastéis e da felicidade na Vila dos Ferroviários, em Campo Grande, com o fim do projeto de revitalização das fachadas das casas, tombadas como patrimônio histórico da cidade. Mas entre os moradores, a proposta não atingiu nem a metade das pretensões de quem vive no lugar.

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“Só maquiagem”. É com essas palavras que Benedita Inocente Macedo, de 52 anos, resume, sem pestanejar, a “arte final” do trabalho realizado na rua onde mora. Mesmo sabendo que o projeto “Tudo de Cor”, da Coral Tinta, em parceria com a prefeitura de Campo Grande, era apenas para pintar a fachada dos imóveis, a dona de casa não esconde a decepção e cobra mais.

Benedita argumenta que o trabalho foi suficiente para “enganar” visitantes. Mas o verdadeiro problema continua e fica do lado de dentro. A casa onde mora há 2 anos está com a estrutura comprometida.

A janela de madeira que guarda a história da antiga vila de ferroviários, está caindo aos pedaços. “E a gente não pode trocar”, conta a moradora. O muro é da época em que o trilho ainda cortava a região. O forro, de madeira, falta pouco para despencar.

Apesar da isenção de IPTU para quem vive no local, justamente como incentivo para que os proprietários invistam na recuperação da estrutura, os moradores querem o apoio da prefeitura.

Moradora diz que não pode retirar janela que está caindo aos pedaços. (Foto: Minamar Júnior)Moradora diz que não pode retirar janela que está caindo aos pedaços. (Foto: Minamar Júnior)
Moradora mostra placa que identificada imóvel como patrimônio histórico da cidade. (Foto: Minamar Júnior)Moradora mostra placa que identificada imóvel como patrimônio histórico da cidade. (Foto: Minamar Júnior)

Goteiras, rachaduras e pontos de infiltração é o que não falta. “Quando chove molha mais lá dentro do que fora”, diz. Nos fundos, há um muro que, de tão velho, deixa a moradora com medo.

“Já que é patrimônio histórico deveriam passar uma verba para as pessoas fazer reforma. Eles querem que fique do mesmo jeito”, afirma. “Como vou preservar uma coisa se desaba em cima de mim?”, questiona.

Quem também não estava nem um pouco satisfeito era Antonio de Andrade. O motorista que mora na vila há 16 anos, trabalhou na ferrovia por duas décadas. Hoje, horas depois da inauguração, questionava a finalização dos trabalhos.

Diz que o trabalho foi “incompleto” e que o portão da casa onde mora não recebeu pintura. Além disso, reclama que a prefeitura deveria revitalizar a rua de paralelepípedos. Por esse e outros motivos, nem fez questão de acompanhar a inauguração. “Eles nunca passaram por aqui”, disse, se referindo à presença de políticos.

Aposentado José Ferreira disse que o trabalho foi satisfatório. (Foto: Minamar Júnior)Aposentado José Ferreira disse que o trabalho foi satisfatório. (Foto: Minamar Júnior)

Já o aposentado José Ferreira da Silva, de 59 anos, acredita que o trabalho, pela proposta, foi satisfatório, mas gostaria que a rua onde mora fosse arrumada. Seu José não deixaria a Vila dos Ferroviários, porque o local “representa uma vida”. De dentro de casa lembra o tempo em que trabalhava como agente de estação.

Manutenção - A assessoria de imprensa da prefeitura de Campo Grande informou que a manutenção interna das casas é de responsabilidade dos proprietários. A obrigação do órgão é apenas em manter a fachada original dos imóveis.

Por esse motivo, não é permitido a retirada das janelas originais. Por meio da assessoria, o prefeito Nelson Trad Filho (PMDB) informou que a rua deverá ser recuperada, assim como as calçadas, ainda este ano, mas não foi definido um prazo.

Inauguração - Tombadas como patrimônio histórico na rua Doutor Ferreira, as obras de revitalização de 56 casas da Vila Ferroviária, em Campo Grande, foram entregues nesta sexta-feira (18), às 9h.

Os imóveis foram construídos em meados dos anos 30, período em que a via férrea era o principal meio de transporte. No local residiam funcionários da NOB (Noroeste do Brasil).




É lamentável. É sempre assim. Quando se estende a mão querem o braço. Nosso cidadão só sabe pedir e nada oferecer.
Que bom seria, se pudesse morar numa casa tombada pelo patrimônio histórico. Na certeza ajudaria a mante-la em condições de habitabilidade.
 
jose luiz kreutz em 19/05/2012 11:58:45
prefeito faz a desapropiação da vila, retire o povo de lá, já que insenção do imposto é pouco para eles, realize no local alguma fundação.eu e minha família tivemos que correr atrás de tudo, onde morar e pagar nossos impostos .........
 
isabel nantes braz em 19/05/2012 08:56:47
é ano de política é sempre a mesma coisa.....
brincadeira né.....

me admira a surpresa de muitos....
 
marcel dos santos nobre em 19/05/2012 01:13:07
Enfim.... A iniciativa da PMCG e da CORAL foram muito boas, o que faltou efetivamente foi uma fiscalização de todos os órgãos envolvidos, pois o trabalho em algumas casas não fora concluido, deixando a desejar. Maculando, assim a imagem de ambas.
 
Rogério Lopes em 18/05/2012 10:51:03
Miriam, completanto o seu raciocínio poderia-se criar uma linha de crédito, com juros ëspeciais¨, financiadosmpelo BNDES para custear essas reformas e, os moradores posteriormente - aqueles que aderissem - pagariam suas dívidas com longas prestações como foi ofertado pela RFFSA.
 
Rogério Lopes em 18/05/2012 10:44:42
Falar é muito fácil... o Dificil é encontrar profissionais capacitados para fazerem as janelas como as originais, não se tem o preparo das madeiras, elas não ¨secam¨ mais no tempo certo e com isso os trabalhos, de madeiramento, ficam empenados, tortos, como na casa de muitas pessoas por aí.
 
Rogério Lopes em 18/05/2012 10:41:55
Um monza abandonado a mais de 6 anos nesta rua Doutor Ferreira, sofrendo com a ação do tempo, acho que também faz parte do patrimônio...Acho que existe uma lei pra isso não AGETRAN?!
 
Antônio Carvalho em 18/05/2012 07:40:47
Outro ponto negativo é o abandono pela Prefeitura da rua de paralelepípedos, em Corumbá da gosto de passear, a rua esta sofrida com a ação do tempo, ao passear por ela toda irregular o turista corre o risco de se acidentar ou torcer um pé.
Ah, cuidado: pela manhã é possível encontrar os cachorros dos moradores soltos defecando, olhem bem aonde pisam pois nem se preocupam.

 
Antônio Carvalho em 18/05/2012 07:38:40
O projeto foi bem "nas coxas", pintura bem mal executada, pela metade em varias residências (portões, janelas incompletas, apenas primeira mão em algumas).
As cores usadas na rua são bem apagadas e não aguentarão a ação do tempo, infelizmente por imposição do IPHAN que restringiu e só dificultou na escolha de cores alegres (diferente do que ocorre em outras localidades do País)
 
Antônio Carvalho em 18/05/2012 07:33:52
O que pesa mais, a isenção do IPTU ou os custos de manutenção em dia? Pelo jeito como está não funciona: os moradores, mesmo usufruindo isenção de imposto, não querem gastar dinheiro com o imovel. A prefeitura poderia fazer o seguinte: cobra IPTU, mas cada reforma interna, documentado com fotos e com despesas comprovadas, sera paga pela prefeitura.
 
Marcos da Silva em 18/05/2012 05:05:05
Quer reforma completa da casa? Escreve pro Luciano Huck!
 
Leticia Mello em 18/05/2012 04:49:03
Pobres de ânimo e não somente de dinheiro, desperta....
 
Genésio Almirante em 18/05/2012 04:11:41
Acho que os pontos mais importantes já foram comentados. As casas foram construidas com dinheiro público, portanto quem mora lá, por muito tempo nem aluguel pagou. Já tem isenção de IPTU, que seria para a recuperação, porque se acha no direito de reclamar da parte interna?... Será que os proprietarios não entendem que permanecerem no imóvel foi opçãso deles, e portanto o cuidado é por sua conta...
 
Deise Mineiro em 18/05/2012 03:59:44
Prefeitura, eu moro perto da orla morena que está linda. Mas minha casa já está meio caída, não combina. Poderia ajudar na reforma???
Fala sério!!! É uma piada!!
 
Francisca Mesquita em 18/05/2012 03:54:34
Quanto ao senhor que reclamou do portão, é justo. Da revitalização da rua de paralelepípedos, acho justo também. Isso está certo, o exterior tem mesmo de ser valorizado. E entendo a revolta do mesmo.
 
Mirian Fernandes em 18/05/2012 03:44:19
Se mora lá há dois anos, deveria saber das condições e restrições antes de se mudar e PROVAVELMENTE a isenção de IPTU foi um atrativo. Na hora do bônus, as pessoas querem tudo. Na hora de seguirem as regras, é a eterna choradeira. Enquanto isso não mudar e os cidadãos não aprenderem a assumir suas responsabilidades, ficará difícil até mesmo cobrar de político isso. Mais fácil culpar o próximo.
 
Mirian Fernandes em 18/05/2012 03:40:26
Não é dever da Prefeitura fazer a manutenção interna das casas, isso é dever dos proprietários. O melhor mesmo era desapropriar para acabar com as dores de cabeça e transforar a areá em um Centro Cultura aproveitando cada casa de uma forma diferente.
 
Paulo Massuda em 18/05/2012 03:38:46
Que tal os moradores se reunirem e cobrarem da prefeitura uma lista de profissionais de restauração e projetos (com preço + acessível) p/ reforma INTERIOR de suas casas, COMPRANDO materiais e PAGANDO os serviços devidos ? As telhas desse modelo são raras, então seria bom ter ajuda técnica para levantar esses materiais e PAGAR por eles. Do MEU bolso, por favor, não é justo.
 
Mirian Fernandes em 18/05/2012 03:37:36
Olha, entendo a situação, mas de fato é querer demais que a manutenção interna do imóvel fique por conta do bolso de todos.A fachada, OK. Agora verba para reforma INTERNA, além da isenção de IPTU é demais. Ter uma casa envolve responsabilidades e uma delas é a manutenção do espaço. Brasileiro é um povo que quer tudo na hora do bônus, mas na hora do ônus, chora.
 
Jussara Lopes em 18/05/2012 03:21:50
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