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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

06/12/2011 10:53

Hotéis no Centro: do cuidado com a preservação à decadência

Ângela Kempfer
Centrais telefônicas antigas, amontoadas em prédio do Hotel Anache.Centrais telefônicas antigas, amontoadas em prédio do Hotel Anache.

Quando Campo Grande nem sequer tinha uma rodoviária, alguns hotéis ainda hoje no Centro da cidade já funcionavam na região da estação ferroviária, para receber quem chegava de trem.

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Décadas depois, um dos principais pontos de hospedagem é quase ruína na rua 14 de Julho. O Hotel Americano, na esquina com a rua Cândido Mariano, tem na fachada a oferta: “aluga-se”. Mas também há a opção “vende-se”.

O prédio vermelho desbotado, de 1939, até 2006 ainda recebia hóspedes, mas a decadência tornou inviável a manutenção, conta o empresário Leandro Luis, que havia arrendado o local. “Não quero ficar como o cara que enterrou o Americano”, adverte ele em entrevista ao Lado B.

Leandro prefere não falar muito sobre o hotel, exemplo da art déco, projetado por Frederico Urlass, com 35 quartos. Só diz que o prédio estava muito “judiado” e os proprietários não tinham interesse em recuperar as instalações, por isso o rompimento do contrato.

Na mesma época, o empresário arrendou outros dois hotéis no Centro de Campo Grande - o Hotel União, na Calógeras, e o Hotel Anache, na Cândido Mariano.

Os dois ainda funcionam e exibem mobiliário dos anos de auge, hoje sem qualquer glamour. Ressabiado, o dono não permite imagens dos quartos ou de outra dependência que não seja a portaria.

No Anache, 3 centrais telefônicas antigas, inclusive a do Americano, são indicativos da idade dos hotéis, da década de 50. “Mas não sei quantos anos eles tem não”, diz Leandro.

Ele espera o projeto de revitalização do Centro vingar, para retirar das fachadas dos hotéis as grandes placas que escondem a originalidade dos prédios. “Sempre quis tirar, mas os vizinhos não querem, então não posso mudar porque senão vou ficar apagado”, justifica.

Apesar de se render à modernidade, com mudanças estruturais e adaptações aos tempos modernos, como internet e TV a cabo, eles, pelo menos, ainda estão em pé com cerca de 20 leitos cada um e diárias que variam de 39 a 44 reais. Contemporâneo, o imponente Hotel Campo Grande, criado pela família Coelho, fechou do dia para a noite e hoje é objeto de briga judicial. As linhas retas da fachada eram, na época, o must da arquitetura no País, bancada com a riqueza vinda da produção rural. Hoje, só o térreo é ocupado, com uma loja de produtos populares.

Outros hotéis históricos de Campo Grande, como o Democrata, de 1912, o Hotel Globo, o Colombo e o Rio Hotel, da década de 30, já foram demolidos. Não deixaram vestígios.

Cris e as lembranças do avô e da avó, na escadaria preservada do Hotel Gaspar.Cris e as lembranças do avô e da avó, na escadaria preservada do Hotel Gaspar.
Portas e móveis da época da inauguração.Portas e móveis da época da inauguração.
Grades originais na sacada e vista de Campo Grande. Grades originais na sacada e vista de Campo Grande.

Bom exemplo - Uma exceção é o Hotel Gaspar. Na esquina da Calógeras com a avenida Mato Grosso, a neta do fundador Antônio Gaspar exibe o prédio com orgulho de quem dá valor à história. “Preservo tudo que posso”, conta Cris Gaspar Melim. Mas alguma coisa mudou.

Onde hoje é a lavanderia do Gaspar, na década de 50 chegou a funcionar o guichê de embarque de ônibus intermunicipais e interestaduais. O prédio também ganhou um andar extra nos anos 70, para mais apartamentos.

Já as portas de madeira, os lustres, as grades em sacadas e o mesmo piso de ladrilho hidráulico do dia da inauguração, no dia 26 de Agosto de 1954, estão intactos. Ao longo dos 57 anos, o hotel ganhou carpete, que foi retirado pela atual administração.

Nos quartos, os móveis são preservados, de madeira de verdade, sem o compensado da rede hoteleira moderna. O segredo é a manutenção constante, a limpeza exemplar, características do hotel que também trata os hóspedes como se fossem da família.

Também arrendado durante mais de 10 anos, o prédio voltou as mãos da terceira geração, em 1998. “Por sorte não mexeram na estrutura”.

Com o retorno, seria mais fácil modernizar, diz a neta, “porque a manutenção não é fácil”, mas as mostras de carinho com a história do Gaspar fortalecem a vontade de preservar.

“Já teve limusine parando aqui na porta com noiva para tirar fotos. Sempre somos procurados porque em Campo Grande não há muitos prédios preservados”.

Art déco abandonada no Hotel Americano.Art déco abandonada no Hotel Americano.



Quiem nw se lembra do Hotel Gaspar,Panificadora Espanhola,As casas dos Engenheiros da Antiga NOB..As filas de charretes esperando o desembarque dos passageiros..epoca muito boa.O Hotel Gaspar sempre ali firme e forte,Parabens Cris Gaspar,saudaes da capital morena.
 
Roberta Goto em 12/02/2012 02:07:59
Meu pai, quando veio de São Paulo, na década de 40, se deparou com o imponente Hotel gaspar. Ao lado da estação, e com uma concorrida fila de charretes, taxis dá época. Se hospedou lá e depois iria para Ponta Porã. Acabou perdendo o trem e nunca mais foi pra fronteira. Ficou por aqui e hoje conto um pouco do que ele me dizia da época . . . parabéns pela manutenção e resgate da cultura local
 
Julio cesar Almada Pires em 29/12/2011 06:17:15
Gosto de tomar café da manhã no Hotel Gaspar, além de ser farto e gostoso tem um clima de anos 60.
Parabens à administração e aos excelentes funcionários.

 
Domicio Junior em 08/12/2011 10:51:02
gostei da reportagem sobre os hoteis sempre que vou a campo grande fico no hotel anache que tem um otimo ponto de localizaçao perto de tudo no centro as principais lojas da cidade e as instalaçoes sao muito boas e o serviço de quarto tambem e otimo
 
mauro luis em 07/12/2011 12:18:00
povo que não ´conhece sua historia não valoriza a cultura, é como boi no pasto , come hoje para morrer amanhã.
 
alexandre fontoura em 07/12/2011 11:33:47
Aquele Super Nintendo ali emcima da Central Telefônica me fez recordar da minha infância! Jogar Super Mário World era um vício!
 
Douglas Vasques em 07/12/2011 10:10:29
Parabéns a Cris Gaspar pela dedicação em manter vivo esse patrimônio histórico de Campo Grande! E sou totalmente concordante com o comentário do Sr. Antonio Costa.
 
Antonio Carlos Azuaga em 07/12/2011 10:08:39
Que bom saber q/ ainda existem pessoas com inteligência como a Cris q/ aparece na reportagem. Pelo q/pude ver o hotel Gaspar está sendo muito bem conservado, é uma beleza única e histórica. Ainda existe luz no fim do túnel p/ cultura em C.Grande.
 
Romildo Fagundes em 07/12/2011 09:49:37
Olá cris que bom poder dizer eu me hospedei no hotel gaspar ;este patrimônio vivo e pude ouvir um pouco desta historia ;parabéns a toda familía parabéns a todos vocês
aquele abraço
Silvia (mãe do Thiago)
 
Silvia peixoto em 07/12/2011 09:47:14
Parabéns ao campograndenews pelo tema retratado. A conservação e preservação destes imóveis é de grande importância para a história de nossa capital. O Hotel Gaspar vivenciou os grandes momentos políticos e culturais de nossa cidade. Qtos ilustres passaram por ali. Felinto Muller e tantos outros. Por outro lado me dói ao ver aquelas centrais telefônicas esquecidas no chão. O lugar delas é no museu
 
Juvenal Coelho Ribeiro em 07/12/2011 09:43:23
Parabéns ao jornal, fico feliz em ver tal matéria pois me faz lembrar de meu avô que na decada de 60 se hospedava neste hotel, morei nos anos 80 em CG na Maracaju ao lado do hotel Rio Negro, quase na esquina com a Calógeras, bons tempos, frequentei muito o clube Cruzeiro aí bem perto do Hotel Gaspar...sucesso aos novos propietários.
 
DORVAL FRETE em 07/12/2011 08:51:22
Parabens a familia Gaspar, o hotel fez parte da minha infancia e adolescencia, quando viajava de Dourados a Campo Grande (uma aventura), para tratamento medico, o destino era sempre o Gaspar, tive a honra de conhecer seus avós Cris, e já adolescente relembro os bons papos que tinha com ele e com os viajantes na esquina em frente ao hotel, vendo o trem passar,Saudades! Muitas! Isso a 50 anos só!
 
Azael Pompeu em 07/12/2011 04:15:15
Hotel Fenícia na rua Calógeras fechou e virou loja. As estruturas e locais da Cidade Morena são mutáveis e em constante crescimento. Preservar o Centro Antigo tem seu preço alto. Urbanizar sem critérios é pior ainda. Temos em cuidar o abandono de hotel, pois na Rodoviária de São Paulo e entorno da região da LUZ as ruas tornam-se comerciais e evitar a cracolândia avance para a área central à noite
 
Cleide Albuquerque em 07/12/2011 01:24:42
Tenho muitas lembranças de CG da minha adolescencia,Radio do Padre(Educação Rural) rua y juca pirama com "paralelepipedos",colonhão na praça do radio,obelisco,Monte Libano éra so mato,Gameleira éra tão longe! é muito bom relembrar, volta-se a época de criança,Parabens Campo Grande News.e a Familia Gaspar.
 
Teresa Moura em 06/12/2011 12:53:59
cidades como Paris na França e Londres na inglaterra provaram que é possivel manter conservados antigos hotéis fazendo deles tradição dos primórdios da cidade.que tal assim como existe um onibus de city tour na cidade,houvesse uns ônibus que saissem de locais estratégicos como aeroporto e rodoviária em direção nas ruas onde fica estes hotéis bem centrais localizados no centro?
 
antonio costa em 06/12/2011 11:20:44
corcordo plenamente com o comentário do Antonio Costa aqui na europa é comum manter a tradição com requinte e conforto,parabéns a Cris Gaspar pelo respeito não só a história da familia como ao passado de campo grande.
 
regiane yasmim em 06/12/2011 09:36:41
Ir a Campo Grande e não ficar no Hotel Gaspar, compara-se a um não estar na Cidade Morena. Neta simpaticamente linda, Hóspedes permanentes como o iluminado Marcão e suas confabulações que tanto nos completa, faz obliterar-se de nossa mente a saudade da cidade que saimos. O Gaspar, é "Nossa casa, em Campo Grande". Felicito ao jornal que deu oportunidade das coisas simples ficarem em evidência.
 
Franz kafka em 06/12/2011 06:27:23
parabéns à você Cris Gaspar, por conservar o que realmente é belo, mostrando que existe beleza nas antiguidades isso é história.
 
Daniela Bogarim em 06/12/2011 06:26:14
Parabens ao Campo Grande News e à familia Gaspar, que soube conservar seu patrimonio, este hotel é uma jóia, e logo logo voces terão de volta o movimento, hoje em dia está na moda antiguidade, se houver investimento em internet wi fi, frigobar e outras modernidades vai ser moda vir a Campo Grande e se hospedar em hoteis antigos, conservados mas que oferecem tecnologia a seus hospedes, parabens!
 
MAXIMILIANO NAHAS em 06/12/2011 06:13:16
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