A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

01/09/2011 09:13

Ruínas evidenciam desleixo com a história do cinema em Campo Grande

Ângela Kempfer
Fachada do Cine Acapulco, na 26 de Agosto. (Foto João Garrigó)Fachada do Cine Acapulco, na 26 de Agosto. (Foto João Garrigó)

O cadeado novinho é o único sinal de algum cuidado com o prédio do antigo Cine Acapulco, na rua 26 de Agosto, em Campo Grande.

O prédio, danificado por incêndio há 11 anos, não tem destino informado. Não há placa de vende-se, não há obras e os donos não falam sobre o assunto. A prefeitura também desconhece qualquer projeto de tombamento ou recuperação histórica do imóvel.

De todos os cinemas antigos de Campo Grande, o Acapulco é o único que, apesar das ruínas, preserva a arquitetura original do prédio.

Na fachada a placa confirma que ali funcionava a “Empresa Mato Grossense de Cinema”. Pela porta é possível ver vestígios de cartazes de filmes, caixas com entulhos, muitas mesas e poltronas jogadas pelo saguão. No meio, está a escadaria que levava à sala de projeção e lá no fundo mais um ambiente cheio de tijolos e lixo.

A família Lahdo, dona do empreendimento, já tentou vender o imóvel, mas a placa foi retirada do local e agora prefere o silêncio sobre o assunto. Foram os irmãos Elias Lahdo e Abud Lahdo, apaixonados por cinema, que abriram as portas.

Por anos, as poltronas e até as latas com os rolos de filmes antigos ficaram guardadas no prédio já desativado, mas em 2000 houve incêndio e o prédio foi abandonado.

No comércio de roupas usadas, que fica ao lado do prédio em ruínas, uma coincidência traz mais elementos sobre o lugar.

Dona Ivanise Simões conheceu o cinema há quase 40 anos. “Tinha 17 quando vim para Campo Grande trabalhar em uma casa cuidando de idosos e minha única diversão era o Cine Acapulco porque ficava pertinho e o meu pai só deixava sair para ir ao cinema”, conta.

A novidade acabou transformando a rotina da família da vendedora, que morava na zona rural. “Meu pai passou a trazer caminhão lotado, todos os fins de semana, para o povo da fazenda ver filmes aqui na Capital”.

Escadarias davam acesso à sala de projeção.Escadarias davam acesso à sala de projeção.
Ivanise fala sobre os tempos que frequentava o Cine Acapulco, para ver bang-bang.Ivanise fala sobre os tempos que frequentava o Cine Acapulco, para ver bang-bang.

A preferência era pelo bang-bang, o último em cartaz antes do fechamento do cinema. "Era baratinho e sempre ia às 20 horas".

O fim das sessões acabou com o programa semanal. “Fechou e foi uma tristeza, nunca mais fui ao cinema. Só voltei a frequentar outras salas quando meus netos nasceram, mas não tem mais bang-bang. Eu gostava porque sempre terminava em romance”, lamenta a avó de 56 anos.

Ao ver o movimento, o estudante Rogério Biller se aproxima e resolve comentar: “Porque não recuperam e não transformam em um ponto só para falar de cinema?”, questiona.

Aluno do Ensino Médio, ele diz que nunca ouviu falar do Cine Acapulco, nem do Alhambra, também percussor do cinema em Campo Grande, que funcionava na avenida Afonso Pena.

O primeiro registro de projeções em Campo Grande é no ano de 1910, com o Cine Brasil, sessões ao ar livre, no pátio do Hotel Democrata,na Rua 14 de Julho.

Depois veio o Cine Trianon, também na mesma rua e na década de 30 os

cines Alhambra e o Santa Helena, o pioneiro apresentar simultaneamente som e imagem.

Em tempos de Cinemark e apenas o Cine Campo Grande como alternativa, o rapaz comenta que nem imagina como era frequentar uma sala de cinema aparentemente tão pequena, com apenas um ambiente de projeção. “Devia ser como um teatro e um evento social de Campo Grande”.

Dona Ivenise confirma, “era dia de festa”. Para ela, recuperar um prédio histórico seria até mesmo uma redenção para aquele trecho da rua 26 de Agosto. "Ela tem o nome do dia da criação de Campo Grande e é tão feinha, né".

Segundo a autora do Livro Sala de Sopnhos, jornalista Marinete Pinheiro, sobre a historia do cinema em Campo Grande, a cidade chegou a ter 7 salas de projeção na década de 70.

Ruínas evidenciam desleixo com a história do cinema em Campo Grande



Ângela, mais uma vez vc foi perfeita nessa matéria, parabéns!! Tenho um blog e essa semana passando por lá percebi esse descaso do poder publico com a nossa história, disse que faria uma matéria e colocaria no Facebook do Prefeito, que bom que vc antecipou isso. Kd a Fundação de Cultura? Kd os Vereadores, Kd os artista do nosso estado? Ninguém vai fazer nada? Vc fez Ângela, parabéns, aplausos!!!
 
Sidnei Garcia em 01/05/2012 09:23:47
tempos boms aqueles que iamos no cinema não se ouvia falar em violencias assistiamos os filmes, faltava aula para assistir filme para maior de idadecomo o da silvia cristel uma atriz americana, era o maior daquela epoca, como o tempo passa. tempos boms foram aqueles. aassistia no cine acapulco nunca vou esquecer.
 
elisena marcos galache em 02/09/2011 10:09:48
hoje com 62 anos assisti muitos filmes no Rialto na Antonio Maria Coelho nos anos 60, que saudades,
 
Mario Martins em 02/09/2011 08:28:19
Hoje tenho 42 anos, a primeira vez em que fui ao cinema eu tinha 7 anos e o meu pai me levou no acapulco, estava passando o filme do tarzan, foi um show, dali por diante fui em varios cinemas daquela época, assisti o menino da porteira no Santa Helena. É Sr. Prefeito precisamos preservar nossos patrimonios historicos, começando pelos antigos Galpões da noroeste do brasil. Penso eu que talvez nossos vereadores não são nascidos na capital morena "por isso tanta falta de interesse".
 
JOSE ROBERTO DA SILVA RIBEIRO em 02/09/2011 07:31:31
Em Cuiabá foi totalmente reformado o mais antigo cinema da cidade o Cine Teatro Cuiabá, transformando em um belissimo teatro moderno, o cine teatro é tombado pelo estado desde de a década de 80, o predio pertence ao Governdo do Estado que o construiu no final da decada de 30, juntamente com o Grande Hotel Avenida, onde hoje funciona a secretaria de cultura. A reforma foi uma obra muito aguardada pelos cuiabanos que tinham o cinema como identidade cultural da cidade e que ficou abandonado por quase 15 anos.
 
Dyego Pereira em 01/09/2011 11:09:52
Gostei da matéria, pois sempre que passo em frente ao local fico imaginando o porquê do abandono.
 
Noemi A. de Andrade em 01/09/2011 10:44:13
Ao ler esta reportagem ,me deu uma saudade dos tempos dos cinemas,Rialto,Santa Helena,Jalisco,Acapulco,Alhambra quando começou cinemascop,a tela do cinema ficou enorme e foi um sucesso na época, é muito bom relembrar.
 
Teresa Moura em 01/09/2011 10:37:14
prédios iguais a esses, "polui" a imagem do centro de nossa capital, só servem para criadouros de ratos, baratas, mosquitos da dengue... tem que serem DEMOLIDOS!!!
 
antonio marcos teles em 01/09/2011 10:20:07
isso me faz lembrar o antigo cine gloria de aquidauana.
 
roberto dias em 01/09/2011 10:12:18
isso me faz lembrar o saudoso cine gloria de aquidauana que tambem traz muita saudade e neste momento estou ouvindo o som daquela época que tocava atrás da tela antes de começar o filme, musicas orquestrada in the mood de billy vaugnh theme for asummer place.
 
roberto dias em 01/09/2011 10:09:04
Seria interessante se no local fosse feito como disse o jovem da reportagem acima um museu sobre a historia do cinema seria um ganho cultural para nossa sociedade afinal cultura nunca e demais
 
welton gonçalves de moraes em 01/09/2011 09:31:55
Até que enfim alguém falou sobre o Cine Acapulco. Espero que o poder público faça algo de positivo.
 
Marco Tulio Costa - Campo Grande em 01/09/2011 09:28:19
SOU UM APAIXONADO PELA AS HISTORIAS ANTIGAS . PORQUE O PREFEITO NÃO DA UM DECRETO COMO PRATRIMONIO HISTORICO DA CAPITAL . PORQUE SE OS DONOS ESTIVESEM PRECISANDO DO IMOVEL ESTAVA EM BOAS C0NDIÇÕES .....
 
ROBSON HOEFE em 01/09/2011 09:06:00
Que saudades!!
Atualmente estou morando em Bauru-SP, mas tenho saudades daqueles tempos que eu frequentava os Cines Rialto, Santa Helena, Alhambra, Plaza e outros. Nas matinês dominicais a fila para comprar ingressos dobrava a rua 14 de julho, principalmente para assistir TARZAN. Para as sessões da noite comprava ingresso para as 19hs em um cinema e para as 21 hs no outro cinema. Eram pertinho, dava tempo.
 
Pedro Luiz Dias em 01/09/2011 08:52:35
Apesar de nunca ver meus comentários publicados, vou tentar de novo.Foi um crime o que fizeram ao destruir as instalações do Cine Sta Helena, importantíssomo modelo de arquitetura de nossa cidade.Lembro me também do Cine Anache em Corumbá, um dos mais chiques e glamourosos , senão o mais do então Estado de Mato Grosso na década de 70.Hoje nada resta , alias la nem cinema resta...
 
Antonio Quebrado em 01/09/2011 08:02:44
Gastam tanto dinheiro em mostras como a Casa Cor, poderiam usar esses recursos para estes tipos de prédios, que além de manter a arquitetura da época, tem muita história pra contar... Assim toda a população é beneficiada!!
Minha sugestão: Casa Cor 2012 - Recuperação do primeiro cinema de Campo Grande!!
Seria maravilhoso!!
 
larissa kaminski em 01/09/2011 07:05:34
UMA OTIMA MATERIA; QUEM SABE OS CURSOS DE ARQUITETURA E URBANISMO DA CAPITAL APROVEITEM O PONTA PÉ PARA FALAR UM POUCO MAIS DOS PREDIOS HISTORICOS DA NOSSA CIDADE
 
MARCIO COSTA em 01/09/2011 03:29:14
Sempre ouvi minha saudosa vozinha falar dos cinemas daqui de Campo Grande, seria muito gratificante se nossos governantes olhassem mais para a história da nossa terra.
Imaginem as futuras gerações, nem saberão como eram as salas de cinema de seus bisavós.LEMBRANÇAS SÃO HISTÓRIAS!
 
Jessyka Ferro em 01/09/2011 02:37:04
Bons Tempos! Lembro quando assisti "Superman" no final dos anos 70.
Saudade.
 
César Renato em 01/09/2011 01:45:51
precisa haver uma destinação para estes predios abandonados,multar com rigor os proprietários ou faze-los das alguma destinação. o cine acapulco deveria ser tombado e exigido do proprietário rua repaginação é um absurdo.
 
paulo pereira em 01/09/2011 01:43:52
Espero que seja feito alguma coisa para recuperar, através do Cine Acapulco, a história do cinema na nossa cidade. Boas lembranças. O prédio deveria ser tombado.
 
Ana Helen em 01/09/2011 01:24:03
imagem transparente

Compartilhe

Classificados


Copyright © 2016 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.