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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

31/07/2016 07:25

Amigos quebram rotina com violino dentro ônibus e ensinam a conhecer o mundo

Thailla Torres
O som do violão e o violino encantam as pessoas dentro ônibus . (Foto: Marina Pacheco)O som do violão e o violino encantam as pessoas dentro ônibus . (Foto: Marina Pacheco)

Entre uma parada e outra, todo mundo dentro do ônibus não vê a hora de chegar no destino. Enquanto isso, Julian Morales e Juan Manuel Hurtado sobem sem nenhuma timidez com os instrumentos que carregam para ganhar a vida. Em poucos minutos, se posicionam e o som toma conta do coletivo. Tocando Volta da Guirá Campana, com violão e violino, eles ganham o respeito de de quem segue o caminho e alguns trocados para continuar conhecendo o mundo. 

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Julian é colombiano e Juan veio do Peru. Os dois se conheceram há 6 meses, quando Juan tocava nas ruas. Se tornaram amigos e juntos decidiram colocar a mochila nas costas e viajar o mundo. No entanto, estão há alguns dias no Brasil, país que para eles está sempre surpreendendo.

Juan é o mais experiente nas viagens. Formado em Engenharia, há 10 anos largou a profissão e decidiu seguir um novo estilo de vida levando músicas latino americanas para todo lugar. Já visitou Chile, Peru, Bolívia, Paraguai, Colômbia e, finalmente, o Brasil. Não é a primeira vez dele por aqui, mas fez questão de trazer o amigo que até então tinha pouca experiência nas aventuras.

Os dois em dia de som no ônibus.Os dois em dia de som no ônibus.

"Deve ser a minha oitava vez no Brasil. Já viajei metade desse país e por onde a gente passa é uma alegria. E também uma forma diferente de ver a vida e as pessoas.", comenta Juan. 

O projeto vai além de conhecer lugares, como músicos, querem mudar a rotina de quem usa o transporte coletivo."Para a gente, não é apenas o trabalho que satisfaz, é algo humano. A arte e a música reflete nas pessoas e prova que não estamos em um mundo totalmente material e somos um mundo de verdade. E isso é uma forma de se desligar das correntes que fazem a vida ser algo normal. Porque a vida é mais que isso", reflete.

E não é por menos, quando sobem no ônibus diariamente, é sempre uma nova descoberta. O trajeto diário é feito na linha 070 que vai do Terminal Bandeirantes ao General Osório. Até quem estava cansado e desatento acorda para prestar atenção na música. "Quando a gente toca, sinto que levanta uma pequena luz de algum jeito acorda eles, até para nossa viagens. Porque eu vejo que no Brasil as pessoas não tem o costume de sair viajando, é como se o país fosse o limite para todos eles", diz. 

Mas ele admite que nem sempre é fácil. Em  algumas situações teve gente que nem deixou eles tocarem, em outras fazem todo o trajeto, mas não conseguem dinheiro. "Vou te confessar, não é fácil subir e cantar uma canção. É preciso perder a vergonha, medo, tirar uma máscara e colocar outra. Tem dia que a gente chega esgotado", comenta. 

Para eles, os maiores problemas são a língua e conseguir moradia a cada lugar que passam. "As vezes alugamos um lugar ou fazemos amigos, por onde passamos e conseguimos moradia", explica.

Mesmo com oportunidade de trabalhar em outros lugares, é a rua e a música que motiva os dois amigos. "A gente poderia trabalhar na nossa terra, mas acredito que as pessoas são colocadas em um estilo de vida, para mostrar a outras que a vida tem um sentido. Não é apenas adormecer na consciência humana", pontua. 

Para Julian, a maior alegria é conhecer e registrar cada momento. "Estou fazendo uma crônica com uma câmera fotográfica e descobrindo que o Brasil é um lugar incrível. Vamos continuar cantando e se tudo der certo, viajando, não há tempo para parar...", resume. 

Durante uns dos trajetos, a fotógrafa Fernanda Nogueira não conteve a emoção e até fez questão de gravar um vídeo. "Naquele dia eu perdi o ônibus que eu pego todo dia para ir do trabalho à faculdade. E acabei subindo no 070. Quando entrei, ouvi o som do violino e o meu dia mudou completamente, todo o estresse passou na hora e eu fiquei impressionada", descreve. 

Veja um trecho abaixo: 

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