A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

09/07/2013 07:01

Arce Correia deixa Maria Quitéria de lado e estreia peça inédita em SP

Paula Maciulevicius
Da liberdade do significado, ao ser livre para não fazer em cena. Peça dialoga com os dilemas de hoje, mesmo sendo escrita na década de 40. Da liberdade do significado, ao ser livre para não fazer em cena. Peça dialoga com os dilemas de hoje, mesmo sendo escrita na década de 40.
Arce interpreta a dona da pensão onde protagonista vai morar. (Foto: Murilo Basso)Arce interpreta a dona da pensão onde protagonista vai morar. (Foto: Murilo Basso)

Nos palcos da Escola de Arte Dramática da USP, Maria Quitéria deu lugar à senhora Karl. Dona da pensão que abriga Victor Krap, protagonista que encena a não ação, o vazio, o nada. Há dois anos na capital paulista, o sul-mato-grossense, Arce Correia, estreia a peça inédita no País, "Eleutheria", de Samuel Beckett. Não foi só entrar em cena, Arce e mais 17 atores trabalharam na montagem do espetáculo por quatro meses. Entre os trabalhos de Beckett, a apresentação era considerada 'falida' e não havia nem se quer um texto em português para adaptação.

Veja Mais
Em clipe de rock alternativo, casal coloca tudo a perder por mensagem de celular
Poeta Ferreira Gullar morre aos 86 anos devido a problemas respiratórios

Foi pelas mãos da diretora Isabel Teixeira e do elenco, alunos do terceiro ano da EAD (Escola de Arte Dramática), que Eleutheria ganhou vida, ainda que no escuro. A peça, escrita primeiro em francês, passou bom tempo no fundo da gaveta, guardada a sete chaves. Do grego, 'liberdade', o autor se contradisse. Vivo, Samuel Beckett proibiu a publicação ou encenação. Entre uma sinfonia de excessos, a peça é composta por três atos marcados por reviravoltas mais absolutas a cada parte deixada para trás.

Da liberdade do significado, ao ser livre para não fazer em cena. O protagonista da história se constrói pela negação e a peça dialoga com os dilemas de hoje, mesmo sendo escrita na década de 40.

Arce interpreta a dona da pensão onde Victor vai morar. "Ela cria um laço afetivo ao mesmo tempo em que quer que ele pague. É uma peça que trabalha o estranhamento. Eu não estou maquiado, a voz é minha. É muito diferente da Maria Quitéria e de outros espetáculos", salienta o ator.

O distanciamento da trama descreve um rapaz que resolveu sair de casa e entre os dogmas da sociedade, se anular da vida. Com dois palcos, o menor e posicionado acima é giratório, o toque da peça é dado pela iluminação. Bastante pontual, ela flagra e expõe quem está em cena, mesmo quando todos os 18 atores dividem o palco.

Luz, fundamental na peça, flagra e expõe quem está em cena, mesmo quando todos dividem o palco. (Foto: Murilo Basso)Luz, fundamental na peça, flagra e expõe quem está em cena, mesmo quando todos dividem o palco. (Foto: Murilo Basso)

O espetáculo é aberto ao público e está em cartaz no Teatro Laboratório ECA - Sala Alfredo Mesquita, desde o dia 4 de julho. Desde que a liberdade tomou à frente, o elenco tem recebido elogios, válidos para quem enfrentou o desafio de atuar sem nenhuma montagem anterior onde pudessem tomar como base.

"A gente partiu de um texto de pesquisa da Bel Teixeira, que traduziu e trouxe como proposta. Ela surgiu, acatamos a ideia e tocamos a empreitada. Ao mesmo tempo em que é um trabalho colaborativo na sugestão de ideias e construção do material, passa pela peneirada da Bel", explica Arce.

Estudante do terceiro ano na escola e artista premiado, Arce Correia deixou a popularidade de Maria Quitéria para encarar uma versão bem diferente, na senhora Karl. Quem já passou 1h30 falando sem parar as 25 páginas de um texto em tamanho 12 de fonte, se vê forçado a trabalhar muito mais a expressão em Eleutheria. "Menos esforço e mais concentração. Muita ação física e estado de prontidão, mas o processo em si é muito rico", avalia.

Ao lado de Arce estão no elenco: Ana Paula Lopez, André Almeida, Artur Abe, Eduardo Cesar, Fernanda Brito, Chico Guerra, Gabriela Gonçalves, Guilherme Carrasco, Lucas Brandão, Luísa Valente, Murillo Basso, Paulo Vinícius, Renan Ferreira, Rubens Alexandre, Sol Faganello, Victor Mendes, Viviane Almeida.

Nos planos de voltar à Mato Grosso do Sul, Arce não descarta e confirma que foi a São Paulo em busca de estudo e conhecimento e que ainda quer fazer graduação em Artes Cênicas. Até que a eterna Maria Quitéria volte ao Estado, de vez, Arce Correia tem na agenda apresentação no final do mês, com a peça "Apareceu a Margarida", nos dias 25 a 28 de julho, no Teatral Grupo de Risco.

Confira abaixo o teaser de "Eleutheria", que segue em cartaz até dia 21 de julho. 




Tive a honra de assistir a peça em SP no último dia 14.07 na USP e fiquei muito feliz com a qualidade do que foi apresentado e sobretudo pelo desempenho do meu querido amigo Arce Correia! Rouba a cena! Parabéns Arce Correia!!!
 
julian medina em 17/07/2013 17:35:18
Nosso estado nossa capital (morena) e nossa camapua agradece por voce estar nos representando ficamos muito feliz com seu empenho e esforça continua assim brilhando nos palcos.
 
Robson Vieira da Silva em 10/07/2013 07:37:37
Arce parabéns e sucesso nesta nova fase, mas não se esqueça das origens. Campo Grande está com saudades da Maria Quitéria.
 
Jefferson E. Pessoa em 09/07/2013 23:14:31
MEUS PARABÉNS ARCE E QUE SEUS SONHOS CONTINUEM SE REALIZANDO VC MERECE ABRAÇO....
 
ROBSON LIMA em 09/07/2013 15:41:44
imagem transparente

Compartilhe

Classificados


Copyright © 2016 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.