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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

28/01/2016 06:23

Atendendo ao pedido da filha, mãe cria bonecas reais: gorda, negra e tatuada

Paula Maciulevicius
Fernanda e sua coleção de realidades, as bonecas humanas e que a gente encontra por aí. (Foto: Alan Nantes)Fernanda e sua coleção de realidades, as bonecas humanas e que a gente encontra por aí. (Foto: Alan Nantes)

Quando as crianças questionam as coisas mais simples da vida, fazem os adultos enxergarem o mundo com outros olhos. "Por que não tem boneca gorda que nem você?" Indignada, Mariana, de 7 anos, soltou essas palavras para a mãe, Fernanda, que escolheu responder na prática. Criando personagens que fossem a realidade que a filha via em casa e também nas ruas. 

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"Eu pensei, é verdade. Só existe o que? A Barbie grávida, então falei que ia fazer uma que nem a mamãe. Vi que também teria saída se a gente fizesse a titia, a vovó. Comecei a dar formas às bonecas como humanos mesmo, longe dos padrões", descreve a mãe.

Fernanda Cavalheiro Camargo tem 36 anos, é formada em Artes Visuais e resolveu trabalhar o empoderamento com as mãos, através do feltro. As bonecas que ela produz têm culote, bunda e barriga, pode ter seios maiores ou menores, quem sabe ser alta e magra, ou baixinha de perna grossa. Os detalhes que o corpo ganha depois, como tatuagens, também foram acrescentados à brincadeira.

Gordinhas, de biquini ou vestidinho estão entre as opções. (Foto: Alan Nantes)Gordinhas, de biquini ou vestidinho estão entre as opções. (Foto: Alan Nantes)
Boneca negra e a versão mini humana de Fernanda. (Foto: Alan Nantes)Boneca negra e a versão mini humana de Fernanda. (Foto: Alan Nantes)

O que começou como um pedido da filha se tornou negócio: "Tia do feltro". A ideia é trabalhar também a inclusão social e se houver demanda, Fernanda já tem em mente a confecção de bonecas deficientes ou com limitações físicas.

"É empoderar a criança, é mostrar que a beleza não é só o que a sociedade está impondo. A beleza não vem só da Barbie, da princesa, ela também está na mamãe, na avó. Elas também são pessoas bonitas", explica a artesã. A avó de Mariana foi retratada assim, com o pijama preferido, sentada na cadeira de balanço.

Pela costura, Fernanda faz oposição aos padrões. "Você tem que ser desse jeito senão não dá certo? Não é certo? A maioria das crianças ouvem isso dos pais, da escola. A criança que tem uma boneca gorda, negra ou do cabelo diferente, ela está levando a ideia de que também podemos ser bonitas para outras crianças", enxerga.

Foi para ficar mais perto da filha que Fernanda deixou as aulas de Artes na escola, alguns anos atrás. A vontade de trabalhar com feltro sempre existiu, mas ganhou força depois dessa troca. A professora foi então aprender a lidar com o material. Começou por almofada e chaveirinho, até chegar às bonecas realistas.

Fernanda e Fernanda. A partir de fotos, artesã fez ela mesma. (Foto: Alan Nantes)Fernanda e Fernanda. A partir de fotos, artesã fez ela mesma. (Foto: Alan Nantes)

Sua cara - Como caricatura em 3D, Fernanda também faz bonecas a partir de uma foto. Ela fez dela mesma, de óculos, do marido que vive de uniforme e por coincidência se chama "Smile", por isso a carinha amarela e sorridente. São os "mini-humanos", série assinada por Fernanda e que tem sido enviada para todo País.

"Eu já sabia as noções de desenho da faculdade, então só repassei para outro tipo de material. Faço tudo em feltro", explica. As tatuagens são bordadas e os excessos, como de barriga ou seios, são feitos à parte e depois juntados na peça.

Quem pede um auto-retrato, por exemplo, precisa enviar pelo menos duas fotos e passar por uma breve entrevista. Dizer o que gosta, o que faz, como vive. "Assim eu consigo reproduzir a pessoa, colocar na boneca o que ela mais gosta", resume Fernanda.

Os mini-humanos têm saída boa para presentes em datas comemorativas, como Dia dos Namorados e pode ser uma boa troca de lembranças entre os apaixonados. "Eu começo a fazer o desenho e todo processo de criação, vou passando tudo para a pessoa. Os desenhos, as cores, quando faço recorte, eu já mando o desenho", descreve a rotina.

As encomendas podem levar até cinco dias para serem entregues mediante a 50% do pagamento. A produção custa, em média, R$ 50,00. Informações pela página Tia do Feltro.

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Veja abaixo alguns exemplos de trabalhos da Tia do Feltro: 

Do personagem do desenho até a vovó na cadeira de balanço. (Foto: Alan Nantes)Do personagem do desenho até a vovó na cadeira de balanço. (Foto: Alan Nantes)
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