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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

25/04/2015 07:45

Cinquenta anos depois, sambista rei do Carnaval em MS grava o 1º DVD

Elverson Cardozo
José Carlos tem o samba como ofício há 50 anos. (Foto: Reprodução/Youtube)José Carlos tem o samba como ofício há 50 anos. (Foto: Reprodução/Youtube)

“De certo quando eu for embora eles vão colocar esse vídeo para ver [e vão falar]: 'Olha o véio aí'. Quando eu morrer quero samba, cachaça, cerveja e carne. [Vai ter] uma hora pra nego derramar sua falsidade.  Depois o pau come”.

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A fala bem humorada, gravada em vídeo, é de José Carlos, presidente da escola de samba Vila Carvalho, em Campo Grande. Aos 71 anos, ele encarou, pela primeira vez na vida, uma câmera para falar da carreira que já chega a meio século.

A iniciativa partiu do filho caçula, o músico e produtor Wlajones Castro de Carvalho, 35 anos, que residente atualmente em São Paulo. “Eu queria registrar as musicas dele por ser um cara com muita influência e que batalha pelo samba desde que me entendo por gente. Ele não tinha nenhum registro. Com meio século de samba não ter uma gravação é sacanagem”, diz.

O projeto, que recebeu o nome de “Sambas do Zé” inclui um CD com 12 faixas e o DVD que, segundo o filho, não chega a ser um documentário porque é mais “ele falando, contando a própria história”. “Não tem depoimentos de conhecidos. Não entrevistamos pessoas”, explica. Mas tem história. E Zé, sozinho, conta a dele e se apresenta com a segurança de um grande músico, que acumula experiência em vários carnavais.

Zé durante a gravação, relembrando a carreira. Foto: Reprodução/Youtube)Zé durante a gravação, relembrando a carreira. Foto: Reprodução/Youtube)

“Meu nome é José Carlos de Carvalho. Nasci em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, no dia 29 de maio de 1944. […] Comecei cantando rock […] e depois passei a fazer parte da escola de samba Unidos da Vila Carvalho […], aí veio a influência maior para o lado do samba e estou até hoje”, revela.

O DVD, que foi lançado este mês em evento promovido pela agremiação, tem duração aproximada de 60 minutos, é recheado de imagens e, claro, muita música do sambista, que fez e ainda faz história na folia da Capital. A gravação ocorreu em São Paulo, no estúdio de Wlajones.

Foi um momento especial. “Reunimos toda a família: filhos, netos... A última vez que lembro de todo mundo junto eu era criança. Tivemos quatro câmeras trabalhando. Uma rapaz cuidou da direção de vídeo e registramos”, afirma o músico.

José Carlos ficou todo cheio com a homenagem e com razão. “Para mim foi bom. As pessoas que assistiram tem elogiado. Vamos lançar agora em Porto Murtinho, no dia 11 [de maio] e em Corumbá, mas tem que marcar a data”, adianta.

O CD com 12 canções reúne apenas uma pequena parte das composições de autoria dele, que estima ter escrito mais de 200 ao longo de 50 anos. Mas as que entraram são especiais. A oitava, por exemplo, foi uma homenagem ao primeiro neto, hoje com 25 anos.

Eu sempre compus depois que acordo. (Foto: Reprodução/Youtube)"Eu sempre compus depois que acordo". (Foto: Reprodução/Youtube)

“Igual ao brilho da estrela que anunciou o nascimento de Cristo eu vi nascer Tadeu....”, diz um trecho da letra. Entre as preferidas, a terceira, “Desilusão”, que diz assim:

“Eu já vou indo 'simbora', não tenho lágrimas, não sei chorar/ Vou levando esse peso no meu coração que sangrado de magoas de uma desilusão / Desse amor que surgiu como um sopro de mágica/ Me levou, me envolveu, me iludiu e me deixando na solidão / E agora depois de tudo o que fez ela vem chorando suas magoas e me pedindo perdão/”

“Encontro”, a quinta da lista, desperta boas lembranças no sambista, que escreveu: “Venho do lado de lá cantar meu samba para o meu povo se alegrar com pandeiro, cuíca e tamborim/ Muitas mulatas vem sambando para alegrar/ E foi assim que encontrei meu grande amor, cantando samba com carinho e emoção...”

Zé começou a compor com aproximadamente 17 anos e, desde então, nunca mais parou. “Minhas composições vem da mocidade e eu tenho um monte. Gravei uma faixa para uma coletânea de Mato Grosso do Sul, mas esse CD é meu primeiro registro”, comemora.

No documentário, ele fala do processo criativo. "Eu sempre compus depois que acordo. Estou deitado, vem aquela vontade de fazer o samba, a letra. Aí eu faço o que vem na cabeça", conta.

Foram 4 mil tiragens do disco e outras 5 mil do DVD. A intenção é distribuir por aí, entre conhecidos e amigos, mas não fazer do projeto algo comercial. “A ideia não é vender”, diz Wlajones, o filho. Interessados devem procurar a escola pelo número (67) 9270-6330.

Confira, abaixo, um trecho do DVD sobre a história de José Carlos.




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