A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

30/08/2016 07:30

Com 145 ganchos e fita de 500 metros, exposições no Marco abrem hoje

Naiane Mesquita
Elcio mostra a obra que tem 145 ganchos e uma fita de cetim com cerca de 500 metros (Foto: Fernando Antunes)Elcio mostra a obra que tem 145 ganchos e uma fita de cetim com cerca de 500 metros (Foto: Fernando Antunes)

Um emaranhado de fitas de cetim mostram um pouco da história do Marco (Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul). Em cada ponto, dos 145 perfurados pelo artista plástico Elcio Miazaki, 41 anos, existiu uma obra de arte nas exposições anteriores. Na sala que tem de certa forma sua própria trajetória, ele monta a instalação “Espaço reservado para possíveis retornos (ou como rasurar o ar)”.

Veja Mais
Fim de semana tem Naiara Azevedo e contação de histórias
Descobertos na adolescência, Rafa e Ruan mesclam clássicos e pop sertanejo

Porquinhos indo para o ralo na obra de Alexandre Frangioni (Foto: Fernando Antunes)Porquinhos indo para o ralo na obra de Alexandre Frangioni (Foto: Fernando Antunes)

A obra é uma das quatro que integram a Terceira Temporada de Exposições 2016 do Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, que abre hoje, às 19h30, para o público. “Não temos um tema específico, os artistas foram escolhidos dentro de um edital”, afirma a curadora do museu Maísa Barros. Além de Miakazi, o Marco recebe a instação “Moedas”, de Alexandre Frangioni, “Dentro da Mata”, que reúne pinturas em óleo sobre tela de Miguel Penha e “Variáveis de Bancos de Jardim”, que apresenta gravuras de Silvia Ruiz.

Cada exposição busca uma reflexão específica. Miakazi lembra as brincadeiras infantis de ligar o ponto na sua obra, que é montada pela terceira vez em um museu brasileiro. Da capital paulista, o artista plástico também é arquiteto e tem uma relação próxima com a experiência sensorial. Para unir todos os pontos foram precisos quase 500 metros de fita de cetim. “Foi a maior metragem até agora. Normalmente eu usava 300 metros. Já expus em Ribeirão Preto e Blumenau. A ideia é sempre olhar exposições anteriores na sala e colocar os pontos onde estiveram obras”, indica.

O cuiabano Miguel Penha com quadros extremamente  coloridos (Foto: Fernando Antunes)O cuiabano Miguel Penha com quadros extremamente coloridos (Foto: Fernando Antunes)

De longe, a fita pode lembrar muitas coisas. “Tem gente que associa ao luto, mas eu não vejo assim. O preto do cetim faz referência ao lapis que usávamos para fazer a atividade. Além disso eu fiz uma maquete que pode ser tocada por deficientes visuais, que queiram sentir como a sala está montada”, afirma Élcio.

Valor do dinheiro - Nas outras salas estão distribuídos os outros trabalhos, igualmente interessantes. Alexandre Frangioni busca em “Moedas”, uma forma de discutir o uso do dinheiro. Por toda a extensão da sala há miniaturas de cofres de porquinhos, que vão para o ralo, se perdem nas paredes. Os quadros tem uma simbologia interessante com grandes notas de dinheiros antigos da moeda brasileira. A visão do artista não é somente uma posição, é principalmente uma atitude diante das relações entre memória, tempo, dinheiro, valor e a real importância do humano.

Silvia Ruiz apresenta gravuras sobre bancos de praça (Foto: Fernando Antunes)Silvia Ruiz apresenta gravuras sobre bancos de praça (Foto: Fernando Antunes)

Em “Variáveis de Bancos de Jardim”, Silvia Ruiz, também de São Paulo assim como Miakazi e Alexandre, mostra gravuras e xilogravuras de bancos de jardim, feitos a partir de uma chapa de madeira ou metal. A justificativa da obra de Silvia é que em uma sociedade acuada pelo medo do convívio com o outro, passaram a significar o perigo por darem lugar para moradores em condição de rua, para a vadiagem e para os que não fazem nada, simplesmente contemplam a vida.

Por fim, o cuiabano Miguel Penha apresenta os quadros ultra-coloridos “Dentro da Mata”. As produções em telas grandes e óleo sobre tela mostram a beleza de um Brasil colonial, recém-descoberto. A ideia é conduzir o visitante a adentrar na exuberância da selva.

A Terceira Temporada de Exposições 2016 do Museu de Arte Contemporânea estará aberta à visitação de terça a sexta, das 7h30 às 17h30. Sábados, domingos e feriados das 14h às 18 horas. A mostra fica em exposição de 30 de agosto a 30 de outubro. A entrada é franca. Informações e agendamento de visitas guiadas pelo telefone (67) 3326-7449. O Museu de Arte Contemporânea fica na Rua Antônio Maria Coelho, nº 6000, no Parque das Nações Indígenas. 

 

Elcio Miazaki demorou dois dias para ficar pronta (Foto: Fernando Antunes)Elcio Miazaki demorou dois dias para ficar pronta (Foto: Fernando Antunes)



imagem transparente

Compartilhe

Classificados


Copyright © 2016 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.