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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

11/02/2016 13:30

Com cachê atrasado, Delinha é aprovada como embaixadora da cultura

Antonio Marques
Delinha participou da sessão na Câmara Municipal que aprovou projeto autorizando a prefeitura a nomeá-la embaixadora da cultura de Campo Grande (Foto: Marcos Ermínio)Delinha participou da sessão na Câmara Municipal que aprovou projeto autorizando a prefeitura a nomeá-la embaixadora da cultura de Campo Grande (Foto: Marcos Ermínio)

Os vereadores de Campo Grande aprovaram na sessão de hoje projeto que autoriza a Prefeitura Municipal a nomear a cantora Delanira Pereira Gonçalves, a Delinha, embaixadora da Cultura de Capital. Prestes a completar 80 anos em 2016, mais de 70 deles morando na mesma casa no Bairro Amambaí, ela continua realizando shows musicais e enfrentando os mesmos problemas atuais dos outros artistas, atrasos nos pagamentos de suas apresentações.

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Pessoa simples e de uma humildade do tamanho do seu talento, Delinha chegou cedo à Câmara Municipal para acompanhar a votação do projeto, por volta de 8h15min. Como o Plenário ainda estava vazio, ela se dirigiu ao gabinete de um dos autores do projeto, o vereador Vanderlei Cabeludo (PMDB). Já passava das 9h30min quando ela voltou ao Plenário, onde permaneceu até passar das 12 horas, quando os parlamentares aprovaram seu nome para ser representante da cultura campo-grandense.

Durante o período que permaneceu na Câmara, Delinha atendeu aos jornalistas e aos fãs que se aproximavam para fazer fotografias e contar uma história vivida com uma de suas músicas. Pacientemente, a cantora atendeu a todos com sorriso aberto. O único incômodo, visivelmente percebido, foram os longos discursos de alguns vereadores que, empolgados pela homenagem, desrespeitavam o tempo regimental tornando a seção ainda mais demorada.

Antes do projeto ser analisado pelos vereadores, o parlamentar Chiquinho Teles (PSD) usou a tribuna para denunciar o descaso da prefeitura com os artistas locais por parte da Fundac (Fundação Municipal de Cultura), que nos últimos anos não tem valorizado a cultura na Capital. Segundo ele, mais de 80 artistas não receberam os cachês por apresentações realizadas no município, incluindo nesta lista a homenageada, que desde outubro do ano passado não recebeu o pagamento por três shows feitos na Capital.

Delinha preferiu não comentar o assunto, mas uma pessoa próxima a ela confirmou que, realmente, tinham três cachês atrasados para serem recebidos. E o recebimento para fazer a representação nos eventos culturais como embaixadora da cultura de Campo Grande polemizou a votação do projeto.

É que havia uma emenda supressiva, apresentada pelo então vereador Paulo Pedra (PDT), atual secretário de governo do prefeito Alcides Bernal (PP), que retirava o artigo 3º do projeto que prevê a possibilidade de a prefeitura remunerar a embaixadora “na forma que lhe convier”, considerando a relevância do título e dos trabalhos a serem executados.

Por conta desta emenda, os parlamentares polemizaram o debate e o ex-vereador Paulo Pedra foi bastante criticado na Casa. Teve vereador que considerou a medida de Pedra um desserviço para cultura campo-grandense. Ao final do debate, a emenda foi derrubada e o texto original foi mantido. Na sequência, o projeto foi aprovado por unanimidade, incluindo com os votos dos vereadores da base do prefeito.

Questionada se esse título não estava sendo concedido tarde demais, Delinha disse que nem esperava. “Nem pensei que pudesse representar nossa cultura”, comentou. Ao ser chamada de embaixadora por um jornalista, ela respondeu que seria “apenas uma representante da cultura”, descartando o título de embaixadora.

Ela considerou que a homenagem seria o reconhecimento pelo seu trabalho, mas disse que nem sabe se merecia. “Acho que devo fazer mais ainda do que já fiz”, afirmou. Sobre a discussão sobre a emenda que previa uma remuneração, Delinha disse não entender nada, pois nem imaginava que pudesse receber algo pela representação.

Para Vanderlei Cabeludo, já estava passando da hora de Campo Grande reconhecer o trabalho da cantora Delinha. Ele lembrou que, bem antes da divisão do Estado, ela já levava o nome da Capital para outros estados por meio da sua música sertaneja de raiz. “Delinha é um dos primeiros artistas que mostrou nossa cultura para o Brasil”, justificou. Agora, o projeto segue para sanção do prefeito.

O Campo Grande News ligou para o titular da Fundac, Wilton Edgar Acosta, para obter informações sobre atrasos em cachês de artistas, mas ele não atendeu a ligação.




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