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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

06/02/2015 06:12

Com funk, sertanejo e versão de "Amor sem Fim", rádio 104 muda e cria revolta

Paula Maciulevicius
Discussão realizada sobre a nova programação contou com a participação de Jerry Espíndola. (Foto: Reprodução/Facebook)Discussão realizada sobre a nova programação contou com a participação de Jerry Espíndola. (Foto: Reprodução/Facebook)

Nos últimos dias o repertório de músicas da Rádio Educativa 104 FM sofreu drásticas mudanças. Os ouvintes passaram a perceber que o sertanejo entrou até na estatal e as canções tidas como comerciais ganharam mais espaço.

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Bancada pelo Governo como projeto cultural, a intenção não seria de lucrar e sim dar voz aos segmentos que não encontram espaço em outros meios. Só que agora a diferença da 104 para as demais rádios é quase mínima. Na reformulação da grade, entram programas desde o funk até um estilo "Amor sem Fim", famoso programa do pop romântico em Campo Grande.

No meio artístico, a discussão já estava pegando fogo, mas agora é que os ouvintes estão tendo de acostumar os ouvidos. No Facebook, o músico Jerry Espíndola fez postagens que levaram a milhares de comentários que demonstram a "revolta" do público que via na 104 a única saída para ouvir o regional e o alternativo da música brasileira.

Nesta semana Jerry participou de um debate no estúdio e manifestou publicamente o que defendeu na Rádio Educativa. "Não fui ao debate hoje pra defender que a rádio não toque o sertanejo universitário e sim pra defender a identidade dela, que sempre foi de tocar o que as outras rádios ignoram. Temos vários artistas que não vão tocar nunca em outra radio, ou porque o som não é comercial, ou porque não tem como pagar jabá".

Jerry continua dizendo que "felizmente não é o caso do nosso sertanejo universitário, que eu respeito muito principalmente os artistas, e sei também o quanto é importante para os nossos instrumentistas, o quanto gera de trabalho esse mercado. A FM Educativa precisa tocar a diversidade, a mesma diversidade que não tem acesso ao esquema de mídia. Não precisa ser igual as outras perdendo um público que a escuta há anos devido a linha de programação que ela sempre seguiu", argumentou. 

Artista plástico, Guto Naveira, também entrou na discussão sustentando que os artistas do sertanejo como Luan Santana e Michel Teló já tem espaço de sobra nas rádios. "Precisamos é valorizar a nossa cultura e os nosso músicos verdadeiramente. Falm que a rádio tem pouca audiência, mas querer ganhar público com essa tática, não acho viável apelar para o mesmo recurso das grandes rádios, fechando ainda mais os espaços para as músicas regionais que compõem o nosso cenário musical".

Jornalista, Rogério Zanetti fala como ouvinte e na tentativa de levar o assunto para um reflexão, classifica programação como "horrível" com uma exceção ou outra. "Eu tinha horário marcado com algumas músicas, já que as mesmas tocavam todos os dias, religiosamente, e no mesmo horário. Ocorre que Bosco Martins e equipe tentam 'popularizar' o veículo, e também acho que pode haver exageros e discordâncias", opinou. 

É louvável a iniciativa de modernizar os programas e também a linguagem, mas com ressalvas para que as mudanças não desvirtuem o projeto original.

Arte da divulgação do programa de funk do produtor de eventos Jean Medina. Arte da divulgação do programa de funk do produtor de eventos Jean Medina.

Funk - Uma das novidades é o programa "I Love Funk", do produtor de eventos do segmento Jean Medina, conhecido como Jean Paçoka. O rapaz tem 24 anos, trabalha com festas do estilo há cinco e é dono do Empório Santo Antônio, casa que promove shows de MC na cidade.

Jean Paçoka que chegou a participar criando um jingle para a campanha do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), assume o comando aos sábados, a partir das 15h, com 2h30 de programa. "Com o governador novo que entrou, acabou abrindo espaço para fazer um programa de funk no rádio. Em São Paulo e no Rio, isso é normal, aqui é a primeira vez", comemora Jean.

O programa será de entrevistas, sorteio de brindes e participação dos MC's da Capital, além de atrações que venham de fora. Paçoka diz que vai conciliar a vinda de MC's para a casa noturna e a participação no rádio. "A gente vai contar também a história do funk, do hip hop, mas será um funk mais tranquilo, tipo ostentação, consciente e sem apologias", frisa o produtor. O apelo será mais comercial como as músicas do MC Guimê, Gui, Anita, Valesca Popozuda, Naldo e Ludmila. 

Segundo Paçoka, desde eleito Azambuja já garantiu espaço à turma do funk e desde o ano passado os detalhes já vinham sendo acertados. "O pessoal está bem interessado nesse programa, muita gente tem ligado perguntando. O movimento que a gente tem por final de semana é de 1,5 mil pessoas, automaticamente esse público vai ouvir a rádio. Vamos brigar aí com o pessoal do sertanejo", brinca. 

Nas noites, o programa "Tudo por Amor" entra das 20h às 22h, com uma proposta no estilo do "Amor sem Fim", para aproximar as pessoas pelo rádio com telefonemas abertos e mensagens. 

A programação oficial da 104 será divulgada apenas no final do mês. Ao Lado B, o gerente da rádio Joel Silva, explicou que o sertanejo que tanto gerou polêmica foi tocado propositalmente, para "provocar". "Eu tinha a impressão que ninguém ouvia a rádio, nós tocamos uma única vez, no dia de semana. Foi uma espécie de provocação", esclarece Joel. A primeira vez foi numa vinheta baseada na música "Camaro amarelo", de Munhoz e Mariano e que terminava na banda Clandestino.

O sertanejo está presente sim e vai continuar na rádio, além dos programas das primeiras horas da manhã e também o chamamé às 5h da tarde, na "Revista Eletrônica", programa que vai ao ar das 8h às 11h com apresentação de Neiba Ota e do próprio Joel, as músicas são intercaladas com entrevistas. 

"Foi uma provocação que deu certo. As músicas sertanejas cabem desde que sejam contextualizadas. "A ideia partiu do presidente da Fertel, o Bosco, ele pensou se nós tocamos Geraldo Espíndola, vamos tocar Jorge e Mateus, porque quem ouve e gosta vai vir para cá. A ideia é atrair", explica.

Joel afirma que por ser uma emissora pública, não a rádio não tem e nem pode ter patrocínios e que o novo projeto é para abrir concorrência com os "pen drives". "Queremos oferecer qualidade e ampliar o público. A ideia é ser um diferencial, mas para muitos pode parecer uma contradição",  descreve.

Por fim, o gerente ainda cutuca que entre os comentários e a revolta deveria estar a pergunta do porque a rádio não tem tocado, por exemplo, o regional. "As músicas não estão mais disponíveis um back up que deveria ter sido feito, não foi e estamos passando nosso acervo de CD para o computador".

Revista Eletrônica, programa que vai ao ar das 8h às 11h com Neiba Ota e Joel Silva, as músicas são intercaladas com entrevistas. (Foto: Reprodução/Facebook)"Revista Eletrônica", programa que vai ao ar das 8h às 11h com Neiba Ota e Joel Silva, as músicas são intercaladas com entrevistas. (Foto: Reprodução/Facebook)



Campo Grande é a cidade que mais tem rádio ruim tocando, todas tocam exatamente a mesma coisa, é sertanejo de manhã até de noite, algumas entram com um flash back, pagode, axé, mas 95% do tempo é sertanejo, e da pior qualidade que se pode encontrar, agora a única rádio que era ruim mas era diferente, vai ficar ruim igual, se eu tivesse condições, juro que abria uma rádio e quebrava todo mundo que só toca sertanejo, sei que o estado vive da musica sertaneja, mas tem a sertaneja e a sertanojo, e o dia inteiro ninguem merece né?
 
Max em 06/02/2015 12:40:01
Muito infeliz esta mudança. Para mim a 104 era a saída para fugir das musicas internacionais, funk e deste sertanejo universitário sem qualidade que toca nas outras rádios. O jeito vai ser usar o pen drive mesmo...Agora, cá pra nós, tocar funk é o fim...
 
Jorge em 06/02/2015 08:05:33
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