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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

04/01/2015 07:23

Da época do vinil ao Youtube, pai e filhas viram cúmplices quando trilha é rock

Aline Araújo
Eles dividem a mesma paixão. A musica. (Foto: Marcelo Calazans)Eles dividem a mesma paixão. A musica. (Foto: Marcelo Calazans)

As paredes da sala poderiam facilmente ser confundidas com as de um bar de rock. Posters do AC/DC e do Led Zeppelin dão as boas vindas a quem entra no apartamento de Marcelo Souza, 45 anos. São a certeza de que ali mora alguém apaixonado por música, um amor ampliado, transmitido para as filhas Marina de Paula Souza, de 16 anos e Giulia de Paula Souza, de 13 anos.

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“Eu toco já faz um bom tempo e elas cresceram nesse ambiente de música. Acabaram tendo preferência por um estilo que não é o mais comum aqui”, explica Marcelo. Nem aqui, nem entre a maioria dos jovens brasileiros hoje.

Mas a parceria com o pai levou as filhas para outro caminho e veio de maneira natural. A preferencia musical acabou aproximando eles, que mesmo não morando na mesma casa, construíram uma relação de amizade e troca. Não só na hora de escutar música, como também nas conversas sobre a vida. 

Giulia também gosta de reggae raiz, Bob Marley, mas ouve muito bandas nacionais como Legião Urbana e O Rappa. Marina aderiu ao rock indie, estilo que passa pelas bandas Artick Monkeys e The Strokes. Enquanto o pai tem preferencia por um som mais pesado como o do Metallica. Sem rotulações, os gostos acabam se misturando no som do carro nas idas e voltas da escola.

Elas cresceram cercadas pela musica. (Foto: Marcelo Calazans)Elas cresceram cercadas pela musica. (Foto: Marcelo Calazans)

Marina aos 6 anos já cantava The Beatles e Giulia seguiu a onda. As duas dividem também a paixão pela leitura, a exemplo do pai. A música, os livros e as conversas em família foram aos poucos moldando a personalidade delas, que hoje demonstram atitude, não só na maneira de se vestir como na opinião ao assumir uma tendência diferente da turma da escola.

“Por um lado é difícil, nossos amigos não gostam das mesmas coisas, a maioria prefere sertanejo e conhece pouco das bandas que a gente gosta”, comenta Giulia. Mas ela ensina que, com respeito as diferenças, todo mundo se dá bem.

A identidade pessoal de cada uma está impressa nas roupas e nas atividades que gostam de fazer além da escola. Nos pés, coturnos ou All Star e camisetas que estampam a preferência musical. “Nós também customizamos nossas roupas e adoramos por botons na mochila” conta Giulia.

As diferenças entre pai e filhas estão, entre outras coisas, no cenário do rock em Campo Grande, porque as gerações também são outras. “Há 15 anos não tinha quase nada na cena de Campo Grande e hoje a gente tem muitas opções. Só que o público precisa amadurecer para isso, para dar valor ao que tem sido feito por aqui”, diz Marcelo.

Outra clara diferença está no acesso as músicas. Com o passar do tempo, a internet auxiliou não só na divulgação de artistas, mas também aos que têm interesse em consumir algo que não está nas rádios. “Antigamente a gente tinha que conquistar um vinil, não era tão fácil. Nós escutávamos várias vezes o mesmo álbum”, relata o pai.

As preferências presentes nos detalhes. (Foto: Marcelo Calazans)As preferências presentes nos detalhes. (Foto: Marcelo Calazans)

Já nos tempos das meninas, são muitas as facilidades. “No Youtube é muito fácil, você vê um vídeo de uma banda que gosta e ele já te indica outras que você pode vir a gostar”, avalia Marina, que passa boa parte do tempo livre na rede, assistindo séries e acompanhando blogs.

Marcelo é músico, não por profissão, mas por coração. A frente dos vocais e da guitarra da banda Stone Crow, sempre presente nas festas do gênero. Apesar da qualidade nas apresentações, ele nunca pensou em tirar a música do patamar de apenas prazer. “Assim eu faço as coisas no meu tempo, sem aquela obrigação e é algo que só me deixa feliz”.

Ele sempre incentivou as meninas a prestigiarem os shows que gostam e sempre que pode leva Marina, a mais velha, para as festas no Hangar e Bar Fly, entre outros bares. “Quero mostrar que é um universo que vai além de apertar o play”.

Por causa da idade, as irmãs aproveitam a oportunidade de visitar eventos ao ar livre, quando tem show no Horto Florestal ou no Parque das Nações Indígenas.

Com a ajuda dos pais, elas já foram para longe pela paixão pela música, as duas ficaram na grade no último Rock in Rio. “Na hora dos show, um monte de amigo ligou contando que viu elas na transmissão. Foi um barato”, conta o pai coruja, que não pode ir devido ao trabalho.

 




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