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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

26/12/2015 12:29

De Geraldo Roca ficaram histórias e letras que dariam mais que uma música

Paula Maciulevicius
Celito, Paulinho Simões e Geraldo Espíndola, diante do sepultamento de Geraldo Roca. (Foto: Gerson Walber)Celito, Paulinho Simões e Geraldo Espíndola, diante do sepultamento de Geraldo Roca. (Foto: Gerson Walber)

Um misto de sentimentos vinha à tona. Lágrimas escorreram e quando faltaram palavras, saíram as notas. Depois que Geraldo Espíndola, Celito Espíndola, Paulinho Simões e um coro puxaram "enquanto esse velho trem, atravessa o Pantanal...", a saudade estava demonstrada em sua melhor forma, através da música. De Geraldo Roca ficaram letras e histórias que dariam mais que uma só canção, uma ópera completa.

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Desde ontem, o colega de composição e amigo-irmão, Paulinho Simões não conseguia falar. A chegada ao velório na manhã deste sábado, no Parque das Primaveras, foi marcada por negativas à imprensa. Só depois de cantar "Trem do Pantanal", composição sua ao lado de Roca, 40 anos atrás, é que ele tentou resumir o que sentia.

"Minha reação? De todas as maneiras possíveis. Estou sem palavras para dizer". Paulinho esteve na casa de Roca, foi chamado pela família assim que as luzes se apagaram para o artista. "Vi a situação de perto, estive muito próximo de tudo. E só vou ter noção do tamanho desse Transatlântico que me atingiu, um tempo depois..."

Paulinho e Roca se conheceram na Praça do Rádio Clube, quando ele tinha 15 e Roca, entre 13 e 14 anos. Os amigos que recordaram o primeiro encontro dos dois dizem que Geraldo foi à praça "caçando" o que fazer em Campo Grande. Acostumado com as andanças e movimentos do Rio de Janeiro. "E depois disso foram tantas e tantas praças", retoma Simões. 

O misto de sentimentos que ele descreve vir à tona são tristeza, pena. "Passa tanta coisa na cabeça. Tem hora que eu fico à mercê da tristeza, outra, eu fico puto com ele. Vivemos várias vidas, em vários planetas, vários universos", explica. 

Entre tantas 'viagens' que Paulinho fez ao longo da vida com Geraldo, a única de avião foi considerada "típica". O que os levou daqui para o Rio de Janeiro foi justamente a composição do "Trem do Pantantal". "Foi típica porque ele foi perdendo todos os documentos da casa até o aeroporto..." A lembrança termina em risos.

O que ficou de Geraldo? Para Simões, o brilhantismo, o trabalho incomporável e histórias que não podem ser reveladas. "Talvez daqui uns 50 anos, para os netos dos nossos netos..."

Se a saudade daria uma música? Paulinho prefere algo maior, do tamanho da cumplicidade: uma ópera. "Cada pessoa que me dá um abraço e cochicha algo no meu ouvido, vem uma história nossa. Eu não saberia e nem poderia te descrever o Geraldo. Passam filmes na minha cabeça, histórias em quadrinhos. Coisa que em uma música só, não cabe."

Geraldo Roca morreu aos 57 anos, nessa sexta-feira (25), em casa, no bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande, depois de atirar contra a própria cabeça. Ele deixa dois filhos e toda sua história em cada uma de suas canções. 

"...Me arranja algum motivo pra sonhar
Pra sonhar
Dona música"




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