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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

10/02/2016 05:32

Desfile teve gente "voando" na avenida, mas também incidente com o público

Naiane Mesquita
Destaque de carro alegórico da escola de samba Igrejinha na noite de ontem em Campo Grande, voando com manobras no tecido (Foto: Fernando Antunes)Destaque de carro alegórico da escola de samba Igrejinha na noite de ontem em Campo Grande, "voando" com manobras no tecido (Foto: Fernando Antunes)

No gingado de uma senhora de 83 anos ou de uma passista que se equilibra no salto alto, o samba continua firme e forte na avenida de Campo Grande. No segundo dia de desfile das escolas de samba da Capital, o que fica explícito é que além do esforço para continuar com o trabalho em meio a tantas adversidades, o amor pela agremiação é que faz a diferença. Crianças, jovens e adultos vestem a camisa para mostrar em menos de uma hora que a paixão pelo Carnaval nunca morre.

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É o que defende a aposentada Maria do Carmo Duque, 83 anos, que sambou com muita animação durante todo o percurso da avenida. “Eu estou muito cansada, com dois joelhos operados, mas vim mesmo assim”, comemora. Para ela, que defendeu a Deixa Falar, primeira escola a desfilar, o Carnaval é uma emoção única. “Desfilo há 45 anos, sempre onde meus parentes estão, puxa vida eu adoro o Carnaval, meus filhos ficam doidinhos de eu vir mesmo operada, mas não ligo”, diz, bem-humorada.

Destaque e carro alegórico da escola de samba Igrejinha Destaque e carro alegórico da escola de samba Igrejinha
Bateria da Igrejinha foi arrumada e até com luz de led para a avenida (Foto: Fernando Antunes)Bateria da Igrejinha foi arrumada e até com luz de led para a avenida (Foto: Fernando Antunes)

A Deixa Falar fez um apanhado da sua história, com o tema “O Abre alas que eu quero passar” e foi a primeira a entrar na avenida com 400 integrantes, 3 carros alegóricos e um ano de preparo. “Reciclamos muito o nosso material para estar na avenida, compramos de São Paulo e temos 100% confecção nossa”, ressalta Alan Catarinelli, diretor carnavalesco da escola. Um dos destaques foi a comissão de frente, que empolgou a todos com um show de bailarinos, que incluía uma jovem sendo lançada ao céu com frequência. 

Em seguida, quem entrou na avenida foi a premiada Igrejinha com o enredo sobre o carnavalesco, jornalista e historiador Edson Contar. Acompanhado de odaliscas, Edson seguiu durante todo o trajeto a pé e mostrou que aos 76 anos ainda tem muito o que contribuir para a festa de Campo Grande. “Tenho 40 anos de escola e eu tinha sido homenageado há 20 anos. Essa é a oitava homenagem em vida que eu recebo, fico emocionado, quantas pessoas podem dizer que receberam tanto carinho em vida?”, questionou o jornalista.

Com 600 integrantes, a Igrejinha foi um dos destaques da avenida, mas contou com alguns problemas técnicos. O som chegou a falhar durante a apresentação e os membros da comunidade continuaram o hino da escola a capela. “Eu espero que nós não sejamos prejudicados, já que o som é cedido pela organização”, declarou a presidente da agremiação Mariza Fontoura.

Edson Contar ao lado de passista durante desfile da Igrejinha (Foto: Fernando Antunes)Edson Contar ao lado de passista durante desfile da Igrejinha (Foto: Fernando Antunes)

A Igrejinha foi uma das escolas com o maior número de integrantes, quase 150 a mais que a Catedráticos do Samba, a terceira escola a desfilar. Com o tema sobre a história da Polícia Civil em Campo Grande, o grupo se esforça para continuar no grupo especial. A bateria é exemplar, mas poucos policiais participaram da festa, com apenas alguns representantes.

O policial civil e vereador Celso Rodrigues da Silva, mais conhecido como Celsinho da Perícia em Coxim, no interior de Mato Grosso do Sul, viajou no feriado para desfilar no Carnaval no posto de mestre sala. “Minha esposa foi a porta-bandeira. Eu achei diferente esse tema sobre a polícia civil e inédito. Ninguém teve essa ideia antes”, frisa.

Vale ressaltar que no início do desfile da Catedráticos, um erro na segurança dos fogos de artificio acabou provocando escoriações leves no público que estava próximo aos primeiros carros alegóricos. "Acertou várias pessoas que estavam lá, uma senhora, um pai com a filha. Pegou na minha esposa, mas só de raspão", afirmou o integrante da escola igrejinha, Everton da Costa, 40 anos. 

Vila Carvalho – Penúltima e não menos importante, a Escola de Samba Vila Carvalho entrou na avenida por volta da meia-noite, com mais de 600 integrantes e homenageando o seu fundador, Zé de Carvalho. Com fantasias coloridas que remetiam as cores da escola, verde e rosa, a agremiação acordou quem já estava cansado na arquibancada.

A bateria estava impecável, como quase todas que passaram pelo local e o samba enredo na ponta da língua. “A escola na avenida é como ver o nascimento de um filho. Nós batalhamos muito para ver a escola desfilando”, resumiu Zé.

Por fim, quem abençoou a última escola da noite, a Unidos da Cruzeiro, foi a chuva. Por volta da 1h30 da madrugada os primeiros pingos começaram a cair. Mesmo assim, cerca de 400 integrantes seguiram com o ritual até o fim. Um dos destaques foi a rainha de bateria da escola, que demonstrou ter samba no pé. Infelizmente em algumas agremiações faltou um pouco de gingado e sobrou beleza. O público mesmo pediu várias vezes aos passistas que mostrassem alegria na avenida.

Carro alegórico da Vila Carvalho (Foto: Fernando Antunes)Carro alegórico da Vila Carvalho (Foto: Fernando Antunes)

Blocos – Contabilizando cinco dias de Carnaval sem parar, a organizadora do Bloco Cordao Valu, Silvana Valu vestiu pela última vez nessa temporada a fantasia e foi para a avenida. Nora do homenageado da Igrejinha, Edson Contar, ela reafirmou que não poderia ficar de fora da folia.

‘Eu amo Carnaval, nós estamos há 30 dias trabalhando sem parar e tivemos dois dias de Valu na Esplanada Ferroviária. Como nora do Edson eu não poderia deixar de vir no desfile mais uma vez. Agora é descansar”, brinca.
Defensora do Carnaval de rua, Silvana acredita que o movimento dos blocos também animou as escolas de samba. “A partir do momento que você fortalece um movimento de rua você fortalece os outros, é uma consequência”, frisa.

Segundo a Polícia Militar cerca de 10 mil pessoas passaram pela Praça do Papa durante o desfile na noite de ontem. De acordo com a Lienca, (Liga das Escolas de Samba de Campo Grande) a apuração do desfile acontecerá no dia 10 de fevereiro, na Concha Acústica Família Espíndola, na Praça do Rádio Clube, partir das 17 horas. A noite de premiação acontecerá no dia 12, no mesmo local, a partir das 19h30min.




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