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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

15/11/2014 07:34

Do avô Manoel ficou a lembrança do amigo e a imagem de um escritório sagrado

Paula Maciulevicius
Manoel de Barros deixou na lembrança dos que carregam seu sobrenome a imagem do amigo e do avô. (Foto: Marcelo Calazans)Manoel de Barros deixou na lembrança dos que carregam seu sobrenome a imagem do amigo e do avô. (Foto: Marcelo Calazans)

Dos três filhos, nasceram sete netos e cinco bisnetos. Manoel de Barros deixou na lembrança dos que carregam seu sobrenome a imagem do amigo e do avô. De um homem menino, de uma criança apaixonada pelas inutilidades da vida que inventava sentido para as palavras. Avô, antes de ser poeta.

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Do filho Pedro, teve apenas um neto, Silvestre, formado em Zootecnia. Da filha Marta, nasceram Felipe, Thiago e Rafael. Do caçula João Wenceslau, Joana, Lucas e Manoel. Nenhum deles puxou o dom da literatura a não ser a paixão viva no sangue, pelas palavras do avô.

Ao Lado B, Joana de Barros, hoje servidora pública, falou das últimas palavras ouvidas sair da boca do poeta e também da descoberta, na adolescência, de que seu avô e o poeta famoso eram a mesma pessoa. "Vou te lembrar, a última vez ele conseguiu falar. Foi logo depois que internou. A minha tia estava com ele e falou: 'papai, olha quem está aqui, a Joaninha. Olha como ela está bonita?' E ele respondeu: 'ela sempre foi'. Foi a última coisa que ouvi dele", reproduz.

Atrás da avó, a única neta mulher, Joana. (Foto: Marcelo Calazans)Atrás da avó, a única neta mulher, Joana. (Foto: Marcelo Calazans)
Felipe, fisioterapeuta, neto de Manoel, filho de Marta de Barros. (Foto: Marcelo Calazans)Felipe, fisioterapeuta, neto de Manoel, filho de Marta de Barros. (Foto: Marcelo Calazans)

Única neta mulher, do escritório do avô, de onde saíam as palavras dos rascunhos, ela define o local como "sagrado". "Ele não gostava dos netos mexerem. Até para limpar era difícil, mas era um lugar mágico, onde tudo era uma surpresa. A gente entrava, mas só com ele", lembra.

Foi na adolescência que Joana descobriu quem era o poeta e avô Manoel de Barros. Ao mesmo tempo em que o público foi descobrindo. "Aí me dei conta de que meu avô era um gênio. Sempre soubemos muito bem quem ele é e a importância que tem na literatura", ressalta.

Hoje, o filho no nível 2 já estuda Manoel de Barros. Em casa e na escola.

Cobranças, os netos relatam que nunca houve, para que algum dos sete seguisse na literatura. Escrever, ninguém escreve. Lucas de Barros, filho de João Wenceslau, é cineasta, o único a seguir o caminho das artes, pelo menos no estudo.

Dos filhos de Marta, Rafael é designer gráfico no Rio de Janeiro, Thiago é jornalista, morou em Londres e hoje é taxista, também no Rio de Janeiro. Felipe é fisioterapeuta e quem se lembra do poeta avô e amigo.

"Ele não era só avô, para toda a família ele era um amigo. Conselheiro de todo mundo, que apesar da idade, conversava com a gente, criança, jovem... A figura dele era assim: separada a pessoa, do poeta".

"Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos."

Manoel de Barros foi avô, antes de ser poeta. (Foto: Marcelo Calazans)Manoel de Barros foi avô, antes de ser poeta. (Foto: Marcelo Calazans)



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