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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

31/05/2015 07:22

Em sarau de bairro, quem tem mais de 60 anos vira artista no palco e na pista

Aline Araújo
Ilza e Maria encontram realização no palco. (Foto: Fernando Antunes)Ilza e Maria encontram realização no palco. (Foto: Fernando Antunes)

Nas quintas-feiras, o centro comunitário do bairro Estrela do Sul ganha mais alegria. O Sarau Raízes é um encontro de músicos e pessoas que gostam de curtir um sertanejo à moda antiga, ou um chamamé chorado na sanfona. O encontro começou como um projeto despretensioso e hoje é parte fundamental na vida de muitas pessoas.

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A história do sarau se confunde com a de muitas pessoas que frequentam o lugar, entre elas, a da organizadora, que é aposentada e hoje presidente da associação do bairro. Ilza Feitosa Nogueira, de 63 anos, conheceu a sanfona aos 13.

O sarau foi o melhor remédio para a saúde de Ilza (Foto: Fernando Antunes)O sarau foi o melhor remédio para a saúde de Ilza (Foto: Fernando Antunes)

“Ela é muito mais que a minha paixão, a sanfona é o alimento da minha alma”, resume. Mas na época, as mulheres que tocavam na noite não eram bem vistas e ela foi proibida pelo pai de cultivar o amor pelo instrumento, então a paixão ficou adormecida.

Ilza casou, separou, teve quatro filhos que criou sozinha. Eles cresceram e, como é natural, bateram asas. Ilza sofreu a síndrome do ninho vazio e sofreu.

“Eu não entendia que os meus filhos tinham que ter a vida deles. Que eles não eram meus e foi quando eu entrei em depressão, tive um período difícil de revolta e fiquei internada em uma clínica, comecei a tomar remédios controlados e engordei até chegar aos 103 quilos”, relata.

Tudo mudou quando o médico a orientou a procurar uma atividade que lhe desse prazer. Foi quando entrou para a associação de bairro e, em uma visita ao centro comunitário, encontrou uma mulher tocando sanfona em um projeto, foi olhar para o instrumento e reviver o amor que carregava desde a adolescência.

Valdir e Sabino são do grupo  Portal Pantanal)Valdir e Sabino são do grupo "Portal Pantanal)

Depois, ao conversar com outros amigos da associação, que também tocavam, nasceu a ideia do sarau, há cerca de três anos. De lá para cá, o evento cresceu, hoje tem dias que recebe mais de 100 pessoas e 10 apresentações musicais. Segundo Ilza, 85% dos frequentadores já passaram dos 60 anos e construíram ali, no encontro as quintas-feiras, uma nova família.

A história de Ilza é só um exemplo, muitas outras parecidas passam pelo salão, de gente que encontrou no palco a motivação necessária para viver um sonho: o de se apresentar em um palco e cativar um público, disposto a dançar muito.

A ideia inicial era ser no formato de apresentação, com as pessoas sentadas, mas com o tempo virou um baile, que prioriza um repertório

O sarau começa às 19h horas e segue até às 22h. Tem gente que não perde uma edição, como Valdir Gomes, de 63 anos. “É um bom lugar para se divertir, eu venho toda a quinta toco violão com o meu parceiro na dupla: Portal Pantanal”, conta, vestido com uma camisa xadrez vermelha, chapéu e fivela, pronto para subir ao palco.

José Sabino, de 85 anos, é quem completa a dupla, além de ser o vice presidente da associação. Com um caderno, ele pede para que as pessoas que cheguem assinem para registrar as presenças. "Nos dias de movimento, já registrei até 250 pessoas", comenta, todo orgulhoso em fazer parte dessa família.

Em sarau de bairro, quem tem mais de 60 anos vira artista no palco e na pista

“No começo era para ser só um ensaio do pessoal da associação, com violão e sanfona, mas ai foi juntando cada vez mais gente”, lembra. Hoje o lugar também oferece curso de artesanato e aula de música, para os moradores da região, por custo simbólico.

Mário Nascimento, de 57 anos, encontrou na sarau a motivação que precisava para voltar aos palcos. Ele toca violão desde a adolescência, mas nunca teve nenhuma pretensão com isso. Hoje, é um dos violeiros do sarau.

“Aqui eu tenho espaço e vejo a história de muita gente como eu, que só precisava de um lugar para se apresentar e encontrar alegria. O que se tornou aqui é fantástico”, conta.




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