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24/06/2013 07:08

Festival Brasileiro do Teatro abre com peça sobre desigualdade social

Elverson Cardozo
Espetáculo aborda questões sociais, mas também transmite mensagem ambiental. (Foto: Elverson Cardozo)Espetáculo aborda questões sociais, mas também transmite mensagem ambiental. (Foto: Elverson Cardozo)

A 14ª edição do FTB (Festival Brasileiro do Teatro) – Cena Distrito Federal, que está sendo realizado em Campo Grande, começou neste domingo (23). A abertura, ontem à noite, no Aracy Balabanian, foi com a encenação do espetáculo “Ovo”, do Circo Teatro Udigrudi.

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A peça conta a história de três sujeitos que vivem no lixo e do lixo. Os personagens, que não tem nomes, tem fome de tudo. Anseiam, inclusive, por dignidade e um mundo mais justo. São palhaços, mas sofridos, calejados da vida. Vivem às margens de tudo. Alimentam-se e vestem-se de restos. É do lixo que tiram o sustento e, diga-se de passagem, o alento.

Na bagunça, encontram um ovo e, desesperados, “mortos de fome”, ditam receitas ao público. Apesar da dificuldade, os “engraçadinhos”, conseguem dar a volta por cima. Transformam o lixo em música. Da própria miséria, da situação deplorável, fazem poesia.

E tudo isso sem muitas palavras. O trio abusa mesmo é dos sons. No palco repleto de “lixo”, saem instrumentos. Todos feitos com materiais recicláveis. Eles tocam e cantam. No repertório, musicas conhecidas, como “Lua do Sertão”, “Aquarela do Brasil” e “Maria Bonita”. A musicalização é afinada e se equipara a muitos instrumentos.

O cenário também se destaca. É puro “entulho”, mas um entulho trabalhado, que merece elogios. Um dos atores, Luciano Porto, de 50 anos, conta que só no painel principal, posicionado na parte de trás do palco, foram utilizadas 5 mil sacolinhas de plástico.

No palco, atores viram palhaços que tocam e cantam. (Foto: Elverson Cardozo)No palco, atores viram palhaços que tocam e cantam. (Foto: Elverson Cardozo)

A ambientação cenográfica, que ganha vida com a iluminação e a movimentação dos personagens, conta pelo menos 10 quilos de latinhas amassadas, entre outros objetos, como latas de tintas vazias e galões de água. O espetáculo, afirmou o artista, foi montado há 10 anos, mas está viajando o Brasil desde 2005. A proposta, segundo ele, é falar de “tudo um pouco”, abordando especialmente as questões sociais e ambientais.

Como o tema não agrada todos os públicos, o jeito é apelar para o bom humor. É por isso que, no palco, Luciano e os amigos viram palhaços, mas, apesar do tom, o assunto é sério. “Queremos mostrar que existe muita desigualdade no mundo e que tem gente que vive desse mundo. Também falamos da quantidade de lixo que produzimos. O espetáculo fala de um pouco de tudo. Abordamos a questão social, a fome, desigualdade”, disse, exemplificando.

Idealizador e coordenador do evento, Sérgio Bacelar, avaliou como positiva a abertura do festival na cidade. Esta foi a primeira vez, em 14 anos, que a atração começou no domingo, dia que, geralmente, tem menos público, mas a “quebra de protocolo” foi justificável.

“No sábado tinha uma espetáculo bacana no Sesc e não fazia sentido competir”, explicou, ao dizer que a expectativa, para as três semanas de festival, é a melhor possível. A tendência, nas palavras dele, “é crescer com o passar dos dias”. Na avaliação do coordenador, o FTB trouxe para Campo Grande “um mosaico com espetáculos que atraem diferentes públicos”.

Cenário principal é composto por 5 mil sacolinhas plásticas e mais um monte de lixo. (Foto: Elverson Cardozo)Cenário principal é composto por 5 mil sacolinhas plásticas e mais um monte de "lixo". (Foto: Elverson Cardozo)

Programação – O Festival de Teatro Brasileiro começou ontem e termina no dia 7 de julho. É a primeira vez que Mato Grosso do Sul sedia o evento que tem, em sua programação, 11 espetáculos, 24 apresentações, incluindo as exclusivas para alunos da rede pública de ensino.

Na lista também há oficinas, ações de fortalecimento das artes cênicas no Brasil e rodadas de negócios. Grande parte das peças terá entrada gratuita. Os preços das que são cobradas variam de R$ 10,00 a R$ 20,00.

A classificação etária vai de livre a “não recomendada para menores de 18 anos”. As apresentações serão dividas entre os teatros Aracy Balabanian, Glauce Rocha e Pros, no Sesc Horto. Alguns espetáculos serão encenados na rua. A avenida Afonso Pena, próximo ao Parque das Nações Indígenas, é um dos locais escolhidos, por exemplo. Este ano, a organização contemplou a cena artística do Distrito Federal.

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