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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

11/10/2012 07:21

Mercedita, a canção argentina que virou patrimônio sul-mato-grossense

Elverson Cardozo
Castelo, “chamamezeiro nato”, já perdeu as contas de quantas vezes tocou e cantou Mercedita. Castelo, “chamamezeiro nato”, já perdeu as contas de quantas vezes tocou e cantou Mercedita.

A verdade é que Mercedita, perfumada, flor bonita, nasceu na Argentina, mas adotou o Brasil e é sul-mato-grossense de coraçāo. Injustiça seria não reconhecer e tentar tirar o brilho de quem atravessou a fronteira, conquistou gerações e se tornou uma das maiores representantes da musicalidade no Estado, mesmo não sendo daqui.

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Hoje, o Lado B fala dela, a canção argentina que agradou os brasileiros e veio parar no Mato Grosso do Sul, a “terra do sertanejo”, um dos poucos lugares do país, talvez o único, onde a introdução da melodia é o suficiente para fazer o público ir à loucura, gritar enlouquecido e, no final, pedir bis.

Em shows, bares, bailes ou em qualquer outro local que for executada o sucesso é garantido e aparece nas mais variadas versões, da tradicional às adaptações abrasileiradas, passando pelos sons de instrumentos que costumam compor uma orquestra sinfônica. Mercedita, aqui, é inconfundível.

A letra não exalta nenhum aspecto da cultura local, pelo contrário, fala de um amor não correspondido, comum nas composições de todo o país - em especial as sertanejas, mas, mesmo assim, a obra é uma das mais requisitas pelo público sul-mato-grossense e agrada gente de todas as idades.

“Mercedita é como uma mulher nascida em Campo Grande”. A comparação é de Antônio Rodrigues Queiroz, de 61 anos, o Castelo, “chamamezeiro nato”, da extinta dupla Castelo e Mansão.

Publicação argentina, lançada há mais de 30 anos, guarda versão da música em espanhol. (Foto: Rodrigo Pazinato)Publicação argentina, lançada há mais de 30 anos, guarda versão da música em espanhol. (Foto: Rodrigo Pazinato)

Ele sabe do que está falando. Em 47 anos de carreira, o músico, que hoje integra o Grupo Castelo, já perdeu as contas de quantas vezes cantou e tocou a canção composta e gravada na década de 40, por Ramón Sixto Rios.

Os pedidos, nos bilhetinhos, foram muitos, da churrascaria aos espaços mais refinados. Até hoje é assim. Se não tocar Mercedita, parece que o show não foi completo. "É uma música muito solicitada", reforça.

“Sempre que é tocada ela é aclamada no começo e aplaudida no final”, acrescenta, ao dizer que foi apresentando à composição pela antiga dupla Belmonte e Amaraí, na década de 70.

Para o músico, o sucesso da canção está relacionado à maneira como foi composta, à melodia e aos arranjos criados por Ramón. Mas há outro motivo: "Aqui o povo é chamamezeiro".

Na orquestra - Mas não é só no rasqueado do violão que ela aparece. Em Mato Grosso do Sul, Mercedita já é obra de orquestra sinfônica, tamanha identificação com o Estado.

Orquestra Jovem da Fundação Barbosa Rodrigues gravou Mercedita para DVD em comemoração aos 30 anos da casa. (Foto: Reprodução/DVD)Orquestra Jovem da Fundação Barbosa Rodrigues gravou Mercedita para DVD em comemoração aos 30 anos da casa. (Foto: Reprodução/DVD)

Faz parte dos programas clássicos em apresentações no teatro, por exemplo. Virou uma das canções regionais. Em concertos de música erudita, lá está ela, dançando entre instrumentos como violino, violoncelo, flauta doce e clarineta.

Maestro da Orquestra Sinfônica Municipal de Campo Grande desde sua criação, em 2007, Eduardo Martinelli, de 35 anos, percebeu logo de cara que a música levantava o público, o que não acontecia em São Paulo, cidade de onde veio.

"A primeira vez que eu ouvi aqui, um monte de gente começou a gritar", conta, ao explicar que, na época, estava na plateia e foi assistir a uma apresentação em Campo Grande.

Como maestro, inserir a música argentina no repertório da orquestra foi um processo natural, já que outros grupos - do mesmo estilo, executavam a obra de Ramón Sixto. "Ela é um símbolo de Mato Grosso do Sul", justifica. Se tratando de canções que não foram criadas por compositores regionais, Martinelli arrisca dizer que a música é a mais forte no Estado.

Em setembro de 2011, Mercedita foi uma das músicas tocadas pela Orquestra Jovem da Fundação Barbosa Rodrigues, durante a gravação de um DVD em comemoração aos 30 anos da entidade, onde Martinelli é professor.

No palco, após o grupo executar a canção, o maestro agradeceu, deu uma pausa na gravação e disse:

Eduardo Martinelli, maestro da Orquestra Sinfônica Municipal de Campo Grande. (Foto: Rodrigo Pazinato)Eduardo Martinelli, maestro da Orquestra Sinfônica Municipal de Campo Grande. (Foto: Rodrigo Pazinato)

"Essa foi a versão da platéia comportada de Mercedita, né? Porque normalmente quando a gente ouve pã-pã-pã-pã do começo... Foi o que mais me chamou a atenção quando me mudei para Mato Grosso do Sul há décadas atrás. A gente vai fazer Mercedita de novo porque eu gostaria daquela Mercedita com a platéia sul-mato-grossense". A cena entrou para o makig-off do DVD.

Em nenhum outro lugar por onde passou, Mercedita foi tão aplaudida, lembra. Para Eduardo, a identificação dos sul-mato-grossenses com a música tem a ver com a posição geográfica do Estado que sofre influências da música latina.

Mas o que mais chama a atenção é saber que uma canção antiga, composta há décadas, ainda faz sucesso entre o público, apesar das explosões de novos estilos musicais, como o sertanejo universitário.

Confira, abaixo, duas versões de Mercedita separadas pelo Lado B. A primeira traz a interpretação feita pela dupla Belmonte e Amaraí. A outra é a versão gravada pela Orquestra Jovem da Fundação Manoel de Barros. Se gosta ou sabe cantar, confira a letra em português.

Recordo com saudades
seus encantos, mercedita
perfumada flor bonita
me lembro de uma vez
a conheci no campo
muito longe, numa tarde
hoje só ficou saudade
desse amor que se desfez

E assim nasceu o nosso querer
com ilusão, com muita fé
mas eu não sei, porque essa flor
deixou-me dor e solidão
Ela se foi, com outro amor
e assim me fez, compreender
o que é querer, o que é sofrer
porque te dei meu coração

E o tempo vai passando
e as campinas verdejando
e a saudade só ficando
dentro do meu coração
Mas apesar do tempo,
já passados mercedita
sua lembranca palpita
na minha triste canção

E assim nasceu o nosso querer
com ilusão, com muita fé
mas eu não sei, porque essa flor
deixou-me dor e solidão
Ela se foi, com outro amor
e assim me fez, compreender
o que é querer, o que é sofrer
porque te dei meu coração




Foi feita 1 tremenda omissão nesse artigo. Quem fez mercedita ser o maior sucesso sulmatogrossense foi Willian Portela em 83, qdo ele divulgou essa musica o ano inteiro na globo local através d 1 comercial na TV Morena. Antes dele, Mercedita era 1 chamamé a mais entre "Pé d cedro", Chalana" e muitos outros q eram tocados por aí, fora da gde midia q é a TV Globo local. Ele provocou nao só o sucesso dessa musica como essa avalanche d musicos fazendo sucesso atualmente (2014), parece q todo mundo resolveu ser artista no MS. Antes dele o panorama no estado era caótico, abandonado, paradíssimo, haviam antes dele artistas como delio e delinha, e outros mas viviam no underground, isto é, na penumbra, eram considerados musicos d buteco barato, sendo q atualmente sao o q há d mais chique
 
maestro ney em 31/01/2014 13:18:20
Num País com tanta sujeira debaixo do tapete,com uma seleção nacional fazendo "amistoso"como esse de hoje, enquanto se julga um mensalão,com Ricardo Teixeira fora das grades,Mercedita, para nós sulmatogrossenses(genuínos) é quase um 2º hino nacional.
 
Andersdon Roque em 11/10/2012 14:59:33
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