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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

12/10/2015 07:35

Na história desses lados do Brasil, o Estado já teve seu próprio Lampião

Lucas Arruda
Silvino com a arma sempre na cintura.Silvino com a arma sempre na cintura.

Muitas personalidades já figuraram na história de Mato Grosso do Sul, mesmo aquelas que deixaram sua marca antes da criação do Estado, que aconteceu em 11 de outubro de 1977. Por aqui já apareceu até um bandoleiro que foi muito famoso lá na região Sul.

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Silvino Jaqcques nasceu no Rio Grande do Sul, mas foi na região de Bela Vista, entre 1929 e 1939, que ficou conhecido. Tema de muitas pesquisas e publicações, ele virou até assunto de mestrado do jornalista Arnor da Silva Ribeiro. Os planos agora são transformar a dissertação em um livro em breve.

Nosso bandoleiro andava com armas desde a adolescência. Veio para cá com 23 anos, foragido, após ser preso em sua terra natal e conseguir sair da prisão. Se instalou em Bela Vista e depois se mudou para o distrito de Porteiras, que hoje é o município de Caracol. Mesmo tendo ido embora de sua terra, não abandonou as vestimentas típicas de lá: sempre estava com bombacha, lenço e grandes chapéus.

Na história desses lados do Brasil, o Estado já teve seu próprio Lampião

Nos primeiros anos aqui até levou uma vida tranquila, sem realizar muitos crimes. Mas depois de 1932, começou a atuar bastante com seu bando, marcando a história do banditismo do País.

Quando se instalou no sul do então Mato Grosso uno, Silvino abriu um comércio para tocar ao lado da esposa, Jandira Pinheiro, conhecida como Zanir. Ele era daqueles que resolvia os problemas na bala, por isso não conseguiu ficar quieto por muito tempo. “Antes de se estabilizar com seu pequeno comércio, ele foi retratista também, fazia fotos das pessoas nas ruas”, conta Arnor sobre o sujeito de muitos talentos.

Juntou outros homens e até mulheres para formar seu bando. No começo, agiam pouco e Silvino nunca teve interesses políticos ou comunitários, sempre atuou por interesse próprio e se aliava a quem queria ou precisava.

Além de seus homens de confiança, Silvino se aliava a coronéis que o contratava para fazer serviço de pistoleiro. Um ano após chegar aqui seu conterrâneo se tornou presidente. Getúlio Vargas comandou o país de 1930 a 1945 e alguns historiadores afirmam que ele chegou a apadrinhar nosso bandoleiro quando os dois ainda viviam em São Borja.

Para Silvino "trabalhar", o então presidente lhe mandava armas para que o ajudasse contra os constitucionalistas revoltosos. Depois disso ainda continuaram a ter uma boa relação, até Getúlio decidir centralizar o poder e enxergar o bandoleiro como uma ameaça à democracia da época.

Suas vítimas foram muitas, de gente desconhecida, até grandes fazendeiros. Uma vez foi a Ponta Porã para discutir segurança nacional e segurança pública com o tenente Cândido Prates. Após a reunião os dois se desentenderam e o tenente chamou Silvino de capitão desqualificado. Este, que não levava desaforo pra casa, matou o outro.

Quando saía para bandolar, fazia algumas adições a seus grupos, às vezes até sequestrando. Mulherengo, ele teve várias amantes, algumas até fizeram parte de seu bando, sendo que as mais famosas foram, Almerinda de Góes Falcão, conhecida como Raída, e Elódia Charão, que foi sequestrada. “As duas andavam até armadas”, relata Arnor.

Segundo Arnor, a esposa dele sabia de seus casos e até consentia, já que não gostava de viajar com o marido e fazer parte de seu bando. Com suas duas mais famosas amantes teve três filhos: do relacionamento com Elódia nasceu Euclides Jacques Charão, com Raída teve Garibaldi e Juracy Jacques.

Muito das pesquisas sobre ele, são favorecidas por relatos escritos pelo próprio Silvino, sempre em rimas. 
Escreveu diversas poesias, todas sobre quando ainda vivia em Rio Grande do Sul, que foram compiladas na obra Décima Gaúcha.

"A Patrulha ignorante
Tentou me desarmar,
Com modos tão agressivos
Que eu não pude aturar.
Nisto recebi um tiro.
Vi-me obrigado a atirar
Resumo do conflito
Que nessa vila se deu,
Sabino José de Almeida
Que era cabo morreu".

A cabeça a prêmio foi ordenada diretamente por Getúlio Vargas, que o via como ameaça na época, já que queria que o poder fosse centralizado, sem líderes esparsos pelo país. Entretanto a maior parte dos soldados da época tinham medo e por isso foi formado um grupo de captura pela sociedade civil, liderada pelo delegado Orcírio dos Santos.

Por ele conhecer muito bem a região, já que andava por toda a área de Bela Vista, Porto Murtinho até a serra de Bodoquena, dois grupos de captura foram atrás de Silvino, até que um conseguiu encurralar o bando, executando-o em maio de 1939.

Mesmo ele tendo vivido por apenas dez anos no então Mato Grosso uno, Silvino ficou famoso e lá pelas bandas de Porto Murtinho, as histórias ainda são contadas pelos mais velhos. “Já tem um livro sobre ele, intitulado ‘O Último dos Bandoleiros’, mas minha publicação vai sair também, uma editora alemã se interessou em publicá-lo. Figuras como ele tem que ser conhecidas”, conclui Arnor.

Arnor agora pretende transformar a dissertação em livro.Arnor agora pretende transformar a dissertação em livro.



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