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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

12/02/2016 06:45

Não se mede o sucesso de uma cidade apenas pelo número de buracos nas ruas

Naiane Mesquita
Os vários buracos pela cidade não são o único problema de Campo Grande (Foto: Fernando Antunes)Os vários buracos pela cidade não são o único problema de Campo Grande (Foto: Fernando Antunes)

No nível mais vísivel dos problemas da cidade estão os buracos espalhados pelas ruas. Por trás, há muitas outras questões que as inúmeras mudanças na administração deixaram de lado. Na área cultural, por exemplo, Campo Grande não conta mais com a prefeitura. Também não há qualquer projeto relativo ao patrimônio histórico, ou ocupação de espaços públicos com diversão.

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Projetos tradicionais que foram paralisados, como a Noite da Seresta, Só Rock no Horto, shows em bairros, oficinas teatrais, de dança, convênios com profissionais e os editais que desde 2014 não são pagos aos artistas, mostram que a cidade parou.

O diretor do Teatro Imaginário Marancangalha, um dos poucos grupos que ainda movimenta Campo Grande, Fernando Cruz, lembra que as praças e parques foram ocupados pela polícia. “Já são dois anos sem perceber o movimento cultural nos lugares públicos, as orlas estão abandonadas, os parques, como Ayrton Senna interditados, a comunidade sempre teve aquela parque onde aconteciam atividades, oficinas para a comunidade, apresentações de espetáculos e agora não existe mais. As praças estão com luzes queimadas, quadras derrubadas, como consequência a cidade se torna mais violenta, a pressão policial cresce”, acredita Fernando.

Fernando esclarece que em eventos realizados por grupos independentes, como o Estação Urbana, na Orla Ferroviária, em frente ao Hotel Gaspar, há mais policia que artistas. “É uma inversão da ocupação. Não tem política pública, as ações são autônomas, como o Sarobá, a Estação Urbana , os rolês na Orla e o próprio Carnaval de rua. Não há nem infraestrutura, está tudo abandonado”, descreve.

Orla Ferroviária foi ocupada pela iniciativa de produtores e empresários (Foto: Fernando Antunes)Orla Ferroviária foi ocupada pela iniciativa de produtores e empresários (Foto: Fernando Antunes)

Shows - Reunindo astros que fizeram sucesso no passado e talentos que durante muito tempo ficaram escondidos em Campo Grande, a Noite da Seresta reuniu grandes públicos na Praça do Rádio Clube. Com jeito de projeto para toda a família teve shows de nomes como Demônios da Garoa e depois chegou a se transformar em Quinta Gospel. Por fim, em 2014, foi encerrada, para “cortar gastos”.

O mesmo aconteceu com o projeto Só Rock No Horto, que tentou sobreviver em meio as adversidades e não consta mais no calendário oficial da prefeitura, que na verdade, quase não tem eventos. Há apenas a abertura de uma oficina de contação de histórias em parceria com a Secretaria de Educação, uma feira de artesanato e exposições organizadas na antiga Estação Ferroviária, ligadas diretamente as ações culturais independentes.

A cidade está triste. “Hoje a Fundac (Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande) se encontra em uma situação de total sucateamento devido a má gestão anterior. Foram cinco presidentes indicados para liderar a pasta em um ano e isso fragilizou a fundação. Estamos tentando fortalecer a fundação para que os problemas da cultura possam ser superados”, afirma Airton Raes, presidente do Fórum Municipal de Cultura de Campo Grande.

Nesse tempo nem mesmo os fundos Fmic (Fundo Municipal de Cultura) e Fomteatro (Programa de Fomento ao Teatro de Campo Grande) de 2014 foram pagos. Os artistas ficaram sem opção para realizar projetos e oficinas de formação. Não há mais a ocupação de espaços públicos com frequência e todo o trabalho foi deixado a cargo dos próprios profissionais, que ainda reclamam de atraso no pagamento de cachês dos poucos eventos realizados pela prefeitura.

Edifício José Abrão ainda está em processo de restauração (Foto: Marcos Ermínio)Edifício José Abrão ainda está em processo de restauração (Foto: Marcos Ermínio)

O abandono se estende aos projetos de tombamento, à história cada vez mais deteriorada.

Desde 2011 nenhum local entrou no rol dos prédios protegidos pelo poder municipal. De acordo com informações fornecidas pela fundação, o Mercadão Municipal, o Horto Florestal e o Edifício José Abrão estão em processo de tombamento desde 2011. Mas sem nenhum avanço significativo nesse processo. 

O único mais recente é o Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que começou a ser analisado em 2013. “O Santuário está em análise na Planurb (Instituto Municipal De Planejamento Urbano), são várias fases até que o local seja tombado”, justifica a arquiteta da prefeitura Izaura Corbucci.

Não se fala mais em transformar a Vila dos ferroviários em um lugar de agitação cultural, não há mais qualquer preocupação aparente com o incentivo à preservação de imóveis que contam a história de Campo Grande.

A rotunda, antiga oficina de trens na Esplanada Ferroviária, já foi alvo de inúmeras propostas de ocupação, para atividades culturais e transformação do espaço histórico em um lugar vivo. Mas, pelo andar da caruagem, só o mato deve ocupar a área por muito tempo ainda. 




Se um prefeito não consegue tapar buracos, fico imaginando o que ele faz em relação a ações mais complexas, como saúde e educação, por exemplo
 
Áttila Teixeira Gomes em 16/02/2016 08:52:53
Tem razão, não se mede o sucesso de uma cidade apenas pelo número de buracos, mas também pelo número de casos de dengue, ou melhor, pelo número de focos de dengue onde a prefeitura não faz a limpeza, ou ainda pelo número de pessoas que morreram sem o atendimento necessário, ou que tal medirmos pelos números de nossas crianças que ainda trabalham catando lixo nas proximidades do lixão.... isso ninguém conta né?
 
James em 12/02/2016 10:56:55
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