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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

25/09/2015 12:38

No Dia do Rádio e de 65 anos de AM, programas de Juca Ganso vão para museu

Paula Maciulevicius
Em volta de uma das mesas do restaurante do Rádio Clube, o programa fala ao vivo da memória do rádio. (Foto: Fernando Antunes)Em volta de uma das mesas do restaurante do Rádio Clube, o programa fala ao vivo da memória do rádio. (Foto: Fernando Antunes)

Dia do Rádio e comemoração de 65 anos da Cultura AM. Em volta de uma das mesas do restaurante do Rádio Clube, o programa fala ao vivo da memória da emissora. Espectadores atentos também entram no ar para uma 'palhinha'. Fotos e recortes de jornais reproduzem o que foi e quem fez história pelas ondas sonoras. Na manhã desta sexta-feira, a celebração reuniu radialistas que contam os anos que passaram comendando o microfone.

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"O rádio é minha cachaça. Tenho duas profissões que não escolhi, elas me escolheram", brinca o jornalista e radialista Ciro de Oliveira. São 47 anos de rádio e 65 de idade. Quem não trabalhou junto, conviveu no mesmo ambiente que narrou fatos históricos e divulgou a música sertaneja de raiz e de fronteira, muitas vezes ao vivo e até com auditório.

Jesus Pedro tem 66 anos de idade, 52 de rádio, e na memória tem a lembrança de quem começou na Cultura AM como faxineiro até operador de áudio. "É uma coisa que está no sangue, só sai quando você parte daqui. Até hoje não vi nenhum radialista que tenha saído a não ser pela mão de Deus".

Ciro de Oliveira, radialista há 47 anos. (Foto: Fernando Antunes)Ciro de Oliveira, radialista há 47 anos. (Foto: Fernando Antunes)

Com o grande homenageado da data foi assim. Juca Ganso morreu em 2013 dizendo no rádio que faltavam 9 dias para o seu aniversário, como apresentador do programa na Cultura AM que ia ao ar de segunda a sexta, no final da tarde. Aos 84 anos, Juca se foi quatro dias depois de deixar gravada as últimas palavras e um legado de 50 anos de rádio.

Dono da frase "Quem ouvir, favor avisar", do programa que ficou mais de 20 anos no ar, "A Hora do Fazendeiro".

"Ele faleceu numa segunda, na quinta eu fui gravar na casa dele", recorda Marrom. De nome ninguém conhece o operador de áudio e locutor, Marco Antônio dos Santos. Há três anos ele ia até a casa de Juca, no Residencial Oiti ou no União, onde morava uma das filhas, para fazer o programa. Nas mãos tinha apenas um gravadorzinho e um papel com o nome dos ouvintes.

"Ele começava o programa 'maravilha, maravilhosa'. Que música a gente vai tocar? Eu dizia Teodoro e Sampaio. E vai para quem? Ele perguntava. Eu respondia, Fátima do Coophavila II. Aí ele lembrava 30 nomes do Coophavila II e no fim perguntava, para quem é mesmo? A recente ele esquecia, mas do passado, não", narra Marrom.

As gravações eram na quinta-feira e duravam em média 2h. Os últimos programas estão reunidos em CD e foram entregues ao MIS (Museu da Imagem e do Som) de Mato Grosso do Sul, com o intuito de disponibilizá-lo. "É nossa memória e patrimônio. Nós temos que respeitar isso e passar adiante às novas gerações", resumiu a secretária adjunta da Fundação de Cultura de MS, Andrea Freire.

Marrom, quem gravou os últimos programas de Juca Ganso, na casa dele. (Foto: Fernando Antunes)Marrom, quem gravou os últimos programas de Juca Ganso, na casa dele. (Foto: Fernando Antunes)

Nas palavras do radialista João Bosco de Medeiros, de 67 anos de idade e 45 de rádio, Juca Ganso tinha tudo o que era essencial. "A locução formal - voz bonita e boa dicção -, animação e comunicação. E ele conseguia ser cômico também". 

Fechando o evento, é a senhorinha de cabelos brancos e óculos que faz o convite para retroceder 60 anos. Primeira locutora mulher da Cultura AM, Maria Garcia, trineta do fundador de Campo Grande, chegou aos 87 anos, com as mesmas palavras na memória. 

"Está no ar a rádio Cultura de Campo Grande em seus 1370 quilociclos, falando diretamente do quinto andar do edifício Nakao para Campo Grande, Mato Grosso e o Brasil". A introdução era do programa "Parabéns a você", no qual ela apresentava as músicas dedicadas entre os ouvintes nos anos de 1951 e 1952. 

"Fui apresentada pela diretora da escola onde eu havia lecionado. Fiz um teste e eles certamente gostaram da minha voz. Recordar é viver". 

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Gravado em casa, na 5ª feira, Juca Ganso começava o programa contando os dias para o aniversário que não chegou. (Foto: Fernando Antunes)Gravado em casa, na 5ª feira, Juca Ganso começava o programa contando os dias para o aniversário que não chegou. (Foto: Fernando Antunes)



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