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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

11/04/2013 07:28

O que quer dizer os “afogados” da vitrine de um Museu de História Ficcional?

Elverson Cardozo
Artista apresenta o museu de história ficcional. (Foto: Vanderlei Aparecido)Artista apresenta o museu de história ficcional. (Foto: Vanderlei Aparecido)

Nas vitrines, “afogados”, presos a quadrados individuais de parafina, estão os heróis dos desenhos infantis, personagens que marcaram época e os queridinhos da garotada. Mônica, a menina dentuça criada por Maurício de Souza, ficou só com a cabeça de fora. Emília, a boneca de pano do Sítio do Pica Pau, também está presa ao bloco branco. Fiona ficou longe do Shrek. Nem Hulk, o gigante verde, conseguiu escapar. Coitados.

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A responsável pela “prisão” de 120 personagens infantis, que estão postos em vitrines do Marco (Museu de Arte Contemporânea), em Campo Grande, é Yara Dewachter, uma das quatro artistas selecionadas para a 1º temporada de exposições deste ano.

Apostando no “Museu de História Ficcional” e nos “Afogados”, a paulistana quer chamar a atenção do público para as fábulas que permeiam o imaginário infantil e conquistaram gerações em todo mundo.

A obra é aberta e dá margem a todo tipo de interpretação, mas a idéia da artista parece ser de fácil assimilação. “Crieio museu de história ficcional para retratar ou contar histórias das fábulas e o que elas fazem com a vida da gente”, disse.

 

Lion, dos ThunderCats. (Foto: Vanderlei Aparecido)Lion, dos ThunderCats. (Foto: Vanderlei Aparecido)

Mas não é só isso. Yara questiona a importância, influência e o enredo dessas estórias. As caixas de parafina não foram construídas por acaso. Segundo a artista, elas podem ser vistas como o final feliz “sempre quadrado”. “Como é a vida? Tem isso?”, ela se pergunta.

O “afogamento” em parafina pode ser lido de duas maneiras: “A gente pode pensar em preservar ou ser irônico o suficiente para afogar, congelar”, explicou, citando a produção midiática em larga escala.

Se por um lado essas estórias poderiam ser dispensadas, por outro elas passam a ser vistas como essenciais na formação humana. “Estou questionando o quanto é importante ter a fábula na vida, o mito, as metáforas para gente conseguir sobreviver. Isso pode ser lido como um estudo”, ressaltou.

Os outros afogados da coleção. (Foto: Vanderlei Aparecido)Os outros "afogados" da coleção. (Foto: Vanderlei Aparecido)

Renato Joseph, crítico que escreveu sobre o trabalho da artista, fez uma análise mais ampla, que depende, acima de tudo, da experiência e vivência particular de cada um.

“Ela procura e encontra uma maneira de nos fazer pensar sobre os limites positivos ou nocivos da realidade e da fantasia. [...] Yara nos pergunta: O entretenimento enriquece ou entorpece a experiência humana. E mais: Se ele nos afasta do sentindo da dor, o que seria de nossas vidas sem essas gotas de felicidades temporárias?”

O Museu de História Ficcional, na avaliação de Renato, “é um local onde o imaginário é confrontado por personagens que remetem à vários períodos da indústria de desenhos animados".

Yara questiona, mas também reconhece o papel da ficção. (Foto: Vanderlei Aparecido)Yara questiona, mas também reconhece o papel da ficção. (Foto: Vanderlei Aparecido)

“O principal questionamento da artista beira os debates da filosofia existencialista e da estética do absurdo: Estamos buscando formas de viver uma realidade mascarada para esquecer que as relações e a vida também nos oprime?”.

Temporada 2013 – A exposição de Yara Dewachter é uma das quatro que integram a primeira temporada 2013 do Marco (Museu da Arte Contemporânea), em Campo Grande. O espaço fica aberto para visitação gratuita até o dia 2 de junho, de segunda a sexta, das 12h às 18h.

Além do Museu os visitantes terão acesso a outros três trabalhos: “Trajetos Urbanos”, uma exposição fotográfica da artista plástica Esther Casanova, de São Paulo, "O Relógio Quebrado”, de Henrique França e  “Dominus Tecum", do campo-grandensse Evandro Prado.

Serviço – O Marco fica na rua Antônio Maria Coelho, 6000, no Parque das Nações Indígenas. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (67) 3326-7449.




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