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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

15/09/2014 12:30

Poesias pouco conhecidas de Manoel de Barros são alento para dor de Madalena

Ângela Kempfer
Violência doméstica é o tema principal da peça que estreia nesta segunda-feira. (Foto: Divulgação/Espedito Di Montebranco)Violência doméstica é o tema principal da peça que estreia nesta segunda-feira. (Foto: Divulgação/Espedito Di Montebranco)

Espedito Di Montebranco é um daquelas artistas que não incorpora apenas uma função. Como ator, reconhecidamente é um dos mais admirados em Mato Grosso do Sul. Como design de luz, é responsável por alguns grandes projetos de dança clássica e contemporânea. Como dramaturgo, transita por diferentes estilos, da comédia ao drama, mas sempre preocupado com questões sociais importantes.

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Hoje, ele coloca em cena no Teatro Prosa do Sesc Horto mais uma discussão sobre as mazelas humanas. Desta vez, trata da violência dentro de casa, mas não apenas disso. Em “Diário de Madalena”, tenta levar à reflexão sobre o individualismo cada vez mais nocivo às relações humanas.

Leitor de Manoel de Barros desde os 10 anos de idade, Espedito recorre à poesia para moldar a peça, um drama sobre pai e dois filhos, na imensidão do Pantanal, onde um aparelho de rádio é a ligação com o mundo e com a sensibilidade.

O drama começa com 3 minutos no idioma guató, um delírio que antecede o enterro da mãe, na porta de casa. O pai, depois de tentar a cura para esposa na cidade, volta sem ajuda, sem esperança e encontra a mulher morta.

A filha, Madalena, assume as responsabilidades da mãe e desperta no pai o desejo. No palco, os atores não se tocam, mas o texto deixa clara a violência, o abuso, mais psicológico do que físico. “No processo de construção, visitei casas que atendem crianças e adolescentes que já sofreram abusos e todos dizem que o pior não é o estupro é a violência psicológica”, conta Espedito.

Um dos poucos alentos para Madalena é a poesia que vem pelo rádio, na voz de Manoel de Barros. Espedido escolheu dois poemas desconhecidos, que mostram um poeta mais sensual. “Queria mostrar um Manoel que quase ninguém conhece”, justifica o diretor.

Longe do pai “Severo”, ela e o irmão “Sabiá” brincam de inventar frases, vivem a inocência, percebem o mundo ao redor, longe da realidade. Mas mudam ao voltar a conviver com o violentador todos os dias, sem poder denunciar. Então, recorrem às lendas do Pantanal para falar das dores da alma.

“Percebi que era importante falar sobre o tema vendo jornais e algumas matérias sobre como é grave o assunto. É só parar para contar a quantidade de crianças mortas pelos pais nos últimos anos”, diz Espedito após onze anos escrevendo a peça.

Para ele, uma questão ainda mais universal tem de ser discutida, a importância de olhar entorno, não apenas para dentro de si. “Percebo em Campo Grande, as pessoas passam por um conhecido e fingem que não se vêm. O cara finge que está dormindo no ônibus, só para não dar lugar a quem precisa”, comenta.

“Diário de Madalena” estreia hoje, às 20 horas, no Teatro do Prosa, no Sesc Horto, com entrada franca. O elenco tem ainda Bruno Moser e Jurema de Castro, do Grupo Teatral Palco Sociedade Dramática. Outras sessões ocorrem no decorrer da semana, nos dias 16 e 17 de setembro, às 19h e 20h30min.




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