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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

01/12/2015 12:30

Por que Campo Grande ataca o rap e adora a bebedeira do sertanejo?

Ângela Kempfer
Fernando e Sorocaba pode, com “É meu defeito, eu bebo mesmo, beijo mesmo, pego mesmo. E no outro dia nem me lembro”? (Foto: Divulgação)Fernando e Sorocaba pode, com “É meu defeito, eu bebo mesmo, beijo mesmo, pego mesmo. E no outro dia nem me lembro”? (Foto: Divulgação)

O Lado B publicou hoje uma reportagem sobre manifestação cultural que vem do bairro Tiradentes. Na capa do portal está o rap, que como em qualquer lugar do mundo, fala do que vê nas ruas, principalmente, na periferia das cidades.

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Antes mesmo da publicação, a gente já sabia do arsenal que seria voltado aos meninos, que tem o corpo tomado pelas tatuagens, gostam de dizer que fumam maconha e usam símbolos de poder e violência sempre que colocam um clipe no ar. (Bem, você pode até não gostar, mas isso existe em muitos bairros de Campo Grande).

Mas no Facebook, a enxurrada de criticas ao jornal também veio até por parte da Polícia, com ironias como: “Olha o que esse jornal sério fez”. São reclamações, basicamente, sob o pretexto de apologia ao crime, já que o grupo Locoleste aparece com armas, cigarrinhos e fala de truculência policial em letra e vídeo da canção “Quero Money”.

É claro que discordamos desse tipo de contestação, por entender que jornalismo cultural serve para isso mesmo, mostrar o que é produzido na cidade, independente de gosto musical , estético ou ideológico. Aí, se Ministério Público ou polícia tiverem argumentos, que enquadrem a galera na lei.

Mas a polêmica serviu para uma reflexão cá com os nossos botões. Partindo da avaliação dos leitores, dos que acham a matéria uma apologia ao crime, a questão é: Quantas vezes consumimos esse tipo de “crime”? E mais, quantos dos que criticam o rap adoram canções que estimulam, por exemplo, o consumo exagerado de álcool?

Nem vou falar de composições que brincam com temas sérios, como homofobia ou violência contra a mulher, o que sempre é combatido com veemência pelo jornalismo, depois de terem estourado nas paradas de sucesso.

Mas em um País onde milhares de pessoas morrem todos os anos vítimas de acidentes de trânsito provocados pela embriaguez (fora os assassinatos causados pela mesma droga lícita), por que os fãs de Fernando e Sorocaba, por exemplo, não ficam indignados com letras do tipo: “É meu defeito, eu bebo mesmo, beijo mesmo, pego mesmo. E no outro dia nem me lembro”?

Tem também a “apologia ao atestado médico” gente, um crime na voz de Bruno e Barreto na estrofe “Ir trabalhar amanhã é o cacete. Hoje é só farra, pinga e foguete”, e na canção de Bruno e Barreto, que é, inclusive, machista: “se a mulherada é de primeira, fico até segunda feira. Bebo até ficar tonto”.

O povo adora Jads e Jadson na interpretação de “Eu vou beber a noite inteira. Eu vou pra gandaia de segunda a sexta-feira. Vou curtir a vida vou cair na bebedeira”. E veneram o Gustavo Lima que chega ao ápice da pinga liberada com “Eu vou morrer, eu vou morrer, eu vou morrer, mas eu não paro de beber”.

Senhor! Por que reportagens sobre esses hits, nunca viram polêmica nas redes sociais? Será que se mexesse com a polícia e não fosse um bando de gente pobre cantando a reação seria diferente? 

Tirando as músicas românticas, quase todas as outras canções sertanejas têm alguma cachaça no meio. Depois, é só ir à balada country de Campo Grande e comprovar como essas músicas animam a galera a beber mais e mais e mais...

Jornalista que faz plantão fim de semana entende muito bem o risco da bebida tão glamourizada na noite. Já vi casos aqui de jovem que bebeu todas em boate sertaneja e em seguida atirou carro dentro do córrego para matar a namorada por ciúmes.

Mas voltando a falar sobre cultura, para encerrar esse papo, elegemos o melhor comentário feito hoje na página do Campo Grande News sobre o Locoleste: "Arte é comunicar, não transgredir". Ué gente, arte boa não é a que faz justamente o contrário?

 

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Dizer que todo sertanejo faz apologia à bebedeira é generalizar, assim como, dizer que todo rap faz apologia ao crime/drogas também é.O fato é que esse tipo de afirmação existe na maioria dos gêneros musicais, pra não dizer em todos (para não generalizar). E não é mentira que, a maior parte dos grupos de rap, cantam o que vivem. Homens e mulheres cantam sua situação de risco, esquecidos e marginalizados, seja pela cor da pele, ou pelo lugar de onde vieram. Assim como, creio que muitas letras de sertanejo, ou sertanejo universitário, retratam coisas que provavelmente são vividas por esses cantores.
E o rap? Ele segue forte nas quebradas, vocês gostando ou não, cantando a realidade!
Cada pessoa é responsável pelo que consome, e não cabe a mim ser juiz do gosto alheio.
Basta saber separar!
 
marcalrap em 09/12/2015 16:04:19
Fiz questão de me cadastrar apenas para comentar sobre essa publicação.
Pelo visto a autora Ângela Kempfer não gosta da musica sertaneja oferecida na grande maioria das casas noturnas da cidade, e fez com isso uma grande critica.
Sinto vergonha, pois usou argumentos realmente ridículos.
“apologia ao atestado médico” ? Gostaria de saber aonde ela ouviu isso na vida.
Simplesmente uma vergonha um site de tanto prestigio como o Campo Grande News deixar textos em mãos de uma pessoa tão tendenciosa e sem senso de ridículo.
Fica aqui minha sincera opinião sobre essa texto.
 
Vinicius em 04/12/2015 17:31:10
Gente! Atenção! Festa open bar (só whisky e cerveja do bão) lá na minha fazenda! Vamos descer pra lá, muita moda de viola, só modão derramado na cachaça! Sem maconha e nem armas, espero vocês lá!
 
Lohayne em 01/12/2015 17:31:38
Max....Acho q vc esta generalizando demais as coisas.. Primeiro, não podemos confundir o ato de beber com a conduta de dirigir embriado. São coisas diferentes! Até mesmo pq dirigir embriago é crime, de forma que se houvesse qualquer música, seja rap ou sertanejo, incitando beber e dirigir, haveria, com crtza, apologia ao crime.
Não podemos associar um ato ao outro. Nem sempre quem bebe, dirige.
Já a citada música do Roberto Carlos que vc citou traz um trecho consistente numa figura de linguagem, que não traduz a realidade em hipótese alguma, assim, a letra esta longe de ser criminosa. Ao contrário dos raps, que, como bem colocou o leitor Kleber, desafiam as autoridades públicas e incitam o ódio e a violência.
 
Donado em 01/12/2015 17:15:55
Eu até ia comentar, mas o amigo Donado ja disse tudo..
 
JoaoH em 01/12/2015 16:40:41
O Brasil, assim como Campo Grande é um lugar de dois pesos e duas medidas, todo mundo discrimina e trata como veneno o cigarro, mas a bebida é liberada, o que faz mais mal? No meu entender é a bebida, pois se a pessoa enche a cara de cigarro e pega o carro, provavelmente ele não fará mal a ninguem e chegará em sua casa em segurança, já com a bebida é diferente, e assim é com tudo neste país, no caso da "arte" de se fazer musica, por vivermos num país democrático, deveria ser permitido tudo, não existe "apologia" existe pai e mãe que não cuidam dos filhos, o próprio Roberto Carlos canta, "Entrei na Rua Augusta a 120 km por hora", portanto é apologia ao racha, ou no minimo a andar acima da velocidade permitida, a musica sertaneja atual é um lixo, é apologia à ignorancia.
 
Max em 01/12/2015 16:34:59
Excelente observação!! Repudiar a apologia criminal do rap e ignorar a apologia exagerada e imoral do álcool e do sexismo do sertanejo é hipocrisia cultural da nossa gente. O excesso de álcool associado a fama e ao sucesso é mera ilusão e tem levado muita gente à desgraça. Claro que é mais fácil e evidente criticar o uso de armas e drogas, entretanto a violência oriunda do álcool em análise fria é até mais letal. Fechar os olhos para essa realidade é preconceito e hipocrisia. Não ao rap com sua liberdade às drogas e ao crime e não ao sertanejo e ao exagero alcoólico! E também não ao samba... e bolero...e valsa e música gospel e o que mais proclmar a degradação humana.
 
Bruno em 01/12/2015 16:04:52
Também discordo dos comentários proferidos pelo Sr. Jornalista, uma vez que, apesar das músicas incitarem o consumo exagerado de álcool, em nenhuma delas o artista diz estar dirigindo ou praticando outra conduta delitiva. Já os "Artistas", se é que podemos chamá-los assim, que inserem em suas letras qualquer tipo de apologia ao crime, o fazem com bastante clareza e acham espetacular confrontar com as autoridades públicas, exibirem armas etc. Resumo da ópera: gosto bastante das matérias do Campo Grande News, entretanto considero infeliz a comparação que fora feita.
 
Kleber em 01/12/2015 15:18:36
Sendo bem objetivo e direto, eu não concordo com a visão do jornalista, uma vez que, apesar de o ato de bebe deliberadamente ser uma conduta imoral, não é criminosa. É diferente das letras de rap, que, em muitas vezes, falam de drogas, armas, entre outras condutas criminosas.
Assim sendo, temos que observar que a liberdade de expressão sofre limites, entre eles o próprio crime de apologia.
 
Donado em 01/12/2015 14:31:28
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