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Artes

Um papa abençoado

Por Gabriel Bocorny Guidotti (*) | 26/09/2015 15:05

A Igreja Católica Apostólica Romana teve, ao longo de sua história, uma variedade de nomes santimoniais, mas poucos líderes de verdade, isto é, pessoas capazes de guiar a fé para a fundação de um mundo novo e mais igual. A oportunidade dada ao argentino Jorge Mario Bergoglio – o Papa Francisco – parece ser uma exceção da regra, pois ele demonstra, a cada dia, que alinha seu pontificado à preocupação com o futuro da humanidade.

O Papa vem surpreendendo os fiéis do século XXI ao retirar da Santa Sé a opulência que sempre lhe foi consignada em séculos passados. Com o discurso do amor aos mais humildes, o Santo Padre usa roupas simples, senta em tronos modestos e é capaz de replicar pensamentos que surpreendem o mais incrédulo dos homens. A grande prova disso é a influência que exerceu nas negociações de paz entre Cuba e Estados Unidos. O sucesso da empreitada ilustrou-se nessa semana, nas visitas do pontífice aos dois países.

Em Cuba primeiramente, Francisco celebrou uma missa em que pediu mais amor ao próximo. Ele elogiou o povo cubano, enaltecendo a resistência às dificuldades impostas pelo bloqueio dos Estados Unidos desde a Revolução. Após dois dias de estadia, migrou para o país norte-americano, em uma visita ainda mais representativa. O Papa entrou para a história como o primeiro pontífice a discursar perante o Congresso Nacional. E não falou em vão.

Francisco aproveitou a oportunidade única para tocar em ponto nevrálgico que confronta republicanos e democratas: a questão climática. Ele pediu “ações valentes” que possam conter a desestabilização do meio natural. O Papa solicitou também a abolição da pena de morte, em nível global, pois acredita que “este é o melhor modo, já que toda vida é sagrada”. Desse jeito, com opiniões fortes, inclusivas – e muitas vezes heterodoxas – o Santo Padre conquista adeptos.

O fato de mediar as relações entre Cuba e Estados Unidos já seria, por si só, uma grande conquista. Entretanto, Francisco quer mais. Ele considerou, talvez pela primeira vez na história, a integração de indivíduos homossexuais nos braços da Igreja. De forma corajosa, descartou privilégios, adotando posturas simples e condizentes com os princípios da fé, e desafiou o Vaticano a romper com dogmas anacrônicos. Em síntese, há uma revolução de ideias e conceitos no ar. Sob a liderança deste Papa, o sonho de um mundo melhor.

(*) Gabriel Bocorny Guidotti, bacharel em Direito e estudante de Jornalismo em Porto Alegre (RS)

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