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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

29/06/2015 06:23

Velho Oeste do Brasil, MS só é lembrado em filmes de fronteira e pistolagem

Naiane Mesquita
Ponte que liga o Brasil ao Paraguai é cotada como o cenário da briga entre as gangues no filme A Curva do Rio Sujo. (Foto: Marcelo Calazans)Ponte que liga o Brasil ao Paraguai é cotada como o cenário da briga entre as gangues no filme "A Curva do Rio Sujo". (Foto: Marcelo Calazans)

Mato Grosso do Sul é o Velho Oeste brasileiro. Normalmente é aqui, na nossa fronteira seca, que as produções cinematográficas do país recorrem quando precisam de um cenário que relembre de imediato as questões ligadas à pistolagem, ao tráfico de drogas ou à violência contra indígenas.

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Acompanhando as gravações do filme "A Curva do Rio Sujo" é possível notar a preferência por pontos que repassem essa sensação de "terra sem lei" da fronteira. Baseado em um livro escrito por Joca Reiners Terron, a produção conta a história de uma disputa entre gangues de motoqueiros, que culmina na morte de um indígena.

Jane Adélia Britez é moradora de Bela Vista e acredita que filmes retratam a violência da fronteira do país.  Jane Adélia Britez é moradora de Bela Vista e acredita que filmes retratam a violência da fronteira do país.

Nas ruas de Bela Vista, a opinião da população é dividida. Alguns acreditam que a recorrência é preconceito, outros que reflete o cotidiano. "Eu acho muito ruim, um pouco preconceituoso, existe um lado bom na fronteira, acho que a pistolagem ficou um pouco para trás", afirma o repositor de mercadoria, Gilson Souza Silveira, 49 anos.

Já a colega de trabalho de Gilson, a atendente Jane Adélia Britez, de 26 anos, acha que no fim das contas o filme retrata uma verdade. "Eu nasci aqui e hoje o que mais tem é roubo de moto, furto de residências. Talvez pistolagem e confronto indígena nem tanto, vejo muito isso em Dourados", acredita.

Murilo Benício em uma cena de Os Matadores. (Foto: Divulgação)Murilo Benício em uma cena de "Os Matadores". (Foto: Divulgação)

Vale lembrar que essa não é a primeira vez que filmes do gênero são gravados na nossa fronteira. "Cabeça à Prêmio", do diretor Marco Ricca, "Frontera", do sul-mato-grossense David Cardoso, "Os Matadores", de Beto Brant e por aí vai...

"Esses filmes precisam de locações que mostrem as características da fronteira e Mato Grosso do Sul tem isso muito forte, além da questão indígena, que aqui temos a segunda maior população indígena do Brasil", aponta o presidente do Fórum de Cultura de Campo Grande, Airton Raes.

Para ele, o poder de atração que a fronteira exerce sobre os espectadores é um fenômeno mundial. "Hollywood sempre explorou muito a fronteira do México e dos Estados Unidos, um exemplo é a Marca da Maldade. Essa relação é muito parecida com a brasileira, não tem como negar isso", acredita.

Nessa questão do cinema monotemático em Mato Grosso do Sul, Airton ainda ressalta que é importante citar as produções sobre Meio Ambiente, entre elas uma da BBC, o filme de terror "Condado Marcado", rodado em Paranaíba e um documentário sobre um casal que trocava cartas de amor, "Espero Que Esta te Encontre", de Natara Ney. 

Set de filmagem de A Curva do Rio Sujo priorizou bairro simples, sem estrutura ou asfalto Set de filmagem de A Curva do Rio Sujo priorizou bairro simples, sem estrutura ou asfalto

"Falta uma organização das film commissions para valorizar o potencial de locações que Mato Grosso do Sul tem e para atrair as produções de fora. Se isso não é levado, as pessoas vão procurar gravar aquilo que elas enxergam, nesse caso, da fronteira, das questões à margem da sociedade", explica.

Bela Vista é, como muitos municípios de Mato Grosso do Sul, um lugar que guarda a história por meio das ruas e prédios, mas que viu seus redutos serem destruídos pela ação do tempo e o descaso dos governantes.

Para o turismólogo Diego Maciel, 32 anos, morador de Bela Vista, a época da pistolagem ficou para trás. "Às vezes acontecem alguns assassinatos, alguns assaltos, mas não é uma cidade perigosa e sim muito bonita. Quando tem desfile, os indígenas participam, mesmo apesar da distância, é cerca de 40 minutos de viagem até a aldeia, mas desde a minha adolescência eu não ouço falar mais de pistolagem", acredita. 

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Mas é claro, nós somos um dos estados mais atrasados do país, eu sei que é chato ouvir uma coisa dessas de um sul mato-grossense da gema como eu sou, mas é a realidade, a politica do estado não dá chance de crescimento, nossos políticos são tão corruptos que não sobra nada pra investir no estado ou nas cidades, infelizmente a realidade é triste mas é esta.
 
Max em 29/06/2015 08:32:14
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