A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

12/07/2012 14:37

Campo Grande tem público para ópera e merece teatro municipal, avalia diretor

Elverson Cardozo
A cultura é tão importante e obrigação do estado como a saúde e a segurança pública. diz diretor de cena, Franscisco Mayrink. (Foto: Elverson Cardozo)"A cultura é tão importante e obrigação do estado como a saúde e a segurança pública". diz diretor de cena, Franscisco Mayrink. (Foto: Elverson Cardozo)

Francisco Mayrink não considera difícil "fazer" ópera em Mato Grosso do Sul, nem em Campo Grande, terra que exporta sertanejos a todo o Brasil. Para o diretor de cena de Minas Gerais - que está na cidade dirigindo a ópera Cavalleria Rusticana, a Capital tem sim público para o gênero e capacidade para grandes montagens e é por isso que merece ganhar um teatro municipal.

Veja Mais
Mesmo sem patrocínio, artistas conseguem montar ópera com estrutura profissional
Com gorros de Papai Noel, artistas realizam performance contra calote de editais

"É o que falta. Um teatro para mil e duzentas pessoas, no mínimo", argumentou. Segundo ele, o mais difícil Campo Grande já tem: gente empenhada em expandir o estilo e levar música de qualidade à sociedade. "O desafio é de quem, aqui na terra, está produzindo e abrindo espaço", avalia.

O que falta, declarou, é investimento e um olhar mais atento do poder público. "A cultura é tão importante e obrigação do Estado como a saúde e a segurança pública. Isso faz o cidadão", afirmou.

A Capital, criticou, não tem a tradição do patrocínio de empresas. Fora isso, o investimento público no setor fica muito aquém das expectativas. Mayrink acredita que o Estado pode se tornar um polo cultural, mas para que isso aconteça é preciso haver mudanças.

Para o diretor, a repulsa que algumas pessoas sentem quando ouvem falar de ópera tem mais relação com um conceito pré-estabelecido do que com o próprio gênero.

Montagem reuniu na segunda cinco solistas, cerca de 25 coralistas e aproximadamente 15 figurantes. (Foto: Elverson Cardozo)Montagem reuniu na segunda cinco solistas, cerca de 25 coralistas e aproximadamente 15 figurantes. (Foto: Elverson Cardozo)

Muitas vezes, afirmou, essa resistência está relacionada à formação cultural e até mesmo ao nível social. "São pessoas que não tiveram acesso", explica. Daí a importância de desmistificar a ópera, quebrando o aspecto elitista.

O diretor, que já montou óperas em várias cidades brasileiras - e nos locais mais inusitados como campo de futebol, salão paroquial e porta de igreja -, acredita que o gênero musical é a forma de arte mais popular e justifica: "Ninguém pode dizer que ópera não é coisa do povo. Tem a dança, tem a música e tem a voz, que é a coisa que tem empatia mais imediata com alguém".

O conceito de que espetáculos de ópera é coisa de elite ou de grandes cidades precisa ser desmistificado, pontua o diretor. "A gente está provando que ópera pode ser feita fora do eixo Rio-São Paulo", disse. "Basta fazer. O público existe", completa.

Perfil - Mineiro da Capital, Francisco Mayrink é músico, produtor cultural e diretor de cena. Por 11 anos foi regente e diretor artístico do Coral da Refinaria Gabriel Passos - Regap, em Belo Horizonte, além de diretor da OSMG (Orquestra Sinfônica de Minas Gerais), de 1978 a 1991.

Por três anos foi diretor de promoção artística da Fundação Clóvis Salgado - Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Mayrink assina a direção de mais de 80 montagens nos mais importantes teatros brasileiros.

Mayrink durante ensaio da ópera Cavalleria Rusticana. (Foto: Elverson Cardozo)Mayrink durante ensaio da ópera Cavalleria Rusticana. (Foto: Elverson Cardozo)

Em 2004, dirigiu a estreia mundial da ópera "Aquiry - a luta de um povo", do compositor acreano Mario Lima Brasil. Também dirigiu a montagem ao ar livre de "Madame Butterfly", com a soprano japonesa Eiko Senda.

Entre os seus últimos trabalhos destacam-se "O Guarani", no teatro Castro Alves, em Salvador, na Bahia e "La Traviatta", encenada no Teatro da Paz, em Belém, há 2 anos.

Em Campo Grande, Mayrink participou, em 1996, do projeto "Viva Ópera". No mês passado dirigiu a ópera "La Traviatta" formada pelo coral do Sindate (Sindicato dos Agentes Tributários de Mato Grosso do Sul).




imagem transparente

Compartilhe

Classificados


Copyright © 2016 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.