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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

07/05/2012 11:09

Nova geração da música sul-mato-grossense não quer mais cantar o Pantanal

Anny Malagolini
Banda Bella Xu. (Foto: Divulgação)Banda Bella Xu. (Foto: Divulgação)

A música produzida hoje em Mato Grosso do Sul não canta mais o Mar de Xaraés, o Rio Paraguai, as chalanas ou a boiada. As canções são dia-a-dia menos Pantanal e cada vez mais natureza humana. Assim como no Brasil a MPB é renovada com Criolo, Céu, Tiê, Cidadão Instigado...por aqui a transformação chega ao som de Dombraz, Bella Xu, Vinil Moraes, Curimba...

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É o fim do ciclo da geração 60, 70, apesar da vivacidade de Geraldo Espíndola, Guilherme Rondon, Paulinho Simões, Almir Sater e os grandes ícones culturais sul-mato-grossenses, um movimento que há tempos já estava aí com Jennifer Magnética e Dimitri Pellz, sempre na base do “independente”.

As letras agora falam de “Porrada sempre no mesmo lugar”, da “Maldita Zuca” e do amor que “não é dado de graça” e as bandas têm público, vira e mexe lotam bares e festas em Campo Grande.

A viola continua só na transição, nas mãos de Guga Borba, um dos poucos ainda influenciados por elementos “folclóricos”, como “Nossa Senhora do Pantanal” e “Velho do Rio”. “Tento mostrar o lado bom e ruim de se viver aqui”, explica.

Para ele, a nova geração de músicos não viveu a época do Trem do Pantanal e nunca viajou pelo Estado, o que faz uma tremenda diferença. “Nós contamos histórias do que vivemos, e eu vivi isso”.

Vinil Moraes, 29 anos, diz que até conhece o Pantanal, o Rio Paraguai, mas não a ponto de ser influenciado. “Eu até já pensei em escrever sobre isso, mas não rola, não vivo isso, sou douradense e criado na Capital. O mais próximo que cheguei do Pantanal foi quando visitei Corumbá para a gravação de um videoclipe”, justifica o músico que vestiu o reggae para falar de política, drogas, comportamento.

“Eu não tenho contato com o Pantanal, não tenho dinheiro, as viagens não são acessíveis financeiramente. Eu acredito que os músicos mais antigos tinham mais condições, tinham fazendas, podiam observar a natureza. Nossa geração não”.

O Dombraz também tem referências bem mais urbanas. "A banda tem raízes no samba e trilha caminhos por entre a chamada Nova MPB”, deixa claro no perfil do Facebook.

O amor, a saudade e as coisas do cotidiano são recorrentes. “Não fomos influenciados a fazer música pantaneira, nossas referencias é a MPB, livros. Não sou fã, mas conheço e aprecio o trabalho de Geraldo Roca, Paulinho Simões. A antiga geração abriu caminho para nós”, reconhece o vocalista Chris Haicai, de 32 anos.

Na opinião dele, a vida em Campo Grande também tem outros cenários atualmente. “Aqui não tem Pantanal, é uma cidade cinza, cheia de concreto”.

Caçula do clã Espíndola, aos 47 anos Jerry roda o Estado como se ainda tivesse 20. Desde que começou a compor, os elementos urbanos são mais fortes que a tradição.

Na canção mais recente, “Mundo louco”, fala sobre vários lugares do mundo, como Alemanha, Argentina e Bonito, mas não sobre o Pantanal. “A falta de músicas que falam sobre o Pantanal é o retrato da questão urbana”, argumenta.

Vocalista e guitarrista da banda Bella Xu, Jenner Melo, 21 anos, conta que na banda nenhum é genuinamente sul-mato-grossense, mas pelos anos de casa já se consideram verdadeiros conterrâneos.

“Ouvir musica regional, ouvimos, como por exemplo, os músicos da família Espíndola, é um influencia, mas não faz nosso estilo. Nunca pensei em escrever sobre o Pantanal, não faz parte da minha realidade. Somos uma banda urbana. Não erguemos a bandeira pantaneira, mas conheço e aprecio o Pantanal sim. Nossas letras falam sobre o amor”.

Dombraz em dia de show lotado. (Foto: Divulgação)Dombraz em dia de show lotado. (Foto: Divulgação)
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Sem duvida nosso estado é um celeiro de bons músicos e muitos estilos, o que não quer dizer que não temos uma identidade, isso fica claro quando se cita os nomes dos nossos cantores e compositores assumidamente sul Mato-Grossenses, que dispensam qualquer apresentação, tal é a qualidade e a profundidade das musicas e melodias, já dos novos, o que se pode dizer, é que não há profundidade em seus repertórios independente do estilo, ou seja, lhes faltam raízes...
 
Pedro Bambil souza em 19/03/2013 17:21:17
Tomara que tenham boa sorte com a musica sem graça de vcs,ainda bem q falam de amor pq hoje só falam em sexo,e mais Campo Grande não é cinza e concreto ,mas sim uma cidade verde,florída e maravilhosa,o pantanal (meu orgulho)bem cantado só Almir Sater e Sergio Reis,não adianta querer emita-los.
 
Marcia Batista em 08/05/2012 11:16:19
Muito boa a matéria. Vejo a importância significativa de se valorizar a música regional, falando do pantanal, de suas belezas, pois é uma forma de levar até os que nunca foram, a apreciar nosso patrimônio, nossa terra. Honramos nossa terra, não só morando aqui, mas com palavras também. Quando visitei o pantanal pela 1ª vez me lembrei das músicas do grupo Acaba. Achei FANTÁSTICO. Detalhe a detalhe.
 
Márcio Patrocinio em 08/05/2012 08:46:34
Não desprezando do nosso ''Pantanal'',que por sinal é muito lindo,maravilhoso.Sou mineira da grande BH. adoro essa cidade,meus filhos nasceram aqui. Como tudo na vida ocorre uma mudança,assim o país também terá uma mudança .Aqui no estado como no brasil,a tendência é resgatar o pop rock ,e essa nova geração está tendo público. Então a hora é agora!!!!''Vamos apoiar as novas bandas de pop rock .
 
ZULMARY SOUTO em 08/05/2012 07:19:42
Gostaria de entender a utilidade cultural dessa "matéria".
o que tem para se escrever do Pantanal que possa causar uma grande influência no nosso raciocínio sobre a vida cotidiana e urbana das nossas cidades?
Músicas sobre a terra são bem vindas, mas creio que essa nova geração está tendo um êxito muito maior em deixar o provincianismo de lado e assumir um comportamente cultural mais cosmopolita.
 
Daniel Nogueira em 07/05/2012 12:14:08
Parabéns pela matéria!! Lado B sempre trazendo bons assuntos!
 
Mariana costa em 07/05/2012 11:59:22
TUDO MUDA, AINDA BEM. MAS O PANTANAL É PATRIMÔNIO CULTURAL DE INESGOTÁVEIS BELEZAS E HÁ DE SER CANTADOE EM VERSO E PROSA. NÃO DÁ PARA IGNORAR TANTA BELEZA. HAVERÁ SEMPRE QUEM QUEIRA CANTÁ-LO.
AINDA BEM.
SILVIO
 
SILVIO SANTANA DE SOUZA em 07/05/2012 11:53:43
isso aí! a música é um espelho da realidade.
e geração após geração, viva a cultura do meu matão!!!
 
Thaysa Freitas em 07/05/2012 11:34:22
Boa matéria, Anny. Parabéns!! MS é um estado de produção musical de grande excelência, não importa se o que se canta é passarinho, tereré ou concreto. A musicalidade deste lugar é única.
 
Luciana Villa em 07/05/2012 07:16:09
Nova geração da música sul-mato-grossense não quer mais cantar o Pantanal

Quem é a nova geração? 3 bandas?
Música sul-matogrossense, outro conceito difícil de definir. Difícil mesmo.
Não quer mais? Antes queria? Mas não se trata de uma nova geração?

Dá saudade de outras épocas da nossa cultura sim, mas a nova geração é muito mais que o que foi retratado aqui. E tenho dito.
 
Paulo Barbosa em 07/05/2012 06:48:50
A arte, seja ela qual for, é um mostruário de tudo aquilo que influência o artista. Não é preciso palavras em uma letra pra indicar de onde a música vem. A batida, um instrumento ou a construção da música já dão características locais. Eu admiro quem consegue pintar o Pantanal sem desenhar passarinho ou boi, ou quem toca nossa música sem usar a viola. Tudo isso é válido, é sangue novo.
 
Gabriel Gabino Mello Moreira em 07/05/2012 06:18:28
Acho que esse paulistano que veio procurar emprego de jornalista aqui, não entende que, só por não entoarmos frases ou palavras ligadas ao PANTANAL, JACARÉ, TUIUIÚ, CASA DAS PRIMA e AFINS, dedica-se então a matéria a falar q não somos sul-matogrossensses de alma e coração!! Meu caro,MORAR aki já é uma Honra de ter o pantanal como quintal pra compor o que o coraçao quer cantar!!!!
 
Marcio Gonçalves em 07/05/2012 05:18:01
Sim, hoje a musica só fala em "Porrada" e em outras barbaries, o som é estridente, é difícil ouvir uma musica e conversar numa roda de amigos. Antigamente não prescisava de caixa de som, o vocalista cantava e a platéia se acochavam, falavamos de beleza natural e da regionalidade. Falavamos de coisas boas e belas, hoje se fala de "mundo louco" e parece que a violência até flui mais. INFELIZMENTE.
 
Roberto Motta em 07/05/2012 04:41:42
Otima matéria, vale a pena conferir a carbono144, rock adulto e de qualidade!
palcomp3/carbono144 tem as musicas pra baixar
 
Eduardo em 07/05/2012 04:38:19
Parabéns pela excelente matéria!
 
Henrique Pimenta em 07/05/2012 03:17:07
PRESTEM ATENÇÃO: tem 02 sulmatogrossenses o guitarrista Denner Patrick (Dourados) e o Baterista Rick Pivetta (Fátima do Sul) que são os lideres da banda TRIBE radicados em Los Angeles- USA, logo, logo serão conhecidos mundialmente, a banda é excelente e fazem um som diferenciado, vale a pena conferir a página deles: tribeofficial.com
 
DOUGLAS MACHADO em 07/05/2012 02:38:07
O cara forçou um pouco, associando Campo Grande a uma cidade cinza e cheia de concreto. Acho que ele morou muito tempo em SP.
 
João Crisóstomo de Campo Grande - MS em 07/05/2012 01:33:13
muito boa materia,vi os videos, boa musica,mostre mais.
 
armando loureiro em 07/05/2012 01:10:12
Canta a sua aldeia e serás universal, Tolstoi afirmou com muito sabedoria a referida frase; e com certeza aquela geração das décadas de 60, 70, são universais e eternos, pq cantaram, e entoaram referências.
O mesmo não se pode afirmar dos novatos, que têm como únicas aspirações sair desta cidade e ganharem dinheiro. De qq forma, ainda existem talentos, como Márcio de Camilo que honram a terra.
 
JESSICA MACHADO em 07/05/2012 01:02:23
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