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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

23/05/2012 08:58

Uma noite de fazer chorar, com as músicas que Mato Grosso do Sul mais gosta de ouvir

Paula Maciulevicius
Prata da Casa emocionou ao relembrar três décadas. A gente espera que se repita daqui 30 anos e se der, daqui 60 anos, brincou Almir Sater. (Foto: Simão Nogueira)Prata da Casa emocionou ao relembrar três décadas. "A gente espera que se repita daqui 30 anos e se der, daqui 60 anos", brincou Almir Sater. (Foto: Simão Nogueira)

"A emoção é a mesma daquele momento. Muitos amigos, autores que a gente não vê todo dia sob o mesmo manto sagrado da música", definia Celito Espíndola. "Pode escrever que vai rolar emoção", antecipava Almir Sater.

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Eles já previam parte do sentimento e do público ao voltar ao palco com as mesmas músicas de 30 anos atrás, do LP "A Prata da Casa". Reviver três décadas era o proposto desde o início e se cumpriu, logo na primeira música.

Quem abriu a noite foi o grupo "Acaba". Ao subirem ao palco, ainda nos últimos ajustes, o que se viam eram olhos curiosos, ansiosos e até em êxtase de ver tudo de novo, com um gosto ainda melhor, de pitadas de saudade.

Eles mal haviam começado a entoar os ritmos do Pantanal e as palmas eram calorosas. Aplausos de emocionar quem viveu aquele festival e de quem via pela primeira vez. O público era uma mistura só. Os jovens presentes eram como os rostos da época, hoje acompanhados dos pais.

"Ainda criança aprendi o caminho do pântano e embora sem pena, aprendi a voar", foi cantado em coro. As luzes verdes do cenário contrastavam com o branco usado pelo grupo. Ao fechar a canção o público pediu bis.

Grupo Acaba abriu a noite. Bastou que eles subissem ao palco e ecoassem os ritmos pantaneiros declarando aberta oficialmente a sessão nostalgia. (Foto: João Garrigó)Grupo Acaba abriu a noite. Bastou que eles subissem ao palco e ecoassem os ritmos pantaneiros declarando aberta oficialmente a sessão nostalgia. (Foto: João Garrigó)

Logo no primeiro intervalo, entre a primeira e a segunda música, uma pausa para homenagem justa. A entrega de uma placa a personagens principais de grandes acontecimentos, ao jornalista Cândido Alberto Fonseca e a pioneira da cultura no Estado, professora Maria da Glória Sá Rosa.

O segundo a subir ao palco foi Cláudio Prates, com a canção "Carne Seca", mas os suspiros vieram com Paulo Gê em "Descuidado". "Não sou nada mesmo, sou um coitado, que num dia descuidado você fez se apaixonar".

As letras da noite eram poesia por si só. A nostalgia do público era sentida a cada começo de canção, em "Solidão", de João Figar, nas primeiras palavras, ele já arrematou aplausos e lágrimas.

Celito Espíndola, depois Hermanos Irmãos, trio composto de Jerry Espíndola, Márcio de Camilo e Rodrigo Teixeira, que homenagearam José Boaventura. Em seguida, foi a vez de Lenilde Ramos roubar a cena. Munida de sanfona e o tom de voz que só ela tem, animou a plateia, já antecipando o que viria. "Cantando moda de viola, só não faço chover, mas bem que eu controlo o tempo", Coração Ventania, de Carlos Colman.

Em determinado momento o teatro parou. Parou para ouvir a voz e o violão de Geraldo Roca: "dança mochileira que eu toco a guitarra". Era possível ouvir a respiração das pessoas mais próximas. O olhar apaixonado de casais que viveram uma história de amor com a trilha sonora da noite. A nostalgia de quem mesmo sem perceber, voltou ao tempo.

Minha vida cigana me afastou de você, na voz inconfundível de Tetê Espíndola. (Foto: Simão Nogueira)"Minha vida cigana me afastou de você", na voz inconfundível de Tetê Espíndola. (Foto: Simão Nogueira)
Quyquyô viu tudo lindo, tudo índio por aqui.
Índio América, teus filhos, foi Tupi, foi Guarani
(Foto: Simão Nogueira)"Quyquyô viu tudo lindo, tudo índio por aqui. Índio América, teus filhos, foi Tupi, foi Guarani" (Foto: Simão Nogueira)

O que a Prata da Casa apresentou fez emocionar até mesmo quem não viveu o começo da carreira de cada um deles. Com os mais experientes, alguns de cabelos brancos, filhos e até netos. A mesma música tocou para gerações ali. A voz apresentando o show era do jornalista e locutor Ciro de Oliveira. Cada vez que chamava uma das pratas, uma história que remetia o público às canções tocadas no começo das FM's.

"A primeira vez da maioria deles foi comigo", brincou. O que ele queria dizer era que como locutor, foi ele quem colocou as músicas sul-mato-grossenses nas rádios em uma época em que o ouvido era o caipira.

A mais velha dos Espíndolas roubou a cena com uma música a seu gênero, para lá de ousada. "Só sou mulher o suficiente quando faço amor com gente", cantou Alzira.

Caminhando para fechar o ciclo, Guilherme Rondon subiu ao palco, depois "Quyquyô", de Geraldo Espíndola e "Sonhos Guaranis", de Paulo Simões.

O timbre da voz e a canção de Tetê Espíndola fez o Glauce Rocha todo cantar "Oh meu amor, não fique triste, saudade existe pra quem sabe ter". Ali era saudade pura, sentimento que todos tinham. Dos mais novos aos veteranos. A atmosfera da noite despertou saudade até em quem vivia tudo pela primeira vez.

Enquanto o velho trem atravessava o Pantanal, conduzido por Almir Sater, a plateia era quem fazia viagem. A volta ao ano de 2012 estava pertinho já. A todo momento, uma canção despertava a emoção nos olhos. Havia quem fazia discrição e devagarinho enxugava as lágrimas. Outros que deixavam escorrer mesmo ao som de "como se o sol e a lua se esparramassem pelo chão", Almir e Geraldo entraram no coração do público e o desfecho foi ainda mais nostálgico.

Velhos amigos nunca se perdem, se guardam para certas ocasiões, cantou a Prata da Casa. (Foto: Simão Nogueira)"Velhos amigos nunca se perdem, se guardam para certas ocasiões", cantou a Prata da Casa. (Foto: Simão Nogueira)

"Velhos amigos nunca se perdem, se guardam para certas ocasiões, conhecem o perigo, mas fazem de conta que o tempo não ronda seus corações". O Glauce Rocha lotado aplaudiu de pé. Palmas calorosas e um sorriso no rosto de quem reviveu as lembranças de 30 anos em uma única noite.

"Eu já quero comprar para daqui 30 anos", brincava os amigos José Manfrósio e Johny Medeiros. Os dois estiveram ali no festival que originou o LP. "Eles representam a alma de Mato Grosso do Sul, eles conseguem trazer esse sentimento de saudade e de felicidade. Foi o que eu senti", descreveu Manfrósio.

"Eu estive em 1982, sentado naquela parte", apontou. "Eu fiquei emocionado e não é piegas, porque eu chorei quando tocou Descuidado, minha esposa era minha namorada na época, cada hora eu relembrava o passadao e vendo que está todo mundo aqui, foram para frente. Estou muito emocionado", tentava definir a sensação. "Saí diferente, saí diferente para melhor".

"A gente espera que se repita daqui 30 anos e se der, daqui 60 anos". Foi assim que Almir Sater e os demais "Prata da Casa" fecharam a noite de 30 anos de história.

O teatro cheio, principalmente de emoção.(Foto: Simão Nogueira)O teatro cheio, principalmente de emoção.(Foto: Simão Nogueira)



Realmente foi uma noite maravilhosa, belas poesias musicalizadas , me sinto previlegiado em ter presenciado esse momento parabens
 
Paulo Freire Thomaz em 24/05/2012 10:47:57
Alô meu povo!!!cadê Aurelio Miranda neste show com a sua viola,afinal são quarenta anos pela estrada sul matogrossense!!! quero ver agora com percentual da verba dirigida aos artistas pelo governo municipal... quero e tenho o direito de participar.o cachê agente conversa...ainda bem que viajo muito graças as pesoas que valorizam as minhas cançôes sertanejas e regionais,meu fone é 06792550607
 
Aurelio Bispo de miranda em 24/05/2012 10:33:18
muito bom valeu
 
AGNALDO OLIVEIRA em 24/05/2012 08:34:46
Estou muito "chateado" comigo mesmo por ter perdido esse grande show. Espero que haja uma nova oportunidade para prestigiar esses grandes músicos do nosso estado.
 
Edgar Acosta Camilo em 24/05/2012 08:22:23
Deveriam ter divulgado melhor. A próxima edição, por favor realizem no Morenão. É certo que irá lotar! Grandes nomes da nossa terra. Nós amamos isso.
 
Jose da Silva em 24/05/2012 08:07:17
Amei. ..muito lindo. Obrigada cantores por nos proporcionar esse noite.A equipe do projeto está de parabéns!!!!
Só não gostei do atraso....marcou horário têm de ser naquele horário.

Quero saber onde poderemos estar adquirindo o CD ou DVD???
 
Olga oliveira em 23/05/2012 12:09:20
Bom dia, realmente foi emocionante ver o ACABA tocar ontem, o que não deu pra entender foi o ACABA tocar somente uma música, mesmo o publico pedindo BIS não os deixaram cantar mais uma música.. ai vão dizer '' mais era só uma '' pois me explique por que o cidadão que tocou primeiro violão tocou 3 músicas? será que ele representa o MS melhor do que o ACABA? me retirei do local ! falta de respeito!
 
Vinicius Ferreira em 23/05/2012 10:42:46
Noite que ficará para sempre guardada na cabeça e no coração dos amantes da cultura sul-mato-grossense. Foi lindoooooooo!!!
 
Andreia Garcia Leite em 23/05/2012 10:33:06
Noite maravilhosa... emocionante!!!!
 
Adrianna Ceres em 23/05/2012 10:26:08
Parabéns ao sr. Zito Ferrari, idealizador e organizador do projeto de extensão, assim como todos os que participaram e contribuíram para que esse reencontro acontecesse e nos proporcionasse aquela noite memorável e emocionante. Era visível nos olhos das pessoas as lágrimas que eram uma mistura de orgulho e emoção.
 
Guilherme Mathias em 23/05/2012 08:14:01
Eventos como este são imperdíveis..........pena que foi pouco divulgado!!!!
 
Vanice Faria de Souza em 23/05/2012 07:13:22
Momentos como esse, deveria ser destinado às novas gerações que desconhecem ,ou, não tiveram oportunidade de apreciar a música maravilhosa produzida em Mato Grosso do Sul. Aguçar os ouvidos da moçada para que apreciem música de boa qualidade!!!
Beijos!
 
Alice Caetano em 23/05/2012 06:58:43
Fiquei muito emocionado,com a energia dos nossos musicos sentir a paixão de ser sul-matogrossense,mesmo morando em Presidente Prudente sinto uma nostalgia e muita saudade da minha terra amada.
 
sergio ricardo lacerda courbassier em 23/05/2012 05:52:57
NOITE COMO ESSA DEVERIA SER MAIS DIVULGADA, PODE SER QUE NUNCA MAIS ACONTEÇA, LOCAL MUITO PEQUENO, ESSE SEMPRE FOI MEU SONHO E NÃO CONSEGUI ENTRAR!
 
BETH MARQUES em 23/05/2012 05:37:58
(continuando)... mas a proposta era exatamente reviver o Pratas da Casa, dando a cada um a oportunidade de executar um sucesso da época. Eram muitos artistas, se fossem abrir exceção pro ACABA tocar mais uma, comprometeria todo o restante e abriria o precedente... Se vc tivesse ficado até o final veria como terminou tarde, não daria mesmo pra fazer mais de uma música (infelizmente).
 
Suellen Kemp em 23/05/2012 04:55:20
Foi esplendoroso, emocionante, lindo... faltam adjetivos para explicar quão importante foi a apresentação dos nossos artístas regionais, os "Pratas da Casa".
Desejo que possamos ter o privilégio de mais apresentações como essas. A cultura sul-matogrossense tem belíssimos representantes que devem ser prestígiados.
Obrigada a todos que proporcionaram este momento único!
 
Katia Tavares em 23/05/2012 04:53:33
Agora, como velho jornalista, puxo brasa (Almir Sater pode acender seu saboroso ‘paieiro’ nela) pro meu peixe. O texto da Paula Maciulevicius está à altura (às alturas, melhor dizendo) d’A Prata da Casa. Com sensibilidade e competência, ela não “só” nos conta a festa, ela CANTA as memórias e reminiscências, numa textura enternecedora. Magnífico. Parabéns.

 
Oscar Ramos Gaspar em 23/05/2012 04:46:14
Onde encontrarei o CD ou DVD para comprar?
Estes momentos temos que guardar para sempre....
 
MAGNO MARQUES PEREZ em 23/05/2012 04:46:07
É emocionante a ‘revivescência’ de um fertilíssimo período da cultura regional, celebrada não em improvável 'revival', mas com a emoção viva (e como!, graças a Deus) e com a inspiração transcendente dos próprios artistas que, com trinta anos de estrada, "trazem o frescor de quem chegou agora/ de quem desembarcou na aurora" para embalar corações por infindas décadas.
(segue pra não perder a toada)
 
Oscar Ramos Gaspar em 23/05/2012 04:45:16
Vinicius Ferreira, pelo que entendi, o cidadão que tocou no começo é o responsável pela elaboração do projeto, que é um projeto de extensão da UFMS, onde ele é professor. Então sendo parte do Doutorado dele, acho mais que justo que ele abrisse o evento, com quantas músicas ele quisesse. Gostaria muito também de ter ouvido vários artistas ali tocarem mais de uma música...
 
Suellen Kemp em 23/05/2012 04:43:56
Não comparecí por falta de divulgação do evento. Ví a divulgação na televisão quase na hora do espetáculo. Eu sou fã deste pessoal todo. A gente perde alguns bons espetáculos como este por falta de comunicação dos seus realizadores. Onde podemos adquirir o CD ou DVD ?
 
VALDIR VILLA NOVA em 23/05/2012 04:25:41
...E outro como Ciro de Oliveira que trabalha hj comigo na mesma emissora (TV MS Record). Lembro daquele primeiro Prata da casa como se fosse hoje, e com certeza muitas lembranças boas. Como na epoca nao fiquei com nenhuma exemplar, pedi uma copia ao Ciro que ate hoje nao fez, mas que por encanto aconteceu de novo e agora vou comprar o CD para guardar e relembrar bons momentos e bons amigos.
 
Norma Silles em 23/05/2012 03:43:51
"Fiquei triste por nao ter ido, nao sabia a data. Mas mesmo nao tendo ido, fico mto emocionada, e acredito que foi lindo, como da primeira vez. Há 30 anos eu estava lá. Trabalhava na TV Morena, e ainda outro dia vi o video daquele dia, vendo tantos amigos, uns nao estao mais aqui, outros se perderam ai pela vida e faz muito tempo que não encontro. continua noproximo comentario que vou postar.
 
Norma Silles em 23/05/2012 03:40:07
Sinto por não ter comparecido, mas estendo meus cumprimentos ao Grupo Acaba em especial, bem como a todos os outros célebres da noite! Parabéns! Vocês são o orgulho do Estado!
 
Jéssica Salles Ricardo em 23/05/2012 03:17:30
Lindo!!!!!!!!!!1
 
francisca bezerra em 23/05/2012 02:02:55
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