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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

23/04/2016 07:20

Em Nome da Lei tem boas intenções, mas não convence ao retratar fronteira

Naiane Mesquita
Eduardo Galvão, como o policial federal Elton, Paolla Oliveira como a promotora Alice e Mateus Solano vive o juiz Vitor Eduardo Galvão, como o policial federal Elton, Paolla Oliveira como a promotora Alice e Mateus Solano vive o juiz Vitor

Os primeiros segundos de "Em Nome da Lei" dizem tudo sobre o filme. A cena de abertura mostra uma estrada em linha reta, cercada por pastos e com uma placa “Fronteira entre Brasil – Paraguai”. O protagonista logo é apresentado ao espectador. Vivido por Mateus Solano, o juiz federal Vitor curiosamente chega à cidade observando um assassinato do tráfico de drogas e que não tem nem um pouco a atenção da polícia civil.

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É, sem dúvida, um filme rodado na fronteira, cheio de estereótipos do gênero, mas que pouco fala sobre suas complexidades. A produção teve trechos gravados em Dourados, cidade do interior de Mato Grosso do Sul, mas parece explorar pouco a região. O máximo que ouvimos sobre o local é uma explicação fraca a respeito da proximidade dos dois países, definida apenas por uma rua. O filme é assinado pelo diretor Sérgio Rezende, com os atores Paolla Oliveira e Chico Diaz no elenco.

Baseado livremente na história do juiz federal Odilon de Oliveira, Em Nome da Lei tenta estabelecer um equilíbrio entre o drama e a comédia, o que acaba soando falso. Diante dos alívios cômicos que beiram o constrangimento como “juiz não manda, determina”, fica difícil acreditar que seja comum mortes diárias na fronteira decorrentes da disputa pelo poder, o que de fato acontece até hoje. O tema parece não ser levado a sério pelo diretor.

Na história principal, Vitor decide desmontar um esquema de contrabando de drogas na região. Para prender Gomez (Chico Diaz), ele vai contar com a ajuda da procuradora Alice (Paolla Oliveira), por quem se apaixona, e da equipe do policial federal Elton (Eduardo Galvão).

Apesar de demonstrar pouca experiência e arrogância, Vitor decide dar andamento a processos parados há muito tempo no fórum. Alice e Elton, que também já tiveram um caso, estão na investigação em busca de provas concretas, mas os constantes erros do juiz acabam atrapalhando a operação. “Sua excelência beira a divindade”, dispara o policial federal em determinado momento da projeção.

Mesmo assim, o juiz honra o status de herói incorruptível do filme, sendo o responsável final por quase todo o desfecho. Chico Diaz, um dos melhores atores de sua geração, se esforça, mas pouco tem para nos apresentar de seu vilão. O máximo que consegue nos dizer é que “um morto na fronteira não é uma guerra”.

Fora isso, o filme mostra que aparentemente todo mundo está envolvido em um esquema de corrupção, como a própria Alice reforça: 80% da população. Isso inclui desembargadores, policiais, prefeitos e políticos em geral. Tudo isso embalado em uma trilha sonora sem muita expressão, apenas uma eventual música sertaneja e universitária em festas familiares de traficantes, além de canções fronteiriças esporádicas.

Com um público curioso pela repercussão das gravações e globais em cena, o cinema estava lotado na tarde de estreia, o que se vê é um filme que não funciona ao contar os problemas da fronteira do País, nem como ação, muito menos como romance. Pelo longa, parece fácil conquistar a paz na região. É uma pena que exista um distanciamento tão grande entre realidade e ficção.




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