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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

22/08/2015 08:20

Em Solidão e Meia, coreógrafo incorpora a lenda do blues Renato Fernandes

Naiane Mesquita
Zé Pretim também participa de filme inspirado na vida de Renato Fernandes, interpretado por Chico Neller (à direita) (Fotos: Alline Romero)Zé Pretim também participa de filme inspirado na vida de Renato Fernandes, interpretado por Chico Neller (à direita) (Fotos: Alline Romero)

Um é a lenda do blues, outro é um mito da dança contemporânea. Fundidos, Renato Fernandes e Chico Neller são a inspiração e o protagonista do filme Solidão e Meia do diretor Helton Pérez.

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Ainda em fase de pós produção, o curta-metragem que pode se transformar em longa foi construído com base nas canções do músico a frente da banda Bêbados Habilidosos, até a sua morte em fevereiro deste ano. “É uma história de amor entre um casal, inspirada no disco Vida Dura”, afirma Pérez.

Quem topou o desafio de interpretar o bluesman foi o coreógrafo e bailarino Chico Neller. Com 51 anos de idade e 35 anos dedicados à dança contemporânea, ele nunca havia pisado em um set de filmagens e nem tinha a intenção até a outra protagonista do filme, a também coreógrafa e bailarina Paula Bueno, pedir. “Eu e a Paula somos amigos há muitos anos. Fizemos vários trabalhos profissionais juntos e eu não podia recusar esse pedido dela”, brinca Neller.

A escolha já estava definida quando a morte de Renato foi anunciada, em pleno Carnaval. “Nós estávamos esperando só o Carnaval passar para iniciar as gravações. Foi horrível, aumentou muito a nossa responsabilidade, não era mais apenas uma produção e nem uma história qualquer”, acredita a produtora do filme, Mariana Sena.

Para Chico, que iniciava ali uma jornada de imersão no cinema, tentou manter a calma diante da pressão e da inexperiência. “Eu aprendi muita coisa nova. É diferente viver na direção, na coxia. O trabalho no filme me fez refletir, me deu insigt como diretor, como intérprete. Eu sempre fui muito crítico, muito exigente e vi as mudanças com o olhar de direção do Helton. Foi uma experiência incrível e que não sei se terei de novo”, pontua Neller.

Cena do filme Solidão e MeiaCena do filme Solidão e Meia

Extremamente tímido, o coreógrafo acredita que esse é o ponto de fusão entre as personalidades dos dois gênios. “Ele era reservado, quieto, como eu. Nas diferenças, acho que ele bebia muito e eu não de beber dessa forma. Mas, o Renato era muito profundo no blues, tinha uma experiência de vida incrível...”.

Sem nunca ter atuado, Neller foi o maior crítico do seu trabalho. “Odeio minha voz e minha imagem na tela. Confiei muito neles para atuar. Tentei me livrar dos vícios do meu corpo, da forma como eu trabalho há anos e até de um certo corpo meio afeminado, que eu sei que não tem nada a ver como Renato”, explica.

A surpresa está nos elogios que recebeu. “Quando descobriram que eu seria o Renato começaram a falar sobre as semelhanças físicas. O jeito e o olhar, o que casou e o que não casou. Eu não conhecia muito o trabalho do Renato, mas durante o filme eu fui me apaixonando por esse cara, pela vida torta dele, eu acho que ele viveu o que ele tinha que viver. Não estava preocupado com o que as pessoas diziam, foi feliz da forma dele”.

Algumas gravações foram em bares de Campo Grande, como o Baraúna Algumas gravações foram em bares de Campo Grande, como o Baraúna

O diretor, Helton Pérez, que se encontrou duas vezes com Renato antes de iniciar as filmagens explica que o músico contribuiu muito para o trabalho. “Aprimeira vez foi em 2010. A Paula gravou a conversa, agora está procurando a gravação. Lembro que ele deu ideias, contribuiu muito. A segunda vez foi quando conseguimos a aprovação no edital de curtas-metragens do Estado. Visitamos ele duas semanas antes da morte e ela já disse que autorizava, mas não queria aparecer em cena”, explica.

Como maior contribuição, Renato afirmou ao diretor e a protagonista de Solidão e Meia que sua cena favorita no cinema era do filme Picnic, de 1955. “Ele disse que era a cena mais sensual do cinema com duas pessoas vestidas. O final do Solidão e Meia tem muito a ver com essa frase dele”, afirma Helton.

Além disso, Sara e a filha do bluesman também aparecem na produção como uma forma de homenagear o ícone. Ao todo foram mais de dez dias de gravação, em vários pontos da cidade, desde a rua até bares, como Baraúna, antigo Blues Bar, bar do Zé, Carioca  e Nasa Park. Como não podia faltar tem muito blues, com a participação dos primeiros companheiros de estrada de Renato, a antiga Blues Band. "O Fabio Brum e o Marquinhos fazem pontas, assim como o baterista Bosco", ressalta o diretor. A cantora Erika Espíndola também assume os vocais em uma das regravações.

Com tanta história, o diretor não sabe ao certo se a produção será um curta ou não. “Não quero me prender nessas amarras, mas provavelmente será um média ou longo até porque é mais fácil de ser emplacado em festivais”, explica.




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