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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

16/05/2016 06:10

"Conheci meu filho graças a foto que o pai tirou, foi começo de 80 dias na UTI"

Thailla Torres
Só agradeci por ter tido o privilégio de enfrentar essa batalha ao lado do meu filho. (Foto: Paloma Mareco) Só agradeci por ter tido o privilégio de enfrentar essa batalha ao lado do meu filho. (Foto: Paloma Mareco)

Aos 25 anos, Ligia Martins não via hora de encontrar o rosto do filho, mas não imaginava que ele viria ao mundo antes dos 9 meses. Prematuro, pegou a mãe de surpresa e a angustia tomou conta diante da fragilidade da vida dele.

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Davi nasceu pesando apenas 955 gramas. Passou 80 dias internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), uma dor que a mãe compartilha na Voz da Experiência.

Davi em um ensaio fotográfico ao 6 meses e cheio de saúde. (Foto: Paloma Mareco) Davi em um ensaio fotográfico ao 6 meses e cheio de saúde. (Foto: Paloma Mareco)

Tive uma gravidez normal até o sexto mês e o obstetra não detectou que eu estava com hipertensão. Quando passei mal e fui ao médico novamente, a pressão alta estava em estágio bastante avançado.

Descobri 4 dias antes do meu Chá de Bebê que aconteceu em um domingo, naquele dia, eu quase não comemorei e fiquei sentada o tempo todo. A noite, mal consegui dormir, sentia uma dor insuportável na cabeça. Levantei, andava de um lado para o outro segurando a barriga.

Sabia que não estava bem, mas nada que me fizesse pensar que algo errado aconteceria com o meu filho. No mesmo dia, fui internada para fazer exames. Quando a médica chegou, disse que eu estava com pouco líquido e que o bebê já estava sofrendo. Era a hora de nascer.

Naquele momento, o medo e nervosismo tomaram conta e cheguei a pensar que meu bebê não nasceria vivo. Foi aí que tomei a decisão de entregar a minha vida e do meu filho a Deus.

Ele nasceu no dia 13 de julho do ano passado. Não me recordo quanto tempo durou a cesariana, mas assim que acabou a cirurgia, ainda sob efeito da anestesia, eu não parava de perguntar do Davi. A cada minuto eu escutava um choro e achava que era o meu bebê.

Ele nasceu de 7 meses e com apenas 955 gramas. Teve displasia broncopulmonar e por conta das complicações, foi encaminhado diretamente para UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal e não o peguei nos braços. Ele precisou de 4 transfusões de sangue.

O primeiro contato com Davi foi através de uma foto que o pai tirou e me mostrou. Mas só o encontrei, um dia depois do nascimento. Na hora que olhei pra ele fiquei emocionada, eu chorava ao ver ele tão pequenininho dentro daquela caixa, cheio de tubos e respirando com oxigênio. Mas eu me sentia feliz em ver o peitinho dele movimentando pra baixo e pra cima, sabendo que estava vivo.

Momento em que Ligia segurou o filho pela primeira vez. (Foto: Arquivo pessoal) Momento em que Ligia segurou o filho pela primeira vez. (Foto: Arquivo pessoal)

Ao lado dele, a médica nos disse que aquelas primeiras 48 horas seriam decisivas. E aí o coração apertou. 

Fiquei uma semana internada e quando tive alta do hospital foi um momento doloroso. Como toda mãe, a gente sonha em sair da maternidade com o filho nos braços e isso não aconteceu. Sai apenas com a minha roupa e uma sacola com as coisas dele, que havia preparado e sonhado para aquele momento.

E aí eu me sentia impotente e via que só Deus podia salvar o meu bebê. Mas ficava imaginando o que eu teria feito de errado para meu filho estar passando por aquilo. Foi um período muito sofrido. A prematuridade pegou a gente de surpresa, as roupinhas nem estavam lavadas e nem o quartinho estava pronto.

Durante o período na UTI neonatal, eu ia todos os dias. Mas só depois de 12 dias consegui finalmente pegar ele no colo. Foi um misto de emoções. Eu tinha medo de machucar porque ele era tão pequeno, mas ao mesmo tempo eu não queria mais sair dali.

Ele me olhou e sei que reconheceu a minha voz quando falei. Naquele momento eu só pensei “a gente vai vencer”.

E vencemos! Com 35 dias ele foi levado para uma unidade intermediária, já estava mamando e usando sonda. A partir dali, eu comecei a morar no hospital. Eu dava banho, atenção e carinho 24 horas por dia. Ao lado dele, eu dormia em uma cadeira.

Davi nasceu com 6 meses e passou 80 dias em recuperação. Davi nasceu com 6 meses e passou 80 dias em recuperação.

Mesmo sendo difícil, eu só pensava na recuperação dele. A gente começa a ficar abalada emocionalmente, pois estava ao lado de tantas outras mães com situações semelhantes ou maiores que a minha. Vendo a dor delas, eu ficava pensando se aquilo podia acontecer com meu bebê também.

Tive depressão e comecei a tomar ansiolítico. Em um momento tão delicado, a gente se distancia de todo mundo. Mas eu agradeço pelo apoio enorme do meu marido.

Aos dias de semana, ele precisava trabalhar e aos fins de semana, pedia para que eu fosse para casa, descansar e cuidar de mim, enquanto ele cuidava do Davi. Foi um apoio fundamental, ele me levava para onde eu precisava. A todo tempo, ele rezava e dava força para eu e Davi e me dizia que tudo ia dar certo.

No dia 2 de outubro, foi como se eu tivesse nascido de novo. Todo aquele sonho que eu tive quando eu sai do hospital sem ele, finalmente eu realizei. Não foi fácil sair do hospital, eu precisei me despedir de uma nova família que havia formado. Chorei muito vendo mães e enfermeiras que se tornaram amigas. E também porque a gente havia vencido juntos. Mas por mais cansada que eu estivesse eu nunca havia me sentido tão feliz na vida.

O Instagram me ajudou muito, pois quando comecei a relatar a história dele no meu perfil, muitas pessoas vieram me procurar para dar apoio e dizer que eu jamais poderia desistir. Eu tive muito fé e paciência até descobrir que os prematuros também têm o tempo deles. São mais fortes do que eu imaginava. Sei que eles lutam para viver.

No dia 13 de maio, o Davi completou 10 meses e é uma criança que me enche de alegria e amor. Depois de tudo, eu só pensei e agradeci por ter tido o privilégio de enfrentar essa batalha ao lado do meu filho.

Mãe descobriu que o filho era muito mais forte do ele que imaginava. (Foto: Paloma Mareco) Mãe descobriu que o filho era muito mais forte do ele que imaginava. (Foto: Paloma Mareco)



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