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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

10/05/2015 07:45

Na luta por direitos iguais, poucas se importam se mulher paga menos na balada

Aline Araújo
Amigas não se importam em pagar menos. (Foto: Fernando Antunes)Amigas não se importam em pagar menos. (Foto: Fernando Antunes)

A pauta surgiu em um debate de leve sobre o feminismo nos dias atuais. De repente, a colocação de que o preço diferenciado na balada também é machismo fez a gente refletir sobre até que ponto esses detalhes têm efeitos nas relações de gênero.

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É quase unânime, as casas de Campo Grande sempre fazem alguma “promoção” para o público feminino. Ou o ingresso é mais barato, ou mulher entra de graça até a meia noite, por vezes até ganha um drinque de graça. Já se tornou um hábito.

O Lado B resolveu levantar a questão e por na roda o assunto. Será que alguém se importa com isso?

Em geral a maioria das mulheres não vê problema nisso, mas quem luta pela igualdade acredita que esse tipo de atitude é uma discriminação, serve como mais uma forma de explorar a imagem feminina, como um "presente" para os homens lotarem as casas.

Mas a tese de que isso parece pouco importar acabou vingando na noite da cidade. No geral, ninguém vê problema nisso, nem as mulheres. “É lógico que eu gosto. A mulher já se ferra em tanta coisa, pelo menos nisso a gente tem que se dar bem. Eu enxergo como privilégio e não como uma ofensa”, defende a depiladora Daniela Morais, de 21 anos.

 

Anúncio em uma propaganda de casa noturna de Campo Grande. (Foto: reprodução Faceboko)Anúncio em uma propaganda de casa noturna de Campo Grande. (Foto: reprodução Faceboko)

A estudante Ariane Fasolo, de 19 anos, também concorda em pagar menos. “ Os homens vão onde tem mulher. Então, é bom pra gente que paga menos, bom para a casa que vai continuar lotando festa e todo mundo leva vantagem” argumenta.

Para a socióloga Ana Gomes, 67 anos, gestos como esse deveriam incomodar sim. Ela acredita que a maioria das mulheres não se importa por não ter consciência de que é uma forma de perpetuar a desigualdade.

“Me incomoda, acho que o machismo também está nas pequenas coisas, que as vezes as pessoas ignoram, não só nas grandes. Por trás do ingresso mais barato, vem embutido o fato da que as mulheres atraem o público masculino, ou seja a mulher sendo utilizada como um objeto”, comenta.

Na maioria das vezes essa não é a intenção inicial, mas a prática virou tão costumeira que até quem faz isso no estabelecimento se enrola para explicar. “Eu tenho casa noturna há 20 anos e sempre fiz mais barato para mulher. Não foi pensando que onde vai mulher vai homem, mas algo que a gente sempre fez”, afirma a empresária Fátima Mennas, 40 anos, do Bar Fly de Campo Grande, sem explicar a origem da diferença.

As amigas Pollyana e Monica também não se importam com o valor menor.  (Foto: Fernando Antunes)As amigas Pollyana e Monica também não se importam com o valor menor. (Foto: Fernando Antunes)

Em locais como Valley, Coronas Pub, 21 Bar e Lazer, Move e Hangar, a maioria das festas os ingressos femininos são mais baratos que masculinos.

A diferenciação de preço pelo sexo virou regra e difícil mesmo é achar alguma exceção. Muitas mulheres se sentem confortáveis com essa situação.

“ Eu acho que não vai encontrar ninguém que diga ao contrário! Mulher tem que pagar menos mesmo. A gente suja menos, bebe menos”, afirma Pollyana Oliveira de 29 anos.

Mas se consome menos, gasta menos, a mulher não deveria pagar entrada maior? “A gente é mais comportada”, justifica Mônica Priscila, de 26 anos.

Roneir e o amigo Carlos tem opiniões diferentes.  (Foto: Fernando Antunes)Roneir e o amigo Carlos tem opiniões diferentes. (Foto: Fernando Antunes)

“Eu acho que tem que pagar igual. As mulheres querem direitos iguais. Porque pagar menos?”, questiona o mecânico de 31 anos, Roneir Santos.

O amigo Carlos Borges, de 35 anos, discorda um pouco. “A mulher tem que ser privilegiada, sem precisar que isso desvalorize a mulher. Não sei se no ingresso, mas é fato que a presença da mulher deixa a festa mais bacana”, comenta.

Infelizmente, ninguém apareceu dizendo que cobra preço menor por conta do preconceito que faz a mulher ganhar salário 30% menor que os homens no mercado de trabalho, mesmo exercendo a mesma função, e em pleno 2015. Isso sim seria bacana, moderno, transformador.




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